Reaching for the Moon, Flores Raras

Instantâneo, Greenwich Village, New York

Instantâneo, Greenwich Village, New York

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Hoje fui me despedir do Festival de Cinema de TriBeCa –  meu terceiro filme na semana – com uma matinê às 11h30 de um filme poético (em sua maior essência) e muito bem realizado. E Brasileiro.

Lose something every day.
Accept the fluster of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Reaching for the Moon, como saiu aqui, ou Flores Raras, é um filme de Bruno Barreto que conta a história da poeta americana Elisabeth Bishop, focando o período de 14 anos durante os quais ela viveu no Brasil com sua companheira Lota de Macedo Soares, a arquiteta que concebeu um parque no Aterro do Flamengo. O filme é baseado no livro “Flores Raras e Banalíssimas”, de Carmen Lúcia de Oliveira, que conta a história das duas.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

Casa Cavanelas, O. Niemeyer, 1954

Casa Cavanelas, O. Niemeyer, 1954

O filme é lindo. Gravado na casa que Lota e Bishop moraram… peraí, o filme diz que casa é um projeto de Lota, mas procurando a respeito, descobri que é diferente. A dona da casa original de Lota de Macedo, não permitiu que o filme fosse rodado lá. A produção então se mudou para a Casa Cavanelas, em Petrópolis (RJ), um projeto do Nirmeyer com paisagismo de Burle Marx, incrível, de 1954. Quando Bishop chega na casa, no filme, Lota diz que o projeto é dela; em seguida eles mostram um detalhe arquitetonico – umas treliças metálicas – que, estas sim fazem parte da casa original de Lota, a Casa Samambaia.

I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

Elisabeth Bishop aos vinte e poucos anos

Elisabeth Bishop aos vinte e poucos anos

Além disso, me fez descobrir o trabalho de Elisabeth, uma das mais prestigiadas poetisas americanas – me corrijo, ela não gostava de ser classificada como poetisa, menos ainda levar em conta o fato de ser lésbica; ela queria ser comparada, caso fosse, com todos os poetas, independente do gênero.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

One Arte (A arte de perder), o poema que reproduzo aqui mostra bem o estilo de Bishop, inacreditavelmente simples e simultaneamente acertivo. Ela vai direto ao ponto e pronto. Fala tudo.

—Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Foi o segundo filme de temática LGBT que vi, depois do Bridegroom, que vi ontem. Uma mera coincidência… ou sincronicidade.

via One Art- Poets.org – Poetry, Poems, Bios & More.

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