Archive for ‘Artigos’

04/03/2017

Como Ler Uma Fotografia – Parte 1


O analfabeto do Futuro, disse alguém, não será aquele que não souber ler e escrever, e sim aquele que não souber ler uma fotografia.  Mas um fotógrafo que não sabe ler suas próprias imagens não é o pior que o analfabeto? A legenda não se tornaria a parte mais importante da fotografia?

Walter Benjamin em “Pequena história da fotografia”, 1931

Para que serve a teoria?

É perfeitamente possível levar uma vida plena e criativa sem nunca ter de se defrontar com vocabulários e tecnicalidades, por exemplo, da Semiótica, que, na melhor das hipóteses, podem parecer difíceis, e na pior delas, simplesmente irrelevantes.
O valor da teoria reside no fato de ela oferecer um conjunto de ferramentas que pode melhorar nossa compreensão de como e porquê uma fotografia funciona e o que isso significa.

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03/03/2017

Notas do Livro: Walker Evans – The Hungry Eye


“Eu vou para a rua para educar meus olhos e também para sustentar o que os olhos precisam – meus olhos famintos, e meus olhos são famintos”

Walker Evans, 1903-1975

Introdução

A primeira coisa que nos interessa sobre fotógrafos são os problemas fotográficos que o trabalho deles nos apresentam, resolvem e reformulam, e também aqueles problemas que acabam por derrotar os fotógrafos.

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22/04/2013

10 exposições fotográficas imperdíveis em NY


A oferta cultural de Nova York é praticamente inesgotável. Fora os inúmeros museus da cidade que têm fotografia em seus acervos – Metropolitan e MoMA, por exemplo, há o International Centre of Photography – ICP (onde estou estudando novamente) e ainda uma quantidade imensa de galerias de arte voltadas para a fotografia.

Bill Brandt @ Edwynn Houk

Bill Brandt @ Edwynn Houk

Resolvi seguir as dicas da TimeOut NY, que criou uma publicação com as 10 exposições fotográficas imperdíveis e vou publicar nas próximas semanas minhas impressões sobre elas. Eu até criei um mapa para me ajudar a navegar neste mar de galerias.

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21/06/2012

Born in 1987: The Animated GIF


Londres possui mais de 240 museus, mas apenas um realmente dedicado à Fotografia, o Photographers’ Gallery, que fica no Soho, perto da Oxford St.

Em seu novo programa digital, Born in 1987: The Animated GIF, uma exposição dedicada a este muito desprezado formato de imagem, 40 imagens GIF produzidas por artistas de diversas origens serão apresentadas em um website e em uma parede digital de 2,7 x 3 m, o “The Wall” , no térreo da galeria.

Round and Round on a Humpy Day

Round and Round on a Hump Day

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13/11/2011

Fotografia? Arte? $$?


O mercado de arte muitas vezes parece tão insano quanto o mercado financeiro, até porque partilham conceitos semelhantes.

Este texto é bastante esclarecedor a respeito da recente venda da fotografia Rhein II, do fotógrafo alemão Andreas Gursky, vendida por mais de US$ 4 milhões nesta semana.

Gostei muito da parte que fala da expectativa do senso comum de que a fotografia (ou qualquer outra obra de arte) tenha que ter “beleza” – uma beleza que corresponda a seu valor em dinheiro.
No caso, aqui, o que vale não é a beleza da obra, mas seu contexto na arte contemporânea e na linha de trabalho de Gusrky.

Pra pensar.

Rhein II, Andreas Gursky, 1999

A fotografia de Gursky não é decorativa, ela não é produzida para enfeitar paredes. Assim como a fotografia do casal Becher e tantos outros fotógrafos serialistas e conceituais. Suas fotografias são rigorosos estudos formais do mundo contemporâneo que desnaturalizam a paisagem do capitalismo contemporâneo e colocam o expectador diante da imagem de seu próprio tempo . E como é possível verificar em muitos de seus trabalhos, seu rigor formal também produz espanto e, porque não, alguma forma de beleza, que é o que se espera das obra de arte intensas.

via Gursky e a fotografia de 4 milhões de dólares «.

08/11/2011

Uma homenagem a Stieglitz


Estou lendo um excelente livro (O Instante Contínuo, de Geoff Dyer) e, na leitura da tarde de hoje passei pelos comentários sobre as fotos “Equivalentes” do Stieglitz, o que me inspirou a criar este pequeno ensaio.

Stieglitz Blue - Jaime Scatena

Apesar de levemente AZUL, o cheiro era de chuva. Aquele cheiro característico que chega muito antes das gotas. Cheiro de terra molhada. Mas, mesmo com cheiro de chuva, o céu ainda era manchado de azul.

Segundo Dyer: “As fotografias de nuvens feitas por Stieglitz eram,nas palavras do próprio fotógrafo, manifestações ‘de uma coisa que já tomava forma dentro de mim’. (…). ‘Eu queria fotografar nuvens para descobrir o que havia aprendido, durante quarenta anos, sobre fotografia. Expor, através de nuvens, minha filosofia de vida – mostrar que minhas fotografias não eram resultados de conteúdo'”.

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07/11/2011

Tem foto minha no Capture Tower Hamlets, em Londres


Uma das fotos que eu enviei para o concurso londrino “Capture Tower Hamlets” foi selecionada e fará parte da exposição e do acervo histórico deste “bairro” de Londres. Talvez eu até ganhe algum dos prêmios, na cerimônia de abertura da exposição, dia 10/11.

Fiz esta foto há alguns anos, na primeira vez em que visite Canary Wharf, um grande empreendimento residencial e comercial, na zona leste de Londres. Fiquei impressionado com estes vários relógios… E, pra falar a verdade, só agora, ao escrever este post é que reparei que os números neles não são iguais.

Capture Tower Hamlets

Tuesday 8 November to Thursday 5 January
Tower Hamlets Local History Library & Archives,
277 Bancroft Road,
London E1 4DQ.

Opening hours:
Tuesday 10am-5pm
Wednesday 9am-5pm
Thursday 9am-8pm
Fortnightly Saturdays – check website for details.

Canary Wharf: Clocks, Clocks, Clocks

Canary Wharf: Clocks, Clocks, Clocks

via Capture Tower Hamlets.

01/10/2011

Sweep Panorama: fotos panoramicas em um click


Mais uma boa review do David Pogue, do New York Times, agora falando da nova teconologia que a Sony tem colocado em suas máquinas, que permite tirar fotos panorâmicas em um click, movendo a camera em arco e a foto fica pronta, perfeita, diretamente na câmera, sem a necessidade de pós-edição.

Eu já uso a minha Canon S95 pra fazer panorâmicas – um dos meus usos preferidos, junto com o selective colour – mas tenho que editá-las no Photoshop, pra juntar as partes. O efeito fica ótimo, mas imagino que ter tudo pronto, diretamente na câmera, seja realmente mais prático!

Chicago: Millenium Park panorama

Chicago: Millenium Park panorama

A panorama provides a much better representation of being there than the tiny slice provided by a regular photo. You can actually scan the scene, looking around you. And when it’s printed, a pano makes a perfect piece of art on the wall. Especially over a couch.

via The Glory of Sweep Panorama – NYTimes.com.

01/10/2011

E a evolução das cameras compactas continua


O David Pogue é, para mim, o melhor colunista de informática, gadgets e câmeras fotográficas do mundo! Adoro o humor em seus textos e a maneira objetica como ele avalia tudo o que acontece no mercado de informática.

As revisões que ele faz de gadgets e câmeras fotográficas são, definitivamente, um “must read” (de leitura obrigatória) antes de se adquirir qualquer equipamento!

A sua “Carta de Amor para uma câmera” me fez comprar a Canon S95 que tenho usado e que tira excelentes fotos, mesmo sendo compacta o suficiente para caber no meu bolso. Às vezes posso dispensar minha Pentax K-5 (uma SLR, grandona, com várias lentes e coisa e tal) e sair tranquilo sabendo que a Canon vai dar conta do recado.

Duas fotografias em um tempo: eu, minha Canon e minha Pentax

Duas fotografias em um tempo: eu, minha Canon e minha Pentax

Neste texto abaixo ele comenta o desenvolvimento das câmeras portáteis, com belos exemplos de equipamentos da Pentax e da Nikon.

And why doesn’t everyone buy S.L.R. cameras? Gorgeous photos, sensational low-light shots, interchangeable lenses, no shutter lag!

via 2 Compact Cameras Move Closer to Perfection – David Pogue – NYTimes.com.

30/09/2011

The 360 Project: Fotografia ou filme?


Mais uma dica excelente do Creative Review Blog, agora sobre uma intersecção interessante entre filme e fotografia,  em um trabalho do fotógrafo e filmmaker canadense Ryan E. Hughes, que usa 48 máquinas fotográficas simultaneamente!

Canadian filmmaker and photographer Ryan Enn Hughes’s 360 Project uses 48 cameras arranged in a circle and triggered simultaneously to explore the crossover between still and moving image

via Creative Review – The 360 Project.

30/09/2011

John Blakemore e suas fotos de flores


Achei este fotógrafo inglês, John Blakemore, através de um post do blog da Creative Review sobre um livro de fotografias e descobri que ele está expondo em Londres até dia 14/10, na Hoopers Gallery.

Suas fotos são de flores, mas gostei mesmo da abordagem que ele faz a respeito das montagens a serem fotografadas – as natureza mortas – e como a decisão por usar este processo criativo influenciou em seu conhecimento da própria fotografia.

The activity of picture making also made it necessary to extend my use of the photographic process as I imagined different photographs, different print tonalities, and had to discover the means to realise them.

Someone asked me recently how i knew when a piece of work was finished. I know it when the making of a photograph is no longer necessary, the moment of recognition, the acknowledgement of subject occurs, but to look is sufficient.

via Hoopers Gallery – John Blakemore.

30/09/2011

Dicas de Corte em fotografias de Retrato


Eu já tinha ouvido a respeito de dicas de cortes ( britânico David Graham comentou a respeito no workshop que deu em São Paulo em fevereiro de 2011), mas nunca tinha visto um esqueminha como este, que achei bem interessante.

