“Our home is here, and we build our work here.”
Por Aí – Press Release
Por aí (Gonzaguinha, 1978)
Muito que andar por aí
Muito que viver por aí
Muito que aprender por aí
Muito que aprontar por aí
A exposição apresentada por Jaime (JK Scatena) é um acontecimento que revela um jovem fotógrafo que recolhe os fatos do cotidiano durante suas viagens pelo mundo.
O evento tem como objetivo sensibilizar a sociedade atibaiense para a necessidade de olhar para fora de si, tirando-nos (atibaienses e atibaianos) de nossas casas e transportando-nos para lugares e situações por nós não vivenciadas, mas que nos tornam desejosos de estar com o fotógrafo “por aí”.
JK Scatena educa nosso olhar por meio de imagens que revelam momentos únicos “clicados” por quem não tem medo de errar o caminho. De mãos dadas, fotógrafo e público passeiam por aí e encontram pessoas, lugares, objetos, cores e luzes generosamente distribuídos e oferecidos pelo fotógrafo-homem-artista Jaime. Andar, viver, aprender e aprontar são ações convidativas que o músico já fez e que o fotógrafo refaz.
Ao difundir esse trabalho artístico, o Espaço Revelar (galeria fotográfica anexa a uma das melhores doçarias de Atibaia), fomenta o interesse público pela fotografia e reafirma seu espaço no circuito regional da arte.
Jaime K. Scatena (por ele mesmo) é um fotógrafo premiado especializado em fotografia de viagens, arquitetura e street photography. Seu trabalho foi publicado em revistas e jornais no Brasil, bem como em séries limitadas de cartões postais e posters. Jaime passou o último ano na Europa estudando e construindo seu portfólio. Ao estudar arte tem se descoberto um artista visual que busca surpreender o observador com imagens interessantes, divertidas e inquietantes.
Serviço:
Por Aí, uma Exposição Fotográfica de Jaime Scatena.
- Abertura: dia 24/06 – a partir das 19h30, no Espaço Revelar, em Atibaia ; até 07/08.
- Sobre a exposição: Por Aí, no ©JKScatena
- Sobre crowdfunding: Levantando uma Grana Por Aí
- Para apoiar: Por Aí no Catarse.me
Espaço Revelar (Al. Prof. Lucas Nogueira Garcez, 3062 – Atibaia/SP – (11) 2427-6544
Por Aí – Flyer da Exposição
Oi pessoal,
Finalizei ontem o flyer/postal de divulgação da exposição.
Na frente tem uma mescla, com uma das fotos que serão expostas (Sente IV, Paris), recebendo uma intervenção com outra fotos que também serão expostas. Aqui já dá pra ter uma noção das coisas que estou aprontando: ilusão, recriação de realidades e referências à História da Arte. O que acharam?

O verso tem um texto muito legal que minha grande amiga Mônica de Ávila Todaro escreveu, junto com as informações da abertura, tudo isso montado sobre um cartão postal vintage, novamente com a idéia de recriar, reutilizar e reler.

Lembrando a todos:
- Abertura: dia 24/06 – a partir das 19h30, no Espaço Revelar, em Atibaia
- Sobre a exposição: Por Aí, no ©JKScatena
- Sobre crowdfunding: Levantando uma Grana Por Aí
- Para apoiar: Por Aí no Catarse.me
E, além de ter que agradecer à Mônica pelo texto, tenho também que agradecer ao meu amigo Eduardo Uzae pela editoração final.
Levantando uma grana Por Aí
Agora é oficial, está lançado o projeto no Catarse.me pra arrecadar uma grana pra ajudar a financiar minha exposição aqui em Atibaia. Veja aqui: http://bit.ly/Catarse_Por-Ai.
O orçamento da montagem está hoje em R$ 4.500… sim, não é barato montar uma exposição! E ainda estou refinando os números e avaliando tudo que será preciso. Digo isso pra ressaltar que toda a ajuda será bem vinda.
Pra quem não conhece o esquema dos sites de crowdfunding (Cartase é apenas um deles, o que escolhi para este projeto, pois me identifiquei com a sua proposta), através do site do projeto qualquer um pode contribuir com a quantia que quiser – alguns sites definem um valor mínimo, outros permitem até uma ajuda moral, não financeira – aí você escolhe uma recompensa, definida pelo dono do projeto. No meu caso, as recompensas todas são ARTE, sim, para cada colaboração, além do meu sorriso e agradecimento eterno, você receberá uma peça de arte, produzida por mim e todas em séries limitadas. Ou seja, é um investimento, pois quando eu for bem famoso (tenho certeza que serei!), esta sua recompensa valerá uma boa grana. Bom né? O legítimo ganha-ganha.
Só que tem um ponto muito importante: se as arrecadações não atingirem o mínimo estabelecido no projeto – para a minha exposição, defini R$ 3.000, todo mundo recebe seu dinheiro de volta e o dono do projeto não recebe nada! Por isso que coloquei um valor um pouco abaixo do orçamento da exposição, mas que será mais fácil de ser atingido e assim eu consigo receber esta ajuda (e peço ajuda pro meu pai, pra bancarmos o resto). Por outro lado, se os internautas acharem as recompensas maravilhosas, não há limite de doações.
Por isso peço: se acreditarem na minha arte, colaborem e divulguem o projeto para seus amigos. As doações estão abertas a partir de hoje até o dia 31/07.
Veja mais detalhes do projeto no Catarse clicando aqui, ou aqui no meu webiste, clicando em https://jkscatena.com.br/por-ai/.
Por Aí, uma Exposição Fotográfica de Jaime Scatena. De 24/jun a 07/ago, no Espaço Revelar (Al. Prof. Lucas Nogueira Garcez, 3062 – Atibaia/SP)
Alentejo: mar, montanha, gastronomia e patrimonio cultural
A maior das regiões de Portugal, ocupando cerca de um terço da área total do país, o Alentejo tem se tornado cada vez mais destino de milhares de visitantes brasileiros.
Segundo António Lacerda, gerente executivo do Turismo de Alentejo, o volume de visitantes brasileiros aumentou 35% em 2010 e foi o 2º maior mercado no primeiro trimestre deste ano. “Foi um volume atípico no início deste ano, mas temos certeza que o crescimento de 2011 será ainda maior que o do ano passado”, diz Lacerda, que esteve no Brasil nesta semana divulgando o destino em workshops realizados no Rio de Janeiro, Curitiba e em São Paulo. “O visitante brasileiro vai atrás de experiências únicas, se hospedando nos melhores hotéis da região e se fartando na deliciosa gastronomia regional; é um passageiro de maior poder aquisitivo que chega a gastar o dobro do que gastam os passageiros europeus”, completa.
Paulo Machado, do Turismo de Portugal no Brasil, comentou no evento em São Paulo, que, em alguns meses de 2010, Portugal recebeu mais visitantes brasileiros que Paris. Paulo diz que o governo português reconhece a importância e procura não dificultar a entrada dos visitantes brasileiros – sem facilitar, é claro, por ter que seguir os padrões europeus na hora da imigração. “Começamos trabalhar o destino Alentejo no Brasil há apenas 2 anos e os resultados são muito promissores”, comenta Machado.
Os principais atrativos da região são o patrimonio histórico – com resquícios de ocupação pelos homens pré-históricos, da presença romana e árabe -, a gastronomia, paisagens naturais e até mesmo o turismo de aventura, rural e de negócios.
Mas António Lacerda recomenda ainda que o passageiro aproveite para visitar também a Espanha, criando roteiros que cruzem o Alentejo – que, mesmo grande para os padrões europeus, pode ser facilmente visitado de carro -, chegando às cidades espanholas de Servilha, Córdoba ou Granada.
Estive em Évora na minha passagem por Portugal em 2007 e recomendo a visita. O templo de Diana e a Capela dos Ossos são passeios obrigatórios!
Sites interessantes:
- VisitAlentejo (veja o belo vídeo na home page do site): http://www.visitalentejo.pt/vpt
- Alentejo na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alentejo
- Visit Portugal, Portal Oficial do Turismo de Portugal: http://www.visitportugal.com/
- Fotos de Portugal no meu website: http://photo.jkscatena.com/category/country/portugal/
Greetings from… / Lembranças de…
A série “Greetings from…/Lembranças de…” é composta por de 4 reproduções, de cartões postais de 60 x 40 cm, uma mídia moribunda cada vez menos utilizada como lembrança de viagem.
O design dos cartões, cada um composto por uma colagem digital de fotos minhas, montadas sobre um selo do país de origem das fotos, faz referência direta às colagens fotográficas do Construtivismo Russo, principalmente àquelas de Alessandro Rodchenko.
Diferentemente do cartões postais propriamente ditos, aqui a cidade retratada fica disfarçada em uma colagem abstrata de prédios e monumentos do local, criando um jogo no qual o observador, através das diversas informações presentes na imagem, deve descobrir a cidade de origem.
As reproduções são propositalmente de tamanho maior que o padrão postal (10 x 15 cm) para criar uma ilusão de que a arte é maior que a realidade. A configuração do fundo dos postais como um selo postal usado, em dimensões desproporcionais tem como objetivo subverter a prática comum de se colocar um selo em um cartão, sendo aqui o cartão colocado no selo.
O postal, composto de colagens e superposições, supostamente haveria uma dimensão adicional, a das camadas de suporte, imagem, adesivos etc., dimensão esta que será comprimida através da impressão direta de todo o conjunto.
Os cartões serão posteriormente impressos no tamanho padrão e estarão, finalmente, à disposição para seu uso original, de enviar uma lembrança de viagem a uma pessoa distante. A forma de envio e de registro destas lembranças de viagem fará parte da próxima etapa deste trabalho.
Esta série está sendo desenvolvida especificamente para o Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea, com o intuito de fazer parte do acervo desta instituição, como uma obra de arte diretamente relacionada às Viagens.
Veja estas figuras em meu Foto site: ©JKS Photography.
Nosso Brasil: Ela não deixa, não…
Esse é o nosso Brasil.
Saiu na Ilustrada de hoje uma reportagem da tal “Minha Mulher Não deixa Não”, na minha opinião a música “mais criativa da história brasileira”… Aham, senta lá, Claudia.
Segundo a reportagem, já teve mais de 7 milhões de hits no YouTube (desculpem, mas me recuso a passar o link) e será o hit do carnaval 2011. Bem do tipo do Rebolation, outra pérola criativa, do ano passado.
Dá vontade de virar surdo no Carnaval… E cego para não ver outras coisas absurdas que temos no país… Ou de mudar daqui.
E na coluna ao lado, a Folha de São Paulo fala do lançamento do CD de música erudita, Heitor Villa-Lobos: obra completa para piano. Duvido que o CD venda 50.000 cópias.
Esse é o nosso Brasil. Lamentável.

Botando a boca no trombone (ou na tuba...)
A busca por passagens aéreas online vai ficar mais competitiva!
“The planes are the same, the seats are the same, I just want the best fare.”
“Os aviões são iguais, os assentos são iguais. Eu só quero a melhor tarifa.” O Consumidor
Acabou de sair no The New York Times a notícia de que a Google quer entrar no mercado de busca de passagens aéreas online e a reação das empresas aéreas pode baratear o custo das passagens, com a adoção de sistemas diretos, sem passar por agentes como o Expedia ou Orbitz, que cobram para listar as passagens nos melhores lugares. A American Airlines foi a primeira a anunciar que passaria vender somente diretamente aos seus clientes, e se a experiência funcionar, certamente outras a seguirão.

A idéia pode dar mais controle de todo o processo na venda da passagem às empresas aéreas, que poderão escolher em quais sites eles anunciariam suas melhores tarifas. “A indústria aérea está passando por uma mudança fundamental ao repensar as experiências de seus clientes” diz Douglas Quinby, um consultor deste mercado no texto do NYT.
Por outro lado, o advogado de defesa do consumidor Charlie Leