Posts tagged ‘História’

21/09/2010

Visitando Stonehenge


Stonehenge é, para muitos, um local místico, um daqueles lugares que se deseja conhecer desde sempre, às vezes até esperando uma visita mágica ou algo assim. Pelo menos era mais ou menos o que eu sentia a respeito deste intrigante círculo de pedras com propriedades astronômicas. E admito que fiquei muito admirado ao finalmente visita-lo há algumas semanas.

Stonehenge

Stonehenge: Vista geral

Já planejava conhecer o local desde a última vez que estive em Londres, entre março e junho deste ano, no meu circuito extra-Londres, mas acabei não fazendo e, quando um amigo meu inglês sugeriu a visita, agora em setembro, aceitei sem pestanejar. Programamos então um passeio a Stonehenge e Bath, no mesmo dia.

Stonehenge: Alignment

O incrível alinhamento das pedras de Stonehenge

Existem tours que partem de Londres (tem um posto que vende logo na estação Tower Hill do metrô) e custam cerca de £45. Nós fomos por conta própria e o passeio saiu mais ou menos pelo mesmo preço, mas com a vantagem do agradável passeio de trem (os tours são de ônibus) e da liberdade de fazer nosso próprio programa. O trem para Salisbury, a estação de trem mais perto do monumento, parte da Victoria Station londrina, leva cerca de 1h30 e custa £30,50. Eu acabei pagando bem menos, porque tivemos um desconto na compra, direto na bilheteria da estação, por sermos um grupo (3 pessoas) – e, ao final, compramos o bilhete Londres – Salisbury – Bath – Londres por £21. Como escrevi no meu post sobre Bath, a minha conclusão é que fazer tudo no mesmo dia não vale a pena… passamos pouquíssimo tempo em Bath e não deu pra aproveitar bem a visita.

Ao chegar na estação de Salisbury procure o posto de venda do tour para Stonehenge e compre o bilhete diretamente ali. O embarque no ônibus que leva ao monumento é logo na saída da estação, parte a cada meia hora, durante o verão e custa £18, incluindo o transporte e a entrada para Stonehenge e para Old Sarum (ruínas da antiga cidade de Salisbury). Por £11 você pode fazer apenas o passeio de ônibus (no caso de ser sócio do English Heritage, que opera o monumento, e não pagar pela entrada – aliás, acabei de descobrir o Visitor Pass do English Heritage, que oferece entrada em uma série de monumentos e castelos por apenas £20, válido por uma semana).

O passeio de ônibus é muito agradável e uma gravação faz o papel de guia durante o percurso de ida e volta, contando a história de Salisbury, dos principais prédios da cidade, do importante papel da base militar (aeronautica) nos arredores da cidade durante a Segunda Guerra Mundial etc. E, é claro, informações sobre Stonehenge e Old Sarum.

Stonehenge: Visitors

Os visitantes circulam as pedras, sem acesso ao centro

Reserve cerca de 1h30 a 2h00 para conhecer Stonehenge, especialmente se estiver por lá num belo dia de sol. A entrada inclui um audio guia (em 10 línguas) que conta a história e explica todos os detalhes do circulo de pedras, construído entre 2500 e 2000 AC – mas a mística ocupação do local começou ainda antes, em 3000 AC. Desde 1978 o acesso é permitido somente ao redor do monumento, o que ajuda a obter boas fotos sem turistas dentro dele. Na verdade, com visitas agendadas, é possível entrar no círculo em pequenos grupos. O acesso a Stonehenge no solstício de verão (cerca de 21 de junho) é diferenciado, já que é uma data “mágica” e segue regras bem específicas para receber os cerca de 30.000 visitantes que circulam no local a cada ano. Ao total, o local recebe mais de 850.000 visitantes ao ano (dados de 2008).

A visita é realmente mágica e extremamente agradável. Vale muito a pena!

Completando, acabei de descobrir que dá sim pra visitar o centro do círculo, ao menos virutalmente. É que o Google Maps já tem mapeado o local com sua ferramenta Street View. Veja aqui.

