Posts tagged ‘História da Fotografia’

04/03/2017

Como Ler Uma Fotografia – Parte 1


O analfabeto do Futuro, disse alguém, não será aquele que não souber ler e escrever, e sim aquele que não souber ler uma fotografia.  Mas um fotógrafo que não sabe ler suas próprias imagens não é o pior que o analfabeto? A legenda não se tornaria a parte mais importante da fotografia?

Walter Benjamin em “Pequena história da fotografia”, 1931

Para que serve a teoria?

É perfeitamente possível levar uma vida plena e criativa sem nunca ter de se defrontar com vocabulários e tecnicalidades, por exemplo, da Semiótica, que, na melhor das hipóteses, podem parecer difíceis, e na pior delas, simplesmente irrelevantes.
O valor da teoria reside no fato de ela oferecer um conjunto de ferramentas que pode melhorar nossa compreensão de como e porquê uma fotografia funciona e o que isso significa.

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03/03/2017

Notas do Livro: Walker Evans – The Hungry Eye


“Eu vou para a rua para educar meus olhos e também para sustentar o que os olhos precisam – meus olhos famintos, e meus olhos são famintos”

Walker Evans, 1903-1975

Introdução

A primeira coisa que nos interessa sobre fotógrafos são os problemas fotográficos que o trabalho deles nos apresentam, resolvem e reformulam, e também aqueles problemas que acabam por derrotar os fotógrafos.

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21/05/2012

Russia a cores, em fotos de 1910


Ia passando por este post no Facebook sem abrir o link, mas resolvi dar uma olhada e adorei.

Auto Retrato, 1910

O cara, Sergei Prokudin-Gorskii, em 1910, produzia projeções fotográficas coloridas usando lanternas e filtros coloridos. Só que ele usava filtros – RGB – também pra tirar 3 fotos, de maneira que a combinação dos 3 negativos com a projeção colorida gerava imagens com alta fidelidade cromática.

A coleção de cerca de 100 fotografias está no acevo da Biblioteca do Congresso Americano, que adquiriu as placas de vidro em 1948.

No link deste artigo que cito abaixo tem 34 das fotos, onde dá pra ver os tipos e paisagens da Russia daquela época com uma clareza incrível de detalhes. Em algumas delas dá pra perceber ‘rastros’ do processo de colorização de Sergei, como naquela em que a água, em movimento, mostra faixas das 3 cores ‘descasadas’.

With images from southern and central Russia in the news lately due to extensive wildfires, I thought it would be interesting to look back in time with this extraordinary collection of color photographs taken between 1909 and 1912. In those years, photographer Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii (1863-1944) undertook a photographic survey of the Russian Empire with the support of Tsar Nicholas II. He used a specialized camera to capture three black and white images in fairly quick succession, using red, green and blue filters, allowing them to later be recombined and projected with filtered lanterns to show near true color images. The high quality of the images, combined with the bright colors, make it difficult for viewers to believe that they are looking 100 years back in time – when these photographs were taken, neither the Russian Revolution nor World War I had yet begun. Collected here are a few of the hundreds of color images made available by the Library of Congress, which purchased the original glass plates back in 1948. (34 photos total)

via Russia in color, a century ago – The Big Picture – Boston.com.

12/04/2012

Uma retrospectiva visual da História da Fotografia


Montei esta apresentação para o pessoal da Semana de Arquitetura e Urbanismo da Unicamp do ano passado, a convite do CACAU, o Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo.
A experiência, como um todo, foi muito proveitosa tanto para os alunos que participaram quanto para mim. Saiu até uma exposição durante as atividades de integração dos calouros deste ano.

O tema da oficina era “Fotografia, Arte e Arquitetura” e eu me baseei num curso que fiz, com o mesmo tema, na escola Central Saint Martins, de Londres, em 2010. A proposta é olhar para os edifícios, para os elementos arquitetônicos, e extrair arte deles, ou melhor, registra-los de uma maneira artística.
Como queria que o pessoal tivesse um referencial visual, um repertório imagético do qual pudessem partir, fiz algumas apresentações repletas de obras de arte e de fotografias. Uma é a Retrospectiva Visual da História da Arte – A Arquitetura na Arte, do Renascimento ao Contemporâneo. Outra é esta abaixo, uma Retrospectiva Visual da História Fotografia.

Clique na imagem ou no link abaixo e viaje nas imagens.

The Photographic Image, by ©JKScatena

Acho legal pensar que a primeira fotografia, o Boulevard du Temple do Daguerre (quer saber mais, veja aqui – História da Fotografia – 1839), é uma fotografia urbana, com muitos elementos arquitetônicos (e pouquíssimos humanos! dois, pra ser mais exato… visíveis).

02/08/2011

SOS Fotografia: Michael Snow e a famosa foto “Authorization”


Ver esta obra pela primeira vez me fez repensar qual é o papel da fotografia e o que se passa no tal “Ato Fotográfico”. Ela abre o livro homonimo de Philipe Dubois e, para mim, se tornou uma “porrada visual” muito marcante. Ainda estou mastigando a obra, com idéias interessantes de como usá-la, referenciá-la.

Ao registrar uma sequencia de fotos, apresentando as 5 em um só registro, Snow consegue nos fazer repensar o que é que a fotografia registra – será que é mesmo só aquele ‘milissegundo’ (1/1000 s), ou é possível registrar o tempo, o andar do tempo, em uma foto?

O texto abaixo é do blog SOS Fotografia, da Beth Barone.

O resultado final – com as cinco polaroides – é um trabalho que restitui a história da obra ao mesmo tempo em que a fazem. São ao mesmo tempo o próprio ato e sua memória.

O trabalho está exposto na Galeria Nacional em Ottawa. Por ficar bem na altura do rosto das pessoas o observador vê o espelho mas pouco de seu reflexo aparece já que ele está ocupado pelo auto-retrato de Snow, um rosto que esteve ali, no passado. No momento presente o expectador do trabalho se vê apenas e parcialmente pelas bordas. O trabalho é bem mais que uma simples foto: é o acionamento da própria fotografia.

via SOS Fotografia: Michael Snow e a famosa foto “Authorization”.

14/06/2010

História da Fotografia – Os agitados anos 20


Na comemoração dos 50 anos de fundação do MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York) foi montada uma mostra intitulada “A Arte dos anos 20” principalmente porque com este tema seria necessário recorrer a todos os departamentos do museu – Cinema, Fotografia, Arquitetura e Design, Estampas e Livros Ilustrados, Pintura e Escultura.

(Abrindo um parêntese é interessante ver como os departamentos do MoMA estão divididos. A Arquitetura junto com Design, Fotografia e Cinema em áreas distintas e nenhuma menção direta à artes Clássicas, como Poesia e Teatro. Fazendo um paralelo com as “7 Belas Artes” – Poesia, Teatro, Música, Escultura, Dança, Pintura e Cinema – como a 7ª arte, aqui a Fotografia nem é mencionada, estando talvez inserida no Cinema)

International Exhibition of the German Industrial Confederation, Stuttgart 1929

"FILM UND FOTO", 1929

Esta mostra deixou uma forte impressão de que a atividade estética da década de 1920 estava completamente dispersa pelos diversos meios. Mais que isso, as artes em maior ascenção eram a fotografia e o cinema, os pôsteres de agitação e propaganda e outros objetos com design prático.

A arte neste momento era dominada pelo movimento modernista (ou Modernista, como definido por Greenberg), que pode ser, para uma visão da fotografia e de certa maneira, dividido em três linhas de desenvolvimento: as Vanguardas Históricas, a Agenda Moderna na Fotografia e a Nova Objetividade Alemã.

As Vanguardas Históricas abrangem todos os movimentos “-ismos” desta época, como o abstracionismo, construtivismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo e fauvismo, por exemplo. É muito interessante notar que nas colagens dadá (por se considerarem uma oposição aos movimentos formais, o dadá não deveria nem receber a terminação -ismo…), surrealistas e construtivistas a fotografia era usada meramente como matéria, como um material a mais a ser utilizado em suas obras. A fotografia, o papel impresso com uma umagem, era recortada e rasgada e posteriormente colada nas obras, com sua devida inserção conceitual.

Por outro lado, a Nova Objetividade Alemã – desenvolvida principalmente na Alemanha, mas com representantes também na França – a fotografia era usada meramente com a finalidade documental, sem qualquer áurea artística.

The Fountain, R. Mutt, by A.Stieglitz

The Fountain, R. Mutt, by A.Stieglitz

Alfred Stieglitz, por sua vez, traçou a Agenda Moderna da Fotografia, conduziu uma campanha para aceitação da fotografia como arte inserida em um clima de modernismo e traduziu a auto-referência modernista da pintura para a auto-consciência da fotografia. Stieglitz era um galerista ameircano que acabou por trazer a Marcel Duchamp, um dos mais fortes representantes do Modernismo, para os Estados Unidos. Ironicamente, a fotografia mais conhecida de Stieglitz representa uma das obras mais marcantes de Duchamp – “A Fonte” (um urinol invertido assinado por um pseudônimo de Duchamp, R. Mutt).

Duchamp merece um comentário à parte, pois soube muito bem circular no meio artístico e teve enorme influência nos artistas posteriores. Dá para dizer que ele soube jogar uma partida de xadrez com maestria, movimentando as peças (suas obras) no tabuleiro (sistema da arte da época).

26/01/2010

História da Fotografia – Arte?


A recém inventada fotografia – através do “cruzamento” das descobertas de Daguerre e Talbot (veja em Historia-da-fotografia-1839) – veio bem ao encontro da procura crescente por parte da classe média de imagens de todos os tipos.

"Artist in Photography", 103 Newgate Street, London (1880)

"Artist in Photography", 103 Newgate Street, London (1880)

Em 1854 (apenas quinze anos após aos anúncios de 1839) os cartões de visita com imagens já eram muito populares e qualquer pessoa podia tirar seu retrato de forma simples nos inúmeros estúdios fotográficos que proliferavam nas grandes cidades.

Pode-se dizer que a disseminação da técnica fotográfica foi o equivalente, para a imagem, ao papel que a imprensa teve na escrita, promovendo a transição para a cultura atual, a cultura da Onipresença da Imagem.

Em 1888 George Eastman aparfeiçoou a primeira máquina Kodak, desenhada para  uso do seu recentemente patenteado filme de rolo, dando início a fase de industrialização do processo fotográfico.

Entretando, neste momento, há a dificuldade de estabelecer a fotografia como arte. A foto é nada mais que um processo mecânico – máquina fotográfica – que aciona um processo químico no filme, sem a verdadeira “Mão do Artista”, pelo menos como este era concebido até então. Como comparar um “clique” que gera uma imagem com um pintor ou escultor? Baudelaire foi um dos primeiros críticos à “Arte Fotográfica”, chegando a afirmar que a foto acabaria com a pintura, quando o que se viu foi exatamente o oposto: livre da função de retratista, a pintura foi liberada para a exploração artística.

Don Quixote in His Study, W.L. Price (1857)

Don Quixote in His Study, W.L. Price (1857)

Inseridos no movimento Pictorialista desta época, alguns fotógrafos bem que tentaram estabelecer-se como artistas. Entretanto, a maioria de suas obras retomavam temas artisticamente e esteticamente antigos, ultrapassados, praticamente “descolados” dos movimentos artísticos vigentes até então, o que dava mais peso aos críticos que argumentavam contra a fotografia artística. William Lake Price é um exemplo de artista pictorialista que preparava cenários e realizava montagens fotográficas retratando eventos históricos. O público até que gostava de suas fotografias, mas críticos diziam que, no máximo, davam a impressão que a cena fotografada poderia estar em qualquer palco. Diferente da pintura, que recebeu louros por retratar momentos históricos, a fotografia, ao fazer o mesmo, só exaltava a falsidade por trás desta intenção.

Segundo Argan, só seria possível surgir uma Fotografia (artística) de alto nível estético quando os fotógrafos deixassem de se envergonhar por serem fotógrafos e não pintores e buscassem o valor estético na estrutura intrínseca da própria prática fotográfica.

Um paradigma interessante pode ter sido traçado exatamente nas experiências e práticas fotográficas sem verdadeiro intento artístico, já que os registros desta época – um tempo agitado pela Revolução Industrial e a intensa criação das mais diferentes máquinas – tem hoje um grande valor artístico.

Flying pelican, Marey (a. 1882)

Flying pelican, Marey (a. 1882)

Diferente de muitos outros, E. Muybridge e E.J. Marey propuseram uma ruptura conceitual ao tentar fotografar o movimento com suas fotografias com múltiplas câmeras, as de alta velocidade (um triunfo da engenharia, nos obturadores, e da química, nos filmes rápidos) e o uso da luz estroboscópica.

Sequence of a horse jumping, Muybridge (a. 1880)

Sequence of a horse jumping, Muybridge (a. 1880)

Segundo Janson, em “História Geral da Arte“, as fotografias de Muybridge e Marey refletem o novo ritmo de vida da idade da máquina, transmitindo o sentimento tipicamente moderno de dinâmica. Rebecca Solnit diz que Muybridge, ao dividir o segundo “fotograficamente”, praticou uma ação tão dramática como a divisão do átomo.

Estavam abertos os caminhos para a revolução artística da fotografia, principalmente pelas vanguardas modernistas, nos agitados anos 1920 (The Roaring Twenties).

Texto criado a partir de anotações da primeira aula  e bibliografia sugerida do curso “Arte Como Fotografia”, ministrado por Denise Gadelha, em 19/01/2010.

Imagens provenientes da Wikipedia e Internet.

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