Posts tagged ‘Português’

02/08/2010

Chegando na França: Lyon e as vinicolas de Beaujolais


Chegamos em Genebra, vindos de Montreux no final da tarde de domingo, mas imediatamente pegamos um taxi para a França, onde passamos a noite. Sim, Divonne está a quinze minutos de Genebra e a única noite que passamos neste agradável castelo de origens medievais foi uma verdadeira festa gastronômica.

Na manhã seguinte voltamos a Genebra um pouco mais cedo do que o inicialmente programado para termos algum tempo para conhecer a cidade. E lá fomos nós, com apenas uma hora e meia para conhecer a cidade e fazer algumas compras, como relógios e canivetes legitimamente suíços.

Genebra, vista com bandeira suíça

Genebra, vista do relógio floral

Duas vistas da parte mais moderna de Genebra, junto ao Lac Léman (Lago Genebra)

No meu caso consegui comprar meu Swatch, mas fiquei morrendo de vontade de conhecer melhor esta linda cidade! Pude dar uma volta, bastante corrida pelas ruas da antiga cidade medieval, às margens do Lac Lemán, mas foi o suficiente apenas para dar mais vontade de voltar.

De Genebra chegamos “oficialmente” à parte francesa da viagem na capital gastronômica do país e da região de Rhône-Alpse, a bela Lyon, onde ficamos hospedados no hotel Cours do Lodge, um conjunto de quatro prédios medievais restaurados e transformados em um estabelecimento verdadeiramente diferenciado.

Rue du Bœuf, na Vieux Ville de Lyon

Rue du Bœuf, na Vieux Ville de Lyon, a rua do Cours do Lodge

“Somos um dos pouquíssimos hotéis na Vieux Ville de Lyon, a área original da cidade, com um jardim interno. E temos muito orgulho disso!” diz o Gerente Geral do hotel, Franck Sciessere.

Franck Sciessere, do Cours do Lodge

Franck Sciessere, do Cours do Lodge

Céline Gomes, a francesa filha de portugueses do órgão de turismo da região de Rhones-Alpes ressalta que  o escritório de turismo pode prestar serviços de apoio para grupos, bastando entrar em contato com ela pelo e-mail celine.gomes@rhonealpes-tourisme.com. “Outra coisa que é importante falar é que o Lyon City Card – que inclui a entrada em diversos museus da cidade e o uso de todo o transporte urbano de Lyon durante sua validade, que pode ser de 24, 48 ou 72 horas – oferece comissão de vendas para os agentes e operadores”, completa Céline. Ela diz que o volume de brasileiros visitando a região não é muito grande, mas também porque eles ainda não haviam realizado grandes ações promocionais, intensificadas em 2008, aproveitando a oportunidade do Ano da França no Brasil. “Em 2008 fizemos ações em São Paulo e em Curitiba, até porque Rhone-Alpes e o estado do Paraná são regiões irmãs. E em abril de 2010 faremos um workshop juntamente com a Atout France (ex-Maison de France). Já confirmamos as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro outras duas ou três ainda dependem de confirmação”.

Fizemos um passeio guiado pelo bairro antigo de Lyon, iniciando pela Basilica de Fourvière, no alto do morro de mesmo nome, de onde pudemos ter uma vista panorâmica de toda a cidade.

Uma das praças de Lyon, vista da Basilica de Fourvière

Uma das praças de Lyon, vista da Basilica de Fourvière

“No dia da consagração da estátua dourada da Virgem Maria, 8 de dezembro, todas as casas da cidade colocaram velas nas janelas, o que deu início ao agora permanente Festival das Luzes, 4 dias nos quais diversos eventos “luminosos” enfeitam a cidade trazendo mais de 4 milhões de turistas. Este ano será de 05 a 08/12”, diz o guia Jérome Trevy que nos acompanhou.

A Virgem Dourada de Fourvière

A Virgem Dourada de Fourvière

E só mesmo com um guia credenciado para descobrirmos as passagens secretas do bairro velho, as traboules. Criadas para facilitar o trânsito dos trabalhadores da seda da Lyon medieval, existem mais de 500 destas passagens por dentro dos quarteirões, passando por dentro das casas.

Traboule de Lyon

Entrada de uma das traboules mais longas de Lyon

“Algumas delas continuam abertas para o público em geral, principalmente pelo seu valor cultural e histórico, depois de acordos entre os moradores, que tem que deixa-las destrancadas das nove da manhã as sete da noite, e a prefeitura, que passou a arcar com a limpeza e a iluminação delas”, explica Jérome que também nos contou que a área era muito degradada e desagradável até que se tornou área de proteção nacional em 1964. Em 1998 o esforço de restauração foi reconhecido pela Unesco que tornou a parte antiga de Lyon e mais uma área da “península” entre os rios Rhone e Scena patrimônio da humanidade.

Ainda no monte Fouvier, a primeira área real de ocupação cidade estão os dois anfiteatros romanos, resquícios de uma época em que Lyon era a capital romana da Gália. Entre junho e agosto de todos os anos é realizado aqui o festival “Noites de Fouvier” com apresentações musicais, de teatro e cinema.

Nosso grupo

Nosso grupo: Maria, Silvio, Jérome, Veronica, Bruna, Marco, Anita e eu, no Teatro Romano do Fouvier

Nosso jantar foi no restaurante do hotel Villa Fiorentina, uma estrela no Guia Michelin. O hotel está localizado no monte Fouvier, com uma lindíssima vista da cidade, em um prédio histórico que foi restaurado. Parte da cadeia “Relais & Chateaux” o Villa Fiorentina conta quartos de alto luxo, muito usados por turistas de negócios, mas principalmente por casais.

Vista noturna de Lyon, a partir do Villa Florentina

Vista noturna de Lyon, a partir do Villa Florentina

A manhã do dia seguinte foi reservada ao passeio pela região vinícola de Beaujolais, onde são produzidos três tipos de vinhos – Beaujolais, Beaujolais Village e Cru, nesta ordem de qualidade – que estão dentre os mais exportados pela França e são vinhos “D.O.C.” – Denominação de Origem Controlada, ou seja só os realmente produzidos na região de Beaujolais podem receber este nome.

Michèle Callandras

Michèle Callandras nos serve um pouco de Beaujolais para degustação

A visita começou na propriedade de Michèle e Jean Callandras, um típico casal idoso francês que conta com a ajuda de diversos trabalhadores temporários na época da colheita das uvas – início de setembro – mas que toma conta de toda a propriedade praticamente sozinhos.

Jean Callandras

Jean Callandras e um dos cachos da uva Gamay, usada no Beaujolais

Aliás, na época da vindima a região recebe também muitos jovens turistas que se hospedam nas casas dos proprietários só para poderem participar desta grande comemoração que praticamente dá início a temporada francesa de vinhos. Diz-se que o Beaujolais é o primeiro vinho da temporada e que deve ser consumido ainda novo.

Passamos ainda no pequeno vilarejo de Oignt, com suas casas todas construídas com pedras douradas, o que dá um aspecto realmente único à todas as vilas desta região.

Uma das casas de Oignt

Uma das casas de Oignt

Oignt tem uma torre de vigia e uma igreja da época medieval e está virando moradia de diversos artistas que montam seus ateliês por aqui.

O almoço, no também estrelado restaurante do hotel (também Relais & Chateaux) do Chateau de Bagnols, do chef Matthieu Fontaine. O Chateau de Bagnols é um castelo medieval convertido em hotel, com instalações maravilhosas e que tem recebido mais e mais brasileiros a cada ano.

Vista externa do Chateau de Bagnols

Vista externa do Chateau de Bagnols

Um dos salões do Chateau de Bagnols.

Um dos salões do Chateau de Bagnols. Imaginem fazer uma festa de casamento aqui…

Já estamos embarcados o TGV com destino a Paris onde passaremos as próximas duas noites. Demos um pouco de sorte, já que os trabalhadores das ferrovias francesas resolveram fazer uma greve – na verdade uma operação tartaruga – exatamente hoje e o trem originalmente previsto para nossa viagem foi cancelado. Tivemos que pegar  o anterior, mas sem reservas, o que poderia nos trazer – mas não trouxe – alguns problemas. Perguntamos a alguns franceses o porquê desta greve e a resposta foi basicamente a mesma: “na verdade eu nem sei porquê, mas podemos sempre esperar entre duas e três grandes paralisações todos os anos, então não é surpresa alguma!”.

Originalmente publicado no Blog PANROTAS em Viagem em 23/10/2009:

http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/10/23/chegando-na-franca-lyon-e-as-vinicolas-de-beaujolais/

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30/07/2010

Na Suíça, a 2.000 metros de altura


Depois de vários dias de chuva e frio estávamos realmente merecendo um belo dia de sol e hoje o dia amanheceu perfeito (sim, com frio, mas céu azul e sol). Ao acordar em Montreux nem podia acreditar ao ver pela janela o dia nascendo com o céu completamente limpo, a cidade ainda nas sombras das altas montanhas e os primeiros raios de sol já batendo nos picos nevados do lado oposto do Lac Léman (Lago Genebra).

Amanhecer em Montreux

Amanhecer em Montreux

Saímos cedo de nosso hotel para pegar um outro trem panorâmico da GoldenPass, só que este era um pequeno trem turístico que nos levaria em um parque no alto da montanha “Les Rochers-de-Naye”, a dois mil metros de altura.

Estação de trem de Montreux

Estação de trem de Montreux

GoldenPass Rochers-de-Naye

GoldenPass Rochers-de-Naye

O trem lembra muito aquele do Cristo Redentor carioca: pequenos vagões, sem nenhum luxo, montanha acima com ajuda do terceiro trilho – a cremalheira -, numa estrada com bastante curvas que atravessa florestas e túneis até chegar a um ponto com uma vista maravilhosa dos arredores. A diferença aqui é que a subida é muito maior e que, a partir de certo ponto, chegamos a uma altura onde a neve já não derrete sem bastante sol – as folhas começam a ficar brancas da neve do dia anterior, e as casas, e as árvores até que, já mais perto do topo, está tudo maravilhosamente branco e brilhante, refletindo o sol forte daquele céu impecavelmente azul.

Ok, admito que fiquei um tanto maravilhado, mas para quem estava vendo neve pra valer pela primeira vista é realmente a reação esperada, não é?

A chegada em Rochers-de-Naye (1)

A chegada em Rochers-de-Naye (2)

A chegada em Rochers-de-Naye

Na estação do topo tem um hotel com dois restaurantes e um parque chamado “Paraíso das Marmotas”. Este pequeno roedor, que só existe no hemisfério norte parece ter encontrado aqui em Rochers-de-Naye seu habitat perfeito, seu verdadeiro paraíso, já que aqui foi construído um parque somente para a criação e pesquisa e seus hábitos. Só que com o frio de hoje elas já estavam em suas tocas, preparando para a hibernação do inverno. E além do hotel é possível também se hospedar em Yourtes, uma reprodução fiel de cabanas mongóis para aqueles que quiserem passar pela experiência de dormir a 2.000 metros de altura. Existem trilhas que podem ser percorridas a pé, com diversos níveis de dificuldade, mas é recomendável sempre experiência prévia, pois aqui a neve e o frio são coisas sérias e ainda assim vimos muitos grupos chegando e saindo da montanha, cheios de equipamentos.

Os Yourtes de Rochers-de-Naye (1)

Os Yourtes de Rochers-de-Naye (2)

Os Yourtes de Rochers-de-Naye

Nas quatro semanas que antecedem o natal Rocher-de-Naye se transforma na casa de Papai Noel e milhares de crianças sobem aqui para visitar o velhinho barbudo. Para aquelas que se hospedam nos Yourtes um pacote especial permite que o Papai Noel em pessoa entregue presentes para as crianças numa visita surpresa (e realmente mágica) durante a noite. Os pais nem precisam se preocupar, pois podem dizer antecipadamente ao Papai Noel o que eles querem que seja falado para as crianças – um pedido especial do Papai Noel em pessoa, para que o menino seja bonzinho no ano seguinte certamente terá mais efeito.

Os panoramas daqui são realmente maravilhosos e nem o frio cortante e a neve que já devia ter seus 10 centímetros me afugentaram de ficar passeando e tirando milhares de fotos. É um passeio realmente imperdível.

Tem que enfrentar o frio para tirar fotos!

Tem que enfrentar o frio para tirar fotos!

Restaurante panorâmico, com vista para Montreux

Restaurante panorâmico, com vista para Montreux

Voltando da montanha almoçamos em Montreux antes de partirmos para a estação rumo a Genebra.

Estação Central de Genebra

Estação Central de Genebra

Mas não dormiremos nesta bela cidade às margens do lago, as em Divonne, já em território francês, mas a apenas quinze minutos de Genebra. Estamos hospedados no belo Château de Divonne, um dos charmosos hotéis da rede  Grandes Etapes Françises, que possui ao todo dez unidades neste conceito por toda a França.

Chateau Divonne, que fica na França, mas a 15 min. de Genebra

Chateau Divonne, que fica na França, mas a 15 min. de Genebra

Amanhã já partimos para Lyon no veloz trem TGV, onde iniciamos verdadeiramente a parte francesa de nossa jornada ferroviária.

Originalmente publicado no Blog PANROTAS em Viagem, em 19/10/2009:

http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/10/19/na-suica-a-2000-metros-de-altura/

28/07/2010

Trens panorâmicos da Suíça, uma experiência emocionante


Tenho que admitir que não esperava me emocionar nesta viagem… na verdade não tão cedo. Sim, estou com uma grande expectativa para conhecer Paris, afinal de contas já estive na Europa dois anos seguidos e não conheço a “Cidade Luz” (e ainda tenho fresco na memória o comentário: “Se não for para Paris não pode dizer que foi para a Europa”), mas um dos trechos do GoldenPass que fizemos hoje na Suíça foi de arrancar lágrimas.

 

Niklaus Mani da GoldenPass

Niklaus Mani da GoldenPass

 

O GoldenPass é, na verdade, uma associação de “marketing e vendas” de três ferrovias diferentes, separadas por uma questão técnica: a distância entre trilhos, conhecida como bitola ferroviária. A rota Lucerna (Luzern) – Montreux é bastante conhecida e nem é tão longa, mas por diferença na bitola tem que ser feita por três trens diferentes, com baldeações nas estações de Interlaken e Zweisimmen, o que pode ser um pequeno transtorno para viajantes cheios de bagagens pesadas. Aqui fica a primeira e mais importante dica para viajantes de trem: só carreguem um volume (e mais uma bolsa de colo ou mochila) e mesmo assim, não muito pesada, já que na enorme maioria dos trens você carrega sua própria bagagem. “Testaremos um protótipo de equipamento no ano que vem e esperamos que em 2013 já tenhamos um trem que possa alterar sua distância entre rodas para poder circular em trilhos com diferentes bitolas. Assim, o mesmo equipamento poderá seguir o trajeto inteiro, numa viagem única de três horas”, diz Niklaus Mani, da área de Marketing da GoldenPass Line. “E o Swiss Pass, comercializado pela RailEurope é realmente o melhor jeito de aproveitar toda a malha ferroviária suíça, já que cobre todos os trechos e também o transporte público das cidades. Na GoldenPass só seria necessário pagar uma taxa extra para os assentos VIP do trecho Zweisimmen – Montreux”, completa. E estes assentos VIP são realmente especiais, já que ficam exatamente na frente do trem, sem nada mais entre o para brisas e o trilho. Segundo Niklaus, nenhum outro trem do mundo tem assentos como estes.

 

Nos assentos VIP não há nada à sua frente

Nos assentos VIP não há nada à sua frente

 

Saímos da Basiléia (Basel) pela manhã e logo chegamos a Lucerna para iniciar esta viagem panorâmica.

 

Estação Central da Basiléia – Basel BSB – na noite em que chegamos

Estação Central da Basiléia – Basel BSB – na noite em que chegamos

 

“Como a segunda classe dos trens já é muito boa, poucos pagam o adicional da primeira classe, mas estes vagões oferecem diferenciais interessantes”, comenta María Corinaldesi, da RailEurope. E ela está certa! Tem um vagão com vidros até o teto, oferendo muito mais espaço para visualização das belíssimas paisagens dos alpes suíços.

 

Uma breve parada em Lucerna – menos de meia hora para dar uma olhada na cidade

Uma breve parada em Lucerna – menos de meia hora para dar uma olhada na cidade

 

 

Vagão panorâmico com vidros até o teto: só na 1ª Classe

Vagão panorâmico com vidros até o teto: só na 1ª Classe

 

Em Interlaken fizemos a primeira troca de trens – malas para baixo e para cima – e começamos a subir os alpes. E logo na subida uma bela surpresa para alguns de nós, já que começou a cair uma neve fina.

 

A neve já começa a cobrir as estações

A neve já começa a cobrir as estações

 

A segunda troca em Zweisimmen é de precisão de relógio suíço, já são somente sete minutos entre a chegada do trem que em de Interlaken e a saída do que vai para Montreux – mas dá tempo e funciona tranquilamente! E este último trecho é o mais bonito e emocionante.

 

Troca de trens em 7 minutos: só na Suíça…

Troca de trens em 7 minutos: só na Suíça…

 

Chegando próximo a cidade de Gstaad – “uma das estações de esqui mais caras da Suíça”, segundo María – a vista dos Alpes, com montanhas e árvores já cobertas de neve em panoramas cinematográficos que se revelam aos poucos nas curvas da estrada é realmente de tirar o fôlego e de arrancar algumas lágrimas – pelo menos minhas. Fiquei realmente emocionado com a beleza de tudo isso e de poder ter a sorte de apreciar uma maravilha como essa.

 

A emoção é grande com a incrível vista dos panoramas alpinos

A emoção é grande com a incrível vista dos panoramas alpinos

 

O trem começa então sua descida a Montreux, o balneário da Riviera suíça muito famoso pelo seu festival de Jazz. Esta é nossa parada de hoje e conseguimos apreciar um pouco do clima da cidade ao visitar o bar “Harry’s”, filial do original nova iorquino, onde ouvimos uma ótima e eclética cantora que misturou em seu repertório uma versão jazz de “Billie Jean”, sua interpretação de “My Way” e até “Virtual Insanity” do Jamiroquai.

 

Harry’s Bar de Montreux – “Billie Jean” em levada jazz

Harry’s Bar de Montreux – “Billie Jean” em levada jazz

 

Agora vou descansar (escrevo este post às 00h30 no fuso suíço), pois amanhã vamos subir – de trem, claro – uma montanha de 2.000 m de altura, almoçar em Montreux, pegar um trem para Genebra e dormir na França.

Originalmente publicado em 17/10/2009, no Blog PANROTAS em Viagem:

http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/10/17/trens-panoramicos-da-suica-uma-experiencia-emocionante/

27/07/2010

Berlim – Uma visita nunca será suficiente


Estar de volta a Berlim foi uma bela surpresa para quem conheceu a (e se apaixonou pela) cidade há pouco mais de 3 meses – estive aqui de férias em julho deste ano, quando escrevi os posts: “Balada, balada, balada – em Berlim”, “Berlim de Bicicleta” e “Muro de Berlim: 20 anos depois, ainda com cicatrizes”. E a maior diferença foi em relação ao tempo – enquanto em julho aproveitei de bicicleta, inclusive, ótimos dias de sol, agora enfrentamos temperaturas sempre abaixo de 10ºC, frequentemente com chuva. Mas ainda assim pude me maravilhar com novas descobertas e rever locais interessantes nesta cidade que é uma das mais agitadas da Europa.

Berlim: Portão de Brandemburgo, a imagem do Euro alemão

Berlim: Portão de Brandemburgo, a imagem do Euro alemão

“Berlim é uma capital cheia de contrastes” diz Christian Tänzler, Relações Públicas da área de Marketing da Berlin Tourismus (www.visitBerlin.de). A cidade é uma terra de imigrantes, devido, principalmente às grandes colônias de russos, franceses e ingleses, resquício da ocupação pós-guerra, que convivem com alemães de diversas regiões do país, além de turcos, chineses e, é claro, brasileiros. “Costumo dizer que a cidade não chega nem a representar bem o que é a Alemanha devido ao grande mix de culturas e a mentalidade super aberta. É realmente uma cidade única”, concorda e completa Thomas Guss, Gerente Geral do hotel Marriot Berlim, estrategicamente localizado bem perto da Potsdamer Platz, onde ficamos hospedados.

Thomas Guss, Gerente Geral do Marriott Berlim

Thomas Guss, Gerente Geral do Marriott Berlim

E o hotel está construído literalmente sobre o muro, que na verdade não era só um, mas dois, com uma zona morta no meio, cheia de arame farpado, guardas e cachorros. “No dia seguinte à queda do muro, em nove de novembro de 1989, grandes empresas compraram os terrenos aqui da Potsdamer Platz e somente no final dos anos noventa as obras de construção destes imensos complexos foram concluídas”, explica Walter Rohr, guia do Turismo de Berlim que acompanhou nosso grupo numa caminhada nesta fria e chuvosa manhã na capital alemã. Walter se refere aos novíssimos prédios cuidadosamente concebidos para atender a todas as demandas de mercado – tem restaurantes, lojas, serviços, cinemas e residências, com uma arquitetura moderna que se tornou uma referência no skyline da cidade.

Árvores e fachada do Ritz Carlton iluminadas para o Festival das Luzes, perto da Potsdamer Platz, com o prédio da DB iluminado em destaque

Árvores e fachada do Ritz Carlton iluminadas para o Festival das Luzes, perto da Potsdamer Platz, com o prédio da DB iluminado em destaque

“Desde 2008 temos recebido crescentes demandas de brasileiros interessados em viajar para Berlim. Para mim a razão principal foi a boa imagem projetada pelas festas que fizemos aqui durante a copa de 2006. Acho que muita gente via aquilo tudo pela TV e começou a pensar ‘acho que visitar Berlim deve ser muito legal’. Espero que tenhamos um voo direto do Brasil quando o novo aeroporto da cidade for inaugurado em 2011”, diz Christian. O BBI – Berlim Brandemburg International está em construção na área sudeste da cidade e quando for inaugurado será o único em funcionamento, já que Tegel e Schonefeld serão fechados. Atualmente os brasileiros podem voar pela TAM para Frankfurt e pegar um trem para Berlim, em uma viagem que pode durar mais de quinze horas – onze voando e mais quatro de trem.

Chegando em Berlim – pegou sua bagagem?

Chegando em Berlim – pegou sua bagagem?

Berlim Hauptbahnhof

Berlim Hauptbahnhof

Christian comenta também que o Muro de Berlim ainda é referenciado como uma das principais atrações da cidade, apesar de apenas pequenos trechos dele estarem ainda de pé. “Temos o desafio de encontrar o equilíbrio entre a memória de algo que dividiu famílias, como a minha, e o futuro da cidade sem o muro. Chego a ficar arrepiado sempre que falo que durante anos eu e minhas irmãs ficamos impedidos de nos ver, já que uma era casada com um membro do exército soviético e outra com um inglês. A queda, há vinte anos, possibilitou nossa reunião após muitos anos separados”, completa.

Christian Tänzler, do Turismo de Berlim

Christian Tänzler, do Turismo de Berlim

Um dos trechos restantes do Muro

Um dos trechos restantes do Muro

Mas agora a cidade está em festa, com exposições e eventos por todos os lugares, da Alexander Platz à novíssima estação principal de trens, a Hauptbahnhof, onde chegamos de Frankfurt e já partimos para a Basiléia (Basel), na Suíça, nossa próxima parada. Na grande festa programada para o dia nove de novembro, crianças simularão a queda do muro com grandes peças como uma cadeia de dominós distribuídas no trajeto do muro, terminando no Portão de Brandemburgo, onde a queda da última peça acionará uma grande queima de fogos.

Nestes dias de outubro (de 14 a 25/10) a cidade está especialmente iluminada pelo “Festival das Luzes”, quando mais de cinquenta locais da cidade recebem iluminação especial e tours noturnos podem ser feitos de ônibus, barcos e até ciclo-táxis. Cerca de sessenta eventos estão previstos e os visitantes poderão votar pela Internet no hotel mais bem iluminado (www.festival-of-lights.de). Uma boa dica para apreciar este festival “de camarote” é o bar e restaurante Solar, perto da estação Anhalter Bahnhof do S-Bahn.

Bar e restaurante Solar, com sua bela vista da cidade iluminada

Bar e restaurante Solar, com sua bela vista da cidade iluminada

A cidade que teve quase dezoito milhões de pernoites registrados em 2008, com turistas alemães e do exterior não para de se recriar, renovar e se firmar como um destino cultural, com museus sendo abertos (o de Dali, perto da Potsdamer Platz, o Neues Museum, na ilha dos museus e o Palácio Schonhauser, um museu-castelo), grandes exposições (Bauhaus, no Martin Gropius e Bicentenário de Charles Darwin no Museu de História Natural), festivais anuais (musikfest e JazzFest) e novas atrações, como uma nova roda gigante, a única da Alemanha, com 185 metros de altura que será inaugurada em 2010 próximo ao Zoologischer Garten.

É, definitivamente, um destino a ser visitado, aproveitado e revisitado.

Hoje chegamos à Suiça, onde passaremos o final de semana visitando cidades em trechos panorâmicos de trem. O próximo post provavelmente será escrito nas “terras neutras” deste montanhoso país, certamente já vendo neve nestes frios dias do outono europeu.

Originalmente publicado no Blog PANROTAS em Viagem em 16/10/2009:

http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/10/16/berlim-uma-visita-nunca-sera-suficiente/

21/07/2010

Frankfurt am Main


Frankfurt am Main

Frankfurt am Main

Um dos principais hubs de transporte da Europa – com seu movimentado aeroporto que tem voos para as principais capitais europeias – e da Alemanha, pelas conexões ferroviárias, Frankfurt já era considerado um entreposto comercial de grande importância desde a época dos romanos, que fundaram esta cidade às margens do rio Main.

Frankfurt Hauptbahnhof

Frankfurt Hauptbahnhof

Um dos destinos europeus da Tam, é aqui que começo esta jornada ferroviária pela Europa, a convite da Rail Europe, da própria Tam e com cobertura da GTA, nesta que é a primeira ação da Rail Europe com jornalistas brasileiros. “Muita gente faz confusão entre a Rail Europe e a Euro Rail, até pela semelhança do nome, mas a Rail Europe vende os passes Euro Rail, que têm uma grande cobertura nos paises europeus, mas tambem outros como o Swiss Pass, que utilizaremos nesta viagem, além de compra on-line dos produtos de trem da Europa, Ásia, América do Sul, África e Oriente Médio, e os serviços de reservas, necessárias em alguns trechos”, diz María Corinaldesi, representante da Rail Europe para a América do Sul, através do escritório da Argentina, em Buenos Aires. “E somos os únicos com site em português para atendimento do passageiro brasileiro”.

O primeiro desafio da Rail Europe, aberta há 10 anos, foi a consolidação do trem como um meio de transporte confiável, prático e que realmente concorre com o avião. “Este passo já foi dado e agora entendo que é importante trabalhar a marca Rail Europe separadamente do Euro Rail, que é apenas um dos produtos que vendemos”, completa María.

Frankfurt Hauptbahnhof - Vista Interna

Frankfurt Hauptbahnhof - Vista Interna

Voamos na Business Class da Tam, num dos novos Boing 777 da companhia, em uma cabine “privativa” que deverá ser transformada na primeira classe desta aeronave, como fez questão de ressaltar a acompanhante do serviço de atendimento especial da Tam em Guarulhos.

A longa viagem de 11 horas de voo não termina em Frankfurt, onde faremos apenas uma conexão ferroviária – do terminal do aeroporto até a estação principal Frankfurt HBF – partindo para Berlim onde passaremos duas noites.

O frio assusta um pouco – chegamos em Frankfurt com 6º C e a previsão para os próximos dias em Berlim apresenta mínimas de 0º C! Nossa jornada ferroviária passará ainda pela Suíça, França, uma escala para almoçar em Bruxelas, na Bélgica e termina em Londres daqui a dez dias.

Aguardem notícias e fotos especiais desta interessante viagem, nos próximos dias aqui no Blog PANROTAS em Viagem.

Business Class TAM: Poltronas

Business Class TAM: Poltronas

Business Class TAM: Jantar

Business Class TAM: Jantar

Business Class TAM: Sobremesa

Business Class TAM: Sobremesa

Jaime K. Scatena, Fotógrafo, especial para o Panrotas

Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 14/10/2009:

http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/10/14/frankfurt-am-main/

12/07/2010

Paris oh là là – Parte 3


Musée D'Orsay

Musée D'Orsay

  • Musée D’Orsay: uma antiga estação de trens revitalizada e transformada em um dos mais interessantes museus do mundo, posso arriscar dizer. Sim, a Gare D’Orsay, construída em 1900 e utilizada até 1939, quase foi demolida nos anos 70, mas foi salva deste terrível destino e reaberta como museu em 1986. O prédio guarda as principais características do projeto original, principalmente a incrivelmente ampla e iluminada área das antigas plataformas, hoje repleta de esculturas, o belo relógio e os salões de chá – hoje um agradável restaurante e o de festas, com seus incríveis lustres e espelhos. O acervo cobre principalmente arte – pinturas e esculturas, além de peças de arte decorativa e móveis – do período entre 1840 e 1914. Entre as obras primas estão ‘Le Déjeuner sur l’Herbe’, de Manet, ‘Moulin de la Gallete’, de Renoir, além de obras de Van Gogh e Gauguin. Reserve algumas horas para visitar mais esta jóia às margens do Sena. Rue de la Légion d’Honneur, Metrô Solférino (linha 12) ou Musée D’Orsay (RER C); www.musee-orsay.fr.
La Defénce e Arco do Triunfo

La Defénce e Arco do Triunfo

  • La Défence: Paris tem pouquíssimos arranha-céus em seu grande centro, por isso a área oeste da cidade foi escolhida em 1957 para um novo empreendimento urbano, um dos maiores da Europa, com torres de escritórios, órgãos governamentais e um arco monumental, em estilo moderno e alinhado ao eixo do Champs Elysés.
    Grand Arche

    Grand Arche

    La Defénce é hoje uma atração por si só, com sua grande esplanada e o Grande Arche, que é grande o suficiente para se colocar a Notre Dame dentro dele. Ligada à cidade por metrô e trem (Linha 1,  ou RER A, estação La Defénce; aliás, com o seu cartão Visit Paris, zonas 1 e 2, La Defénce é inclusa), vale a pena tirar algumas horas para visitar esta área. Suba as escadarias do grande arco (que estava fechado à visitação quando estive lá, mas que oferece belas vistas da cidade) e preste a atenção no incrível alinhamento do arco com a mais charmosa avenida da cidade: dá pra ver, pequeno, lá ao longe, o Arco do Triunfo.

Cemetiere du Montparnasse

Cemetiere du Montparnasse

  • Cimetière du Montparnasse: esta é uma atração que não faz muito o meu gênero, mas ainda assim é bastante
    Cemetiere Montparnasse

    Cemetiere Montparnasse

    visitada. Nem o Cemitério de La Recolleta, em Buenos Aires, eu quis visitar, mas acabei dando uma volta neste, parisiense, onde estão enterrados os escritores Maupassant, Sartre e Beauvoir (estes dois juntos, na mesma sepultura), Samuel Beckett, Julio Cortazar, além do poeta Baudelaire, o escultor Brancusi, e o pintor e fotógrafo Man Ray. O cemitério é repleto de belas esculturas, mas já vou avisando que é bastante difícil encontrar as sepulturas dos famosos, mesmo seguindo o mapa com a indicação das lápides. Aberto diariamente das 8h30 às 17h30 e com entrada gratuita. Estações Vavin ou Raspail (linha 4).

Sartre e Beauvoir

Sartre e Beauvoir

  • Restaurantes:
  1. Le Pave, 7 rue des Lombards (01 44 54 07 20). Bem localizado, perto do Forum Les Hales, este restaurante serve belos pratos de comida francesa a preços justos. Não deixe de espiar o menu do dia, que oferece boas sugestões. Se o dia estiver agradável, peça uma mesa na rua e aproveite.
  2. Bistrot Beauburg, 25 rue Quincampoix (01 42 77 48 02). Este é para a pedida econômica, já que os pratos do dia custam entre 6€ e 8€, mas são bastante saborosos e de bom tamanho. Bem ao lado do Centre Georges Pompidou.
  3. Para os chocólatras, tem uma loja em Paris que vende um tal de “Chocolate Inalável”. Segui a dica de uma amiga amante do chocolate e fui lá experimentar. Pra falar a verdade, chega a ser estranho aspirar um negócio, como um apito plástico e, em seguida, sentir o sabor de chocolate na boca. Enfim, tem louco pra tudo! Le Whif, Le Labo Shop, 4 rue du Buloi. Aberto das 12h às 19h, fechado às quintas-feiras.
  4. Para a real experiência francesa, passe num mercado, compre algumas guloseimas e um vinho francês e se dirija às margens do Sena (a Port de la Tournelle, que já indiquei antes é perfeita) para um tradicional pic nic. Melhor ainda se for perto do pôr do sol.
Le Whif

Le Whif: o chocolate que se aspira

É isso aí. Com este post encerro minha série de dicas de viagem da Cidade Luz, que aprendi a apreciar e a amar – não um amor à primeira vista, como esperava, mas em parcelas, nas 3 vezes que estive na cidade nestes últimos tempos. E definitivamente vou voltar!

Pôr do Sol Parisiense

Pôr do Sol Parisiense

Para ver mais fotos de Paris, visite meu website fotográfico, em Paris << ©JKScatena Photography, ou clique no mosaico abaixo:

Paris: Mosaic

Paris << ©JKScatena Photography

10/07/2010

Berlim de bicicleta


Bike! Unter den Linden

Bikes! Unter den Linden

Sim, apesar da maior fama de cidade de bicicletas ser de Amsterdã, mesmo os holandeses gostam mais de pedalar em Berlim – enquanto a cidade holandesa é compacta e bastante movimentada, a alemã é também movimentada, mas muito ampla, com grandes avenidas, ciclovias e praças, além do trânsito organizado (german style), o que facilita muito o passeio. E não só o lazer, pois muitos berlinenses usam “a magrela” para se locomoverem praticamente de graça, por esta linda cidade europeia, tanto durante o dia, para trabalhar, quanto à noite, para sair para bares e “baladas”. Praticamente de graça? Sim, pois se quiser carregá-la nos trams (bondes) e no metrô é preciso um bilhete adicional. Fora isso, pedalar só vai custar umas calorias a menos.

De bike no Metrô

De bike no Metrô

Passando de bike numa parte preservada do Muro

Passando de bike numa parte preservada do Muro

Bikes da DB

Bikes da DB

Para mim foi uma grata surpresa, pois adoro pedalar, mas só conhecia esta fama de Amsterdã.

Consegui uma bicicleta emprestada (mas também é muito fácil alugar – até a empresa de trens DB, tem seu serviço de call-a-bike, o que também já existe nas estações de metrô em São Paulo, vale lembrar), um bom mapa da cidade, meus ipod e óculos escuros, reservei um bom fôlego e sai para um city-bike- tour.

Bike no Portão de Brandemburgo

Bike no Portão de Brandemburgo

No lado oriental (mesmo com a reunificação, ainda existe esta referência) é preciso cuidado e atenção redobrados, pois a roda da bicicleta encaixa direitinho nos trilhos dos bondes – que praticamente só existem deste lado da cidade – e aí o tombo é certo! Também vi alguns causados por celulares… não dirija e fale ao celular ao mesmo tempo.

Fora isso é só seguir as ciclovias, existentes nas principais avenidas, todas bem sinalizadas, e guiar como se fosse um veículo (afinal é um!), parando nos sinais/semáforos/faróis, dando a preferência aos pedestres – algumas ciclovias são nas calçadas – e tomando muito cuidado com os outros ciclistas, afinal são muitos: jovens e idosos, homens e mulheres, trabalhadores e executivos, pais com crianças na garupa e, é claro, grupos de turistas.

Um passeio divertido, saudável e barato. Aproveitem!

Jaime Scatena
Engenheiro, fotógrafo, especial para o Blog PANROTAS Em Viagem

Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 11/07/2009:

http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/07/11/berlim-de-bicicleta/

09/07/2010

Castelo de Praga


Vista do Castelo e da Ponte Karluv Most

Vista do Castelo e da Ponte Karluv Most

Novamente a dica é começar o passeio, logo pela manhã, pela Ponte Carlos. Digo isso porque durante a manhã o sol favorece as fotos da ponte com o castelo ao fundo e dá para tirar lindas fotos das estátuas de santos que existem em ambos os lados da ponte.

A ponte foi construída por Carlos IV em 1357, depois que a antiga foi destruída por uma enchente do rio Vltava (ou Moldavia, como alguns dizem). Aliás, em diversos prédios de Praga, principalmente perto do rio, existem marcas nas paredes do nível a que o rio chegou na enchente de 2002. Imagina o estrago, já que muitas casas e prédios tem também contam com instalações nos seus porões…

A subida ao castelo é um belo passeio pelas ruas da parte mais antiga de Praga. Recomendo uma caminhada rápida, deixando para conhecer Mala Strana na descida, após visitar o castelo, que é um grande complexo com diversos locais a serem visitados.

Os principais requerem a compra de ingresso, de dois tipos – short tour e long tour – o segundo com acesso a alguns locais a mais. Vale a pena também alugar o audio guide, que além de trazer todas as explicações dos locais visitados, dá isenção da enorme fila para a entrada na linda Catedral de São Vito, a primeira parada da visita (a entrada é gratuita, mas a fila é enorme mesmo!).

Repleta de vitrais magníficos, tumbas de reis, relíquias religiosas e a capela de São Venceslau, que guarda a coroa real da República Checa, a catedral é realmente admirável. Não deixe de ver a tumba de São Vito, toda de prata. Os primeiros sinais de ocupação da área do castelo são do sec. 9, mas ele foi reconstruído e completado pelos diversos monarcas checos ate o sec. 18.

Outros locais a serem visitados (e que também requerem ingresso) são o Palácio Real, com o monumental salão que serviu de mercado e até de palco para disputas de cavaleiros; a basílica e convento de São Jorge (patrono do meu Corinthians!!) e a simpática Golden Lane, um conjunto de pequenas casas do sec. 17, restauradas na década de 1950, e que abriga uma série de lojinhas de artigos como livros, vidros da boemia, armaduras (isso mesmo!) e outros souvenires. Na casa n. 22 Franz Kafka morou por alguns meses entre 1916/17.

Os jardins do castelo, de visitação gratuita, oferecem uma incrível vista da cidade. Reserve entre quatro e seis horas para a visitação, mas não esqueça que, no verão, o pôr do sol é às 20/21h e as igrejas e muitos outros monumentos e museus fecham às 18h, com o sol ainda alto.

Vista a partir do Castelo

Vista a partir do Castelo


Pátio de entrada do Castelo

Pátio de entrada do Castelo

Jaime Scatena

Engenheiro, fotógrafo, especial para o Blog PANROTAS Em Viagem

Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 11/07/2009:

http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/07/11/castelo-de-praga/

08/07/2010

Praga – A encantadora Cidade Velha e suas passagens e galerias


Vale a pena começar o passeio de manha entrando na Cidade Velha pela Rua Karlova, ao lado da ponte de mesmo nome (Karluv Most). A vista da ponte, em uma limpa manhã de verão, com o Castelo de Praga ao fundo é de fazer o riso correr solto. Cuidado para não ficar maravilhado e pedir um café para aproveitar a vista no pequeno restaurante ao lado da ponte, pois seu double espresso sairá por Kc 120, algo como R$ 12 (como referência, o Starbucks da praça central, a poucos quarteirões, cobra Kc 55, muito perto do preço médio da cidade). Mais uma vez paga-se pelo algo a mais (a vista), mas um café pode esperar alguns metros e a vista continuará sendo maravilhosa.

Ponte Carlos (Karluv most) e com o Castelo de Praga ao fundo

Ponte Carlos (Karluv most) e com o Castelo de Praga ao fundo

Lição 1 de Praga: explore as galerias e passagens. Dá a impressão que é a entrada de um prédio comum, mas revelam lojas, restaurantes, jardins, igrejas e pontos turísticos no seu interior! Nem todas estão nos principais mapas… vale a pena dar uma de curioso.

Vista de Praga da Torre Astronomica do Klementinum – Cidade Velha (Stare Mesto)

Vista de Praga da Torre Astronomica do Klementinum – Cidade Velha (Stare Mesto)

Sabendo desta lição, entre na passagem que existe na Karlova e encontre o Klementinum, um grande complexo construído pelos jesuítas. A visita custa Kc 220 e dura aproximadamente 50 minutos e você conhecerá três lindos lugares: a Capela dos Espelhos, dedicada à Virgem Maria e com as passagens da oração (Ave Maria, cheia de graça …) retratadas no seu teto, além de um órgão que foi tocado por Mozart em uma de suas visitas a Praga; a biblioteca, com livros seculares impressos pelos jesuítas e globos também seculares, usados pelos astrônomos que trabalhavam na Torre Astronômica do complexo, que é o terceiro ponto e auge da visita. Do alto dela se tem uma vista 360 graus da cidade, com a possibilidade de fotos simplesmente fantásticas (em uma limpa manhã de verão). Por falar em fotos, o computador do meu Best Western é um tanto lento e ainda não consegui enviar sequer uma. Mas estou tentando e na primeira lan house disponível, enviarei.
Aproveite mesmo as limpas manhas de verão, porque o tempo costuma fechar durante a tarde, cai uma refrescante chuva e o tempo melhora de novo, permitindo um final de tarde – e começo de noite – muito agradável. Agora no verão o sol se põe perto das 21h.

Biblioteca barroca do Klementinum

Biblioteca barroca do Klementinum

Lição 2 de Praga: esta é a cidade dos concertos de música clássica. Praticamente toda igreja, capela, auditório e até sinagoga e museus têm uma intensa programação de concertos durante o verão, com repertório variando de Vivaldi a Mozart e Bach, mas também Gershwin. Geralmente começam às 19h e a compra de bilhetes no dia anterior ou até logo cedo na manhã da apresentação oferece descontos ou “upgrades”. Programe-se e aproveite!

Aliás, lembrando da Lição 1, a entrada da enorme Igreja de Nossa Senhora sobre o Tyn só é encontrada se você explorar galerias. E vale a visita – apesar de ser proibido tirar fotos. O altar e diversas imagens são dourados, o que é ressaltado pelo sol que entra pelas janelas lá no alto da construção. Para mim a visita foi mais interessante, pois ver a representação do Batismo de Cristo por São João, tendo voltado há poucas semanas de Israel, onde visitei exatamente este rio e fiz meu “batismo” em suas águas, é simplesmente mágico. O mesmo vale para as representações da Via Crucis, pois também percorri este caminho e toquei na pedra da Unção (estação 14), onde Cristo foi colocado e preparado para ser enterrado. Atenção, pois a igreja só abre de terça a sábado e fecha “ainda de dia”, as 18h.

Vista da Torre Astronômica: Castelo de Praga

Vista da Torre Astronômica: Castelo de Praga

Jaime Scatena

Engenheiro, fotógrafo, especial para o Blog PANROTAS Em Viagem

Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 05/07/2009:

http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/07/05/praga-a-encantadora-cidade-velha-e-suas-passagens-e-galerias/

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