Old Sarum: Cathedral

Old Sarum: Ruínas da antiga Catedral

Na volta a Salisbury há a possibilidade de parar em Old Sarum, as ruínas do castelo e da catedral que, mais ou menos, deram origem à cidade de Salisbury. Os resquícios de ocupação desta colina chegam ao ano 3000 AC e a primeira fortificação foi construída em cerca de 500 AC. Os romanos, quando ocuparam a Grã-Bretanha (de 43 a 410 DC) construíram uma base no local (Sorviodunum) e o castelo das atuais ruínas data de 1069. Sua decadência iniciou com a construção da nova catedral de Salisbury, depois do rompimento do bispo com o rei, nos anos 1200. A entrada nas ruínas está inclusa no bilhete do Tour e é também bastante interessante. Pra voltar a Salisbury de Old Sarum, você pode pegar qualquer um dos ônibus que passam na estrada local e sua passagem está também incluída no bilhete do Tour.

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20/01/2010

História da Fotografia – 1839


A data oficial da invenção da fotografia é considerada 1839, ainda que, tecnicamente ela já existisse há algum tempo. Só que neste ano considera-se que ela tenha, realmente, alterado a experiência humana.

Boulevard du Temple, Daguerre

Boulevard du Temple, Daguerre (1839)

Em 1839, na França, Louis-Jacques-Mandé Daguerre apresentou o protótipo do que seria a primeira máquina fotográfica que, em questão de meses, já tinha se espalhado pelo mundo, democratizando o ato de se retratar.

Antes era necessário comissionar uma pintura, uma obra de arte, algo que estava ao alcance de poucos, devido a seu alto custo. É só lembrar que que durante a Idade Média apenas a rica Igreja possuía bens suficientes para produzir suas obras de finalidades catecistas – a religião era o único motivo artístico existente e isso durou séculos.

Muito antes, no Renascimento, iniciou-se a retomada da figura humana como motivo artístico, o Humanismo colocando o homem no centro das atenções. Pode-se também dizer que o surgimento da ciência e seus cientistas (e alquimistas) também começa a pavimentar a estrada que possibilitou a invenção da fotografia alguns séculos mais tarde. Ainda assim, numa Itália dominada pela forte mão da Igreja Católica, o tema central continuou sendo religioso por muito tempo, ainda que a representação do Homem tenha se tornado muito mais fiel e real, além dos primórdios do uso da Câmera Escura para o retrato fiel de paisagens.

The Arnolfini Portrait, Van Eyck, 1434

Casal Arnolfini, Van Eyck (1434)

Já no Renascimento Setentrional – países baixos – o protestantismo e a existência de ricos mercantilistas viabiliza o comissionamento de retratos pessoais destes poderosos homens e suas famílias.
Grandes representantes deste movimento são Rembrandt e Van Eyck, o segundo extrapolando qualquer barreira ao pintar o quadro “O Casal Arnolfini“, de 1434,  no qual insere, ao fundo da sala, um espelho que reflete toda a cena por trás, incluindo o próprio artista na obra, lembrando ao observador que tudo aquilo que está representado não passa de um simulacro da realidade.

The Maids of Honour, Velazquez (1656)

Las Meninas, Velazquez (1656)

Com conceitos semelhantes, a pintura espanhola da mesma época também é marcada por grande naturalismo, naturezas mortas e paisagens. Velazquez pode ser considerado um dos maiores representantes do Renascimento Setentrional na Espanha e seu quadro “As Meninas“, de 1656 novamente insere o artista na obra – neste ele se pinta no momento em que está realizando o retrato dos reis, estes colocados no lugar do observador.

No século XIX surge também o conceito de História, esta com H maiúsculo e os artistas da época passam a afirmar que “o presente é História”. Com isso aparece a necessidade de registro histórico, juntamente com a noção de Heroísmo, que veio do movimento artístico vigente, o Romantismo.

Voltando a 1839, os retratos das primeiras “máquinas fotográficas” dependiam de longa exposição – chegando a 12 minutos! – mas a evolução a partir daí foi muito rápida. No mesmo ano William H. F. Talbot anuncia seus experimentos do novo processo fotográfico positivo-negativo, com impressão em papel, constituindo, junto com a metodologia de Daguerre os princípios básicos da fotografia que ainda usamos hoje.

Texto criado a partir de anotações da primeira aula  e bibliografia sugerida do curso “Arte Como Fotografia”, ministrado por Denise Gadelha, em 19/01/2010.

Imagens provenientes da Wikipedia.

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