AH!: o conceito

Voltar para AH!

Os efeitos da terceira revolução industrial, ou Revolução Tecno-científica, têm produzido grandes inovações no campo das artes, sobretudo no que tange o alcance de público destas novas obras de arte. As redes sociais permitem maior facilidade da divulgação de uma obra bem como feedback em tempo real das sensações que esta obra produz no público conectado. Neste sentido as redes sociais, e em particular o Facebook, vêm confirmar o dialética entre as falas de Wharol e Debord onde sociedade acaba por se limitar a experimentações efêmeras e vivemos um verdadeiro autofagismo do meio urbano.

AH!: David Weissman

Obras, frases, fotos, desenhos e imagens são postados aos milhares a cada minuto sem haver critérios ou preocupações com suas autorias. Por outro lado esta fluidez dos signos e significados através da hipermídia permite uma construção e uma negociação mútua entre os artistas em comunidades fóruns de discussão ou grupos, trocando experiências, contextualizando-as, resignificando-as em um compartilhamento social-artístico contínuo.

Neste sentido, o AH! – Arte Homoerótica se transformou em um grupo de discussão e troca de artes e vivências homoeróticas. Um espaço virtual vocativo e provocativo que aproximou pessoas, artistas, admiradores e consumidores de arte.

AH: ©JockPlay

A escolha desta nomenclatura se deu através de uma leitura dos diálogos entre Jurandir Freire Costa, João Silvério Trevisan e Denilson Lopes, na adoção de uma terminologia que venha substituir o termo homossexualismo, livre de significados pejorativos. Aliás, como friza Trevisan, do ponto de vista do significado, a vantagem do termo homoerotismo é indiscutível: ao contrário de homossexualismo, exclusivamente voltado para a prática sexual, sua abrangência pode abrigar uma gama bem ampla de comportamentos e tendências. E portanto a idéia de trabalhar esta categoria abreviada numa interjeição de gozo, de prazer, de surpresa: AH!.

AH na química

O grupo permaneceu fechado a alguns amigos e amigos de amigos e o sistema de convites feito com parcimônia permitiu que o AH! se tornasse mais do que um local onde são trocados links, fotos e notícias, mas, sim, um espaço quase-virtual onde a arte é discutida, bem como os limites entre o erótico e o pornográfico (ou se eles sequer existem), onde se buscam interpretações erotizadas e homoerotizadas de obras não inicialmente classificadas como tal e onde é possível discutir, provocar, insinuar e insinuar-se seja por idéias por imagens ou por  ambas.

Marcel Robalinho Senra Peçanha, 2012

Em meados de Maio/12, o grupo “AH!” foi excluído do Facebook do dia para a noite.
Isso é reflexo e uma sociedade onde a Arte não é vista com o respeito que merece, onde o corpo nu ainda é recoberto de tabus e pudores e onde a Homossexualidade ainda não é respeitada como uma condição natural do ser humano.
As artes aqui apresentadas servem como um registro deste ousado grupo. 
RIP AH!

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