Where to crop on portrait photography

Here’s a helpful illustration that shows acceptable places to crop when shooting portraits. Cropping at green lines should be fine, while cropping at red lines might leave you with an awkward looking photograph.

via Crop Guidelines for Portrait Photography.

09/09/2011

Um perfil de Duchamp no Facebook é vendido como arte


O alcance da artemídia (a tradução de Media Arts, como definido pelo professor Arlindo Machado) é ainda imprevisível, já que se trata da inteferência de artistas nos circuitos da media já estabelecida e, no caso da Internet, a Arte de nosso tempo.

Artemidia, em português, é o termo a ser usado quando um trabalho de arte usa a tecnologia em meios de comunicação em massa.

Prof. Arlindo Machado, 2011

Nu descendo a Escada, Duchamp

Nu descendo a Escada, Duchamp 1912

O certo é que os artistas, como “antenas da humanidade”, sempre se apropriaram e subverteram os parâmetros, quebraram paradigmas, usando os mais avançados dos instrumentos disponíveis. O cravo de Bach, os estudos fotográficos de Degas para uso em sua escultura e a cronofotografia no Nu na Escada de Duchamp; o artista deve estar em sintonia com o seu tempo.

O artista é um inconformado em sua busca pela subversão dos convencionalismos impostos pelos meios de produção de massa. A arte deve ser usada como a metalinguagem da mídia.
Duchamp é um caso à parte, ao chegar ao extremo de tratar seus ready-mades – objetos industrializados, seriados, repetidos – como singulares e sublimes objetos de arte. Quando o publico e o mercado aceitaram esta visão, estavam abertas as porteiras da arte para tudo o que vem depois. Essa culpa é dele, e só dele!

A idéia de tratar um perfil do Duchamp no Facebook como o uso ready-made na criação do efêmero é genial, afinal de contas, a artemidia é exatamente isso: a tradução da sensibilidade artística do homem do século XXI.

Cheneseau  faz é um ready-made do século XXI, ao utilizar como objeto pronto o elemento numérico (a página web) em sua obra. Certas obras de Duchamp desapareceram por acidente ou pelo desejo do artista, e delas restam apenas fotos e/ou cópias, o que faz com que estas obras sejam hoje tão virtuais quanto uma página do facebook. Ou, como diz o artigo do jornal francês La Libération sobre o assunto, “Ceci n’est pas une page Facebook“

via Um perfil de Duchamp no Facebook é vendido como arte. E aí? « But, Charlie.

Multigraphias: artemidia a serviço do diálogo artístico.

Scatenati!

Na frente da cortina...

31/08/2011

Photoshop Tip: How To Use Photoshop For Easy Skin Tone Correction Tutorial By Sean Armenta


Recebo sempre estas dicas de uso do Photoshop, com videos tutoriais muito bem feitos e fáceis de seguir (mas somente em inglês).

Este aqui é para usar uma camada de correção para ajustes de tons de pele.

Clique no link no final do artigo para ver o vídeo.

Here’s a good video by Sean Armenta where he shows you in detail how to quick and easily make skin tone corrections using the curve adjustment layer option in Photoshop.

via Photoshop Tip: How To Use Photoshop For Easy Skin Tone Correction Tutorial By Sean Armenta.

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25/08/2011

pradecorar19: PHOTOGRAPH BY J.K.SCATENA


Olha que legal que o Julio escreveu sobre mim e sobre meu trabalho!!

Não é segredo que sou apaixonado por rosas, acabei de adquirir duas fotos deste artista.

Só posso é indica-lo para todos que curtem fotografia na decoração e em qualquer momento.

via pradecorar19: PHOTOGRAPH BY J.K.SCATENA.

02/08/2011

SOS Fotografia: Michael Snow e a famosa foto “Authorization”


Ver esta obra pela primeira vez me fez repensar qual é o papel da fotografia e o que se passa no tal “Ato Fotográfico”. Ela abre o livro homonimo de Philipe Dubois e, para mim, se tornou uma “porrada visual” muito marcante. Ainda estou mastigando a obra, com idéias interessantes de como usá-la, referenciá-la.

Ao registrar uma sequencia de fotos, apresentando as 5 em um só registro, Snow consegue nos fazer repensar o que é que a fotografia registra – será que é mesmo só aquele ‘milissegundo’ (1/1000 s), ou é possível registrar o tempo, o andar do tempo, em uma foto?

O texto abaixo é do blog SOS Fotografia, da Beth Barone.

O resultado final – com as cinco polaroides – é um trabalho que restitui a história da obra ao mesmo tempo em que a fazem. São ao mesmo tempo o próprio ato e sua memória.

O trabalho está exposto na Galeria Nacional em Ottawa. Por ficar bem na altura do rosto das pessoas o observador vê o espelho mas pouco de seu reflexo aparece já que ele está ocupado pelo auto-retrato de Snow, um rosto que esteve ali, no passado. No momento presente o expectador do trabalho se vê apenas e parcialmente pelas bordas. O trabalho é bem mais que uma simples foto: é o acionamento da própria fotografia.

via SOS Fotografia: Michael Snow e a famosa foto “Authorization”.

31/07/2011

A arte de Duane Michals – Revista Foto Grafia


Conheci o trabalho do Duane há algumas semanas, quando participei da oficina de Residência Artística com o José Spaniol lá no Festival de Arte da Serrinha.

Alice's Mirror, Duane Michals

Alice's Mirror, Duane Michals

O uso que faz dos espelhos e das sequencias fotográficas é muito inteligente e bem resolvido, quase que nos obrigando a continuar olhando para as fotografias infinitamente… Muito bom mesmo.

Achei interessante a biografia dele que achei neste site, da Revista Fotografia:

O fotógrafo americano autodidata, faz uso inovador de foto-seqüências em suas obras, muitas vezes incorporando texto para examinar a emoção e a filosofia.  Ele estudou design gráfico, mas não concluiu o curso porque se apaixonou pela fotografia. Começou como fotógrafo de moda, trabalhando para revistas como Esquire e Vogue, e em pouco tempo se tornou um artista de nível internacional.

Original em seus pensamentos, crenças e na execução de suas imagens, Michals conseguiu criar uma carreira brilhante ignorando – quer dizer, desafiando – os limites estabelecidos. Ele passou a vida re-analisando e re-inventando a própria natureza da fotografia.

Ao invés de descrever as realidades exteriores, Michals virou a câmera e visão para seu interior – enfrentando e tentando descrever as paisagens intangíveis de suas próprias emoções, medos, sonhos e desejos.

As suas obras são desconcertantes, quase surrealistas, utilizando frequentemente jogos de espelhos ou sequências de imagens.

“Eu estou interessado no que acontece quando morremos. Eu não sei como alguém pode estar vivo e não questionar isso. – Eu acho que é uma pergunta muito racional.” – Duane.

via A arte de Duane Michals – Revista Foto Grafia.

The illuminated man, Duane Michals 1968

The illuminated man, Duane Michals 1968

14/07/2011

Pra ganhar o dia!


Fui visitar minha exposição (Por Aí, no Espaço Revelar, aqui em Atibaia, até dia 07/08), como faço várias vezes por semana. Visitar o filho? É, mais ou menos… como tenho obras coladas na parede, é sempre bom dar uma olhada, recolocar algo que caiu, etc. Sim, cuidar do filho!

Hoje, ao chegar lá, ganhei o dia. Olha que comentário legal que encontrei:

Jaime, teu trabalho dá trabalho.

Costumo dizer que um trabalho é bom quando instiga a algum tipo de criação: dá vontades – de escrever, pensar, trabalhar, rever e redescobrir.

Você é dinâmico e tá de olho em tudo. Cada vez que se olha um dos trabalhos ao retomar se descobre outras coisas.

As legendas são inteligentes!

E o trabalho “Mr. Scatena” é uma cinta de Moebius que você faz com outras imagens: tem muitas torcidas, tira muitos partidos.

Parabéns,

Maria Regina

To Mr. Scatena – Greetings From (Por Aí)

To Mr. Scatena – Greetings From (Por Aí)

Agora pra você, Maria Regina, minha resposta:

Gostei muito do que você escreveu, pois mostra que você entendeu plenamente o objetivo da mostra Por Aí: fazer pensar.

Não queria apenas contemplação das minhas imagens. Queria envolvimento – a busca das mensagens escondidas, dos jogos de palavras nas legendas, dos diversos níveis de leitura das imagens.

Quero que o observador se perca e se encontre, indo e voltando, vendo e lendo, exatamente como você descreve. Dando voltas nesta cinta infinita que se torce sobre si própria.

Muito obrigado, querida.

08/02/2011

São Paulo Retratos: Dicas rápidas para um bom Retrato – I


A palestra do fotógrafo britânico David Graham, parte do Workshop São Paulo Retratos, que aconteceu nos dias 4 a 6 de fevereiro em São Paulo estava recheada de dicas de como fazer um bom retrato. David apresentou, entre as dicas, diversos exemplos de retratos que ele fez nos últimos 7 anos, quando, após um grave acidente que deixou seu filho tetraplégico, ele “entrou’ para a fotografia.

David Graham dá suas dicas

David Graham dá suas dicas

Vou resumir algumas das dicas aqui, completando com comentários meus.

A abertura da palestra já deu o tom, do que é um retrato, quando ele cita um dos mestres desta arte fotográfica:

Um retrato é uma foto de alguém que sabe que esta sendo fotografado

Richard Avedon

É realmente uma afirmação importante e que acaba com aquela idéia de “roubar retratos”. Fora que, para a utilização comercial de qualquer foto na qual o tema central seja uma pessoa, identificável, é indispensável a autorização de uso da foto.

Câmeras e técnica:

  • Conheça sua câmera: essa é básica. Você deve conhecer seu equipamento, suas capacidades e limitações. David recomenda equipamentos Sony, Canon e Nikon. E sempre usa foco automático e leitura de luz “all over”, dizendo que você deve se preocupar com a montagem da foto e não com pequenos detalhes como estes. Ele também usa ISO automática…
  • Fotografe com a mais alta qualidade: quanto maior a qualidade da foto – e isso é influenciado por diversos parâmetros, como a qualidade da câmera (5Mp, 10Mp, 12 Mp etc), ISO (quanto menor, menos granulada fica a foto) e  profundidade de campo – maior é a qualidade do material impresso. Fotografar no formato “bruto”/RAW sempre proporcionará melhor qualidade final, já que os arquivos JPG/JPEG já embutem uma compactação que leva à perda da qualidade da foto cada vez que ela é salva neste formato.
  • O foco deve ser nos olhos
  • Faça muitas fotos, em sequência – fotografe em modo contínuo, se sua máquina tiver este modo – assim você garante, ao menos, uma foto boa. E escapa dos “piscadores”…
  • David sugere usar baixa profundidade de campo (f/4 ou menor), pois gosta de destacar o retratado do fundo. Ele chegou a fazer várias séries na Índia, para onde levou um fundo neutro, branco. A baixa profundidade de campo desfoca o fundo, destacando o objeto em foco.
Fotografia: Profundidade de Campo

A "baixa" profundidade de campo (f/5.6) desfoca o fundo, destacando o objeto

  • Outra sugestão é usar lentes de 50 a 105 mm, mas a dica principal é considerar que lentes estabelecem a distância que você pode ficar do seu modelo e também se haverá distorção ou não. Neste quesito a melhor é a lente de 50mm, que tem a distância focal mais semelhante à do olho humano, com pouca distorção.

Fundos (Background)

  • Quanto mais neutro melhor – paredes, portas, céu etc. Assim a atenção recai no retratado, sem a distração do fundo. A técnica de baixar a profundidade de campo também ajuda.
  • Um fundo que combine com o seu retratado sempre ajuda. Uma pessoa com roupas azuis ficará mais interessante em um fundo da mesma cor do que outro, verde, por exemplo. Detalhes do retratado (olhos azuis, por exemplo) também podem ser combinados com o fundo, para destacar este detalhe.
  • Use um fundo neutro principalmente na área da cabeça do seu modelo

Iluminação (Light)

  • A melhor luz é a natural: fuja da luz do meio dia e do flash. Em ambos os casos a luz é muito dura e causa sombras com contraste demais. Um pouco de flash de preenchimento pode ser usado, mas lembre-se de “enfraquecer” o flash em alguns pontos – a maior parte das máquinas com flash embutido tem esta configuração, mas muitos nem sabem ou esquecem disso.
  • Luz lateral é mais dramática e interessante: uma janela ou porta aberta, ou ainda uma lâmpada acesa.
  • Um dia nublado é horrível para fotos de paisagens, mas é excelente para retratos.
  • Cuidado  com a luz direta no rosto do seu modelo, pois fará com que ele feche os olhos.

Vale lembrar que o conhecimento de regras é importante para saber o momento em que se pode quebrar esta regra. Fotos na praia: o sol forte tem que estar presente. Um fundo interessante que tem tudo a ver com seu modelo não precisa ser desfocado. Retratos em festas e “baladas” podem ficar mais interessantes com um flash forte. E assim por diante…

Aguardem mais dicas nos próximos dias e não deixem de ver os retratos que fiz para este projeto de São Paulo, clicando em: ©JKS Photography >> São Paulo.

07/02/2011

São Paulo Retratos: a personalidade única dos Paulistanos


O projeto São Paulo Retratos, trazido ao Brasil pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, pelo MIS – Museu da Imagem e do Som e pela WPO – World Photography Organization, tem como objetivo em produzir grandes retratos que irão expressar a personalidade única dos habitantes da cidade, em uma mostra específica que será aberta no dia 20 de Março, no MIS.

São Paulo Retratos 2011: Douglas Galluchi

Depois de uma palestra com o fotógrafo inglês David Graham, que apresentou uma série de dicas de como fazer um bom retrato, cerca de 100 fotógrafos – de todos os níveis e de várias cidades do país – rodaram a cidade neste final de semana para retratar o Cidadão Paulistano, os moradores da maior cidade brasileira, esta cidade multicultural, multirracial, múltipla em tantas dimensões. A tarefa era trazer de volta 20 imagens, quantia que seria reduzida a 10 e finalmente a somente 2 por participante, estas duas fotos farão parte da exposição e concorrendo a um prêmio patrocinado pela Sony.

Desde a inscrição no workshop eu já planejava registrar os profissionais que trabalham no Mercado Municipal de São Paulo e foi o que fiz, adicionando posteriormente trabalhadores de uma feira livre, aqui em Santa Cecília, zona central.

São Paulo Retratos 2011: Eronides BomfimRetrato é meu ponto mais fraco como fotógrafo, principalmente pela dificuldade de abordar desconhecidos na rua e pedir-lhes para fazer um retrato. Me surpreendi posteriormente com o quão fácil foi cumprir esta tarefa. Consegui fazer 28 fotos, todas devidamente autorizadas, além de ter recebido muitos outros “nãos” no processo… o que não doeu nada.

Por outro lado, percebi que esta minha apreensão atrapalhou na minha direção dos retratados. Tive dificuldades em fazer retratos mais “criativos”, e acabei com uma série com poses muito parecidas.

Ainda assim, como registro deste público – trabalhadores de feiras e mercados – considero que o conjunto seja muito bonito e interessante pela própria simplicidade.

Não foi muito fácil selecionar as 10 e muito menos nas últimas duas (estas em destaque aqui no texto), mas estas me agradam por mostrarem um pouco da personalidade do retratado.

As minhas 10 fotos selecionadas estão no meu foto site, ©JKS Photography >> São Paulo Portraits.

Você que participou do workshop e queira divulgar suas fotos, deixe um comentário aqui abaixo com o link do seu álbum.

24/08/2010

Inspired – Photos/Fotos


Todas as fotos do post Inspired estão no slideshow e na galeria abaixo.

All the pictures from the post Inspired – the English version are on the slideshow and the photo gallery below.

Tutte le foto del post Inspired – la versione Italiana sono nel slideshow e nella galleria sotto.

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21/08/2010

Francesca Woodman, Milão 2010


Após visitar a mostra com obras da fotógrafa americana Francesca Woodman (Denver/CO 1958 – Nova York/NY 1981) fui tomado por uma onda de inspiração como nunca mais havia tido e produzi a série fotográfica que ilustra este texto, que é uma tradução livre do folheto da exposição. Minhas impressões e motivações para criar as minhas fotos estão no post a seguir: Inspired.

JKScatena as F.Woodman

JKScatena as F.Woodman

Francesca começou a fotografar ainda adolescente e percorre uma trajetória intensa, mas curta, que termina com seu suicídio aos 23 anos.

Quase toda a sua produção é baseada no relacionamento entre seu próprio corpo, objeto e sujeito de seus cliques e de seu olhar. De si própria não propõe uma visão idealizada, heróica ou carregada de qualquer significado particular; ao contrário, sua imagem é sempre inserida no cenário como se deste fosse parte. Geralmente seu corpo é coberto pela pintura da parede, joga com a própria sombra, aparece e some através portas e janelas, se esconde atrás dos móveis e objetos; a luz mais a faz perder consistência do quer exalta-la. “Me interessa a maneira como as pessoas se relacionam com o espaço. A melhor maneira de faze-lo é registrar suas interações com as fronteiras destes espaços. Comecei fazendo isso com ‘fotografias fantasmas’, pessoas desaparecendo em uma superfície plana…”.

Multiplo

Multiplo

Submisso

Submisso

Um traço recorrente e de grande expressividade é a ausência da face, cortada no enquadramento, escondida por máscaras, pelo próprio cabelo, por uma torção do corpo. “Uso a mim mesma como modelo por uma questão de conveniência. Estou sempre disponível”.

Nascida em 1958, filha de um pintor e de uma ceramista, Francesca se inscreve em 1972 em uma escola particular para garotas, a Abbot Academy, uma das poucas com cursos de arte – nesta época começa a fotografar, usando seu quarto como estúdio e cenário. Sob a influência de uma das professoras, a fotógrafa Wendt Snyder McNeill, cursa a Rhode Island School of Design (RISD, Providence/EUA) a partir de 1976 – ambienta agora suas fotografias no local onde reside, um grande apartamento semi vazio em um antigo prédio industrial.

Entre 1977 e 78 estuda em Roma/Itália na sede européia do RISD com a amiga Sloan Rankin, onde realiza sua primeira exposição individual. No outono de 1978 retorna a Providence, onde conclui os estudos na RISD, obtendo o título de BFA em Fotografia e se transfere para Nova York. Em janeiro de 1981 é publicada a edição impressa de “Some disoriented interior geometries” (Synapse Press, Philadelphia), um dos seis cadernos fotográficos elaborados durante sua permanência em Roma. No dia 19 do mesmo mês abandona voluntariamente a vida.

Inquadrato

Inquadrato

Francesca Woodman. Milão – Palazzo della Ragione; 16 de julho a 24 de outubro de 2010.

14/06/2010

História da Fotografia – Os agitados anos 20


Na comemoração dos 50 anos de fundação do MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York) foi montada uma mostra intitulada “A Arte dos anos 20” principalmente porque com este tema seria necessário recorrer a todos os departamentos do museu – Cinema, Fotografia, Arquitetura e Design, Estampas e Livros Ilustrados, Pintura e Escultura.

(Abrindo um parêntese é interessante ver como os departamentos do MoMA estão divididos. A Arquitetura junto com Design, Fotografia e Cinema em áreas distintas e nenhuma menção direta à artes Clássicas, como Poesia e Teatro. Fazendo um paralelo com as “7 Belas Artes” – Poesia, Teatro, Música, Escultura, Dança, Pintura e Cinema – como a 7ª arte, aqui a Fotografia nem é mencionada, estando talvez inserida no Cinema)

International Exhibition of the German Industrial Confederation, Stuttgart 1929

"FILM UND FOTO", 1929

Esta mostra deixou uma forte impressão de que a atividade estética da década de 1920 estava completamente dispersa pelos diversos meios. Mais que isso, as artes em maior ascenção eram a fotografia e o cinema, os pôsteres de agitação e propaganda e outros objetos com design prático.

A arte neste momento era dominada pelo movimento modernista (ou Modernista, como definido por Greenberg), que pode ser, para uma visão da fotografia e de certa maneira, dividido em três linhas de desenvolvimento: as Vanguardas Históricas, a Agenda Moderna na Fotografia e a Nova Objetividade Alemã.

As Vanguardas Históricas abrangem todos os movimentos “-ismos” desta época, como o abstracionismo, construtivismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo e fauvismo, por exemplo. É muito interessante notar que nas colagens dadá (por se considerarem uma oposição aos movimentos formais, o dadá não deveria nem receber a terminação -ismo…), surrealistas e construtivistas a fotografia era usada meramente como matéria, como um material a mais a ser utilizado em suas obras. A fotografia, o papel impresso com uma umagem, era recortada e rasgada e posteriormente colada nas obras, com sua devida inserção conceitual.

Por outro lado, a Nova Objetividade Alemã – desenvolvida principalmente na Alemanha, mas com representantes também na França – a fotografia era usada meramente com a finalidade documental, sem qualquer áurea artística.

The Fountain, R. Mutt, by A.Stieglitz

The Fountain, R. Mutt, by A.Stieglitz

Alfred Stieglitz, por sua vez, traçou a Agenda Moderna da Fotografia, conduziu uma campanha para aceitação da fotografia como arte inserida em um clima de modernismo e traduziu a auto-referência modernista da pintura para a auto-consciência da fotografia. Stieglitz era um galerista ameircano que acabou por trazer a Marcel Duchamp, um dos mais fortes representantes do Modernismo, para os Estados Unidos. Ironicamente, a fotografia mais conhecida de Stieglitz representa uma das obras mais marcantes de Duchamp – “A Fonte” (um urinol invertido assinado por um pseudônimo de Duchamp, R. Mutt).

Duchamp merece um comentário à parte, pois soube muito bem circular no meio artístico e teve enorme influência nos artistas posteriores. Dá para dizer que ele soube jogar uma partida de xadrez com maestria, movimentando as peças (suas obras) no tabuleiro (sistema da arte da época).

26/01/2010

História da Fotografia – Arte?


A recém inventada fotografia – através do “cruzamento” das descobertas de Daguerre e Talbot (veja em Historia-da-fotografia-1839) – veio bem ao encontro da procura crescente por parte da classe média de imagens de todos os tipos.

"Artist in Photography", 103 Newgate Street, London (1880)

"Artist in Photography", 103 Newgate Street, London (1880)

Em 1854 (apenas quinze anos após aos anúncios de 1839) os cartões de visita com imagens já eram muito populares e qualquer pessoa podia tirar seu retrato de forma simples nos inúmeros estúdios fotográficos que proliferavam nas grandes cidades.

Pode-se dizer que a disseminação da técnica fotográfica foi o equivalente, para a imagem, ao papel que a imprensa teve na escrita, promovendo a transição para a cultura atual, a cultura da Onipresença da Imagem.

Em 1888 George Eastman aparfeiçoou a primeira máquina Kodak, desenhada para  uso do seu recentemente patenteado filme de rolo, dando início a fase de industrialização do processo fotográfico.

Entretando, neste momento, há a dificuldade de estabelecer a fotografia como arte. A foto é nada mais que um processo mecânico – máquina fotográfica – que aciona um processo químico no filme, sem a verdadeira “Mão do Artista”, pelo menos como este era concebido até então. Como comparar um “clique” que gera uma imagem com um pintor ou escultor? Baudelaire foi um dos primeiros críticos à “Arte Fotográfica”, chegando a afirmar que a foto acabaria com a pintura, quando o que se viu foi exatamente o oposto: livre da função de retratista, a pintura foi liberada para a exploração artística.

Don Quixote in His Study, W.L. Price (1857)

Don Quixote in His Study, W.L. Price (1857)

Inseridos no movimento Pictorialista desta época, alguns fotógrafos bem que tentaram estabelecer-se como artistas. Entretanto, a maioria de suas obras retomavam temas artisticamente e esteticamente antigos, ultrapassados, praticamente “descolados” dos movimentos artísticos vigentes até então, o que dava mais peso aos críticos que argumentavam contra a fotografia artística. William Lake Price é um exemplo de artista pictorialista que preparava cenários e realizava montagens fotográficas retratando eventos históricos. O público até que gostava de suas fotografias, mas críticos diziam que, no máximo, davam a impressão que a cena fotografada poderia estar em qualquer palco. Diferente da pintura, que recebeu louros por retratar momentos históricos, a fotografia, ao fazer o mesmo, só exaltava a falsidade por trás desta intenção.

Segundo Argan, só seria possível surgir uma Fotografia (artística) de alto nível estético quando os fotógrafos deixassem de se envergonhar por serem fotógrafos e não pintores e buscassem o valor estético na estrutura intrínseca da própria prática fotográfica.

Um paradigma interessante pode ter sido traçado exatamente nas experiências e práticas fotográficas sem verdadeiro intento artístico, já que os registros desta época – um tempo agitado pela Revolução Industrial e a intensa criação das mais diferentes máquinas – tem hoje um grande valor artístico.

Flying pelican, Marey (a. 1882)

Flying pelican, Marey (a. 1882)

Diferente de muitos outros, E. Muybridge e E.J. Marey propuseram uma ruptura conceitual ao tentar fotografar o movimento com suas fotografias com múltiplas câmeras, as de alta velocidade (um triunfo da engenharia, nos obturadores, e da química, nos filmes rápidos) e o uso da luz estroboscópica.

Sequence of a horse jumping, Muybridge (a. 1880)

Sequence of a horse jumping, Muybridge (a. 1880)

Segundo Janson, em “História Geral da Arte“, as fotografias de Muybridge e Marey refletem o novo ritmo de vida da idade da máquina, transmitindo o sentimento tipicamente moderno de dinâmica. Rebecca Solnit diz que Muybridge, ao dividir o segundo “fotograficamente”, praticou uma ação tão dramática como a divisão do átomo.

Estavam abertos os caminhos para a revolução artística da fotografia, principalmente pelas vanguardas modernistas, nos agitados anos 1920 (The Roaring Twenties).

Texto criado a partir de anotações da primeira aula  e bibliografia sugerida do curso “Arte Como Fotografia”, ministrado por Denise Gadelha, em 19/01/2010.

Imagens provenientes da Wikipedia e Internet.

20/01/2010

História da Fotografia – 1839


A data oficial da invenção da fotografia é considerada 1839, ainda que, tecnicamente ela já existisse há algum tempo. Só que neste ano considera-se que ela tenha, realmente, alterado a experiência humana.

Boulevard du Temple, Daguerre

Boulevard du Temple, Daguerre (1839)

Em 1839, na França, Louis-Jacques-Mandé Daguerre apresentou o protótipo do que seria a primeira máquina fotográfica que, em questão de meses, já tinha se espalhado pelo mundo, democratizando o ato de se retratar.

Antes era necessário comissionar uma pintura, uma obra de arte, algo que estava ao alcance de poucos, devido a seu alto custo. É só lembrar que que durante a Idade Média apenas a rica Igreja possuía bens suficientes para produzir suas obras de finalidades catecistas – a religião era o único motivo artístico existente e isso durou séculos.

Muito antes, no Renascimento, iniciou-se a retomada da figura humana como motivo artístico, o Humanismo colocando o homem no centro das atenções. Pode-se também dizer que o surgimento da ciência e seus cientistas (e alquimistas) também começa a pavimentar a estrada que possibilitou a invenção da fotografia alguns séculos mais tarde. Ainda assim, numa Itália dominada pela forte mão da Igreja Católica, o tema central continuou sendo religioso por muito tempo, ainda que a representação do Homem tenha se tornado muito mais fiel e real, além dos primórdios do uso da Câmera Escura para o retrato fiel de paisagens.

The Arnolfini Portrait, Van Eyck, 1434

Casal Arnolfini, Van Eyck (1434)

Já no Renascimento Setentrional – países baixos – o protestantismo e a existência de ricos mercantilistas viabiliza o comissionamento de retratos pessoais destes poderosos homens e suas famílias.
Grandes representantes deste movimento são Rembrandt e Van Eyck, o segundo extrapolando qualquer barreira ao pintar o quadro “O Casal Arnolfini“, de 1434,  no qual insere, ao fundo da sala, um espelho que reflete toda a cena por trás, incluindo o próprio artista na obra, lembrando ao observador que tudo aquilo que está representado não passa de um simulacro da realidade.

The Maids of Honour, Velazquez (1656)

Las Meninas, Velazquez (1656)

Com conceitos semelhantes, a pintura espanhola da mesma época também é marcada por grande naturalismo, naturezas mortas e paisagens. Velazquez pode ser considerado um dos maiores representantes do Renascimento Setentrional na Espanha e seu quadro “As Meninas“, de 1656 novamente insere o artista na obra – neste ele se pinta no momento em que está realizando o retrato dos reis, estes colocados no lugar do observador.

No século XIX surge também o conceito de História, esta com H maiúsculo e os artistas da época passam a afirmar que “o presente é História”. Com isso aparece a necessidade de registro histórico, juntamente com a noção de Heroísmo, que veio do movimento artístico vigente, o Romantismo.

Voltando a 1839, os retratos das primeiras “máquinas fotográficas” dependiam de longa exposição – chegando a 12 minutos! – mas a evolução a partir daí foi muito rápida. No mesmo ano William H. F. Talbot anuncia seus experimentos do novo processo fotográfico positivo-negativo, com impressão em papel, constituindo, junto com a metodologia de Daguerre os princípios básicos da fotografia que ainda usamos hoje.

Texto criado a partir de anotações da primeira aula  e bibliografia sugerida do curso “Arte Como Fotografia”, ministrado por Denise Gadelha, em 19/01/2010.

Imagens provenientes da Wikipedia.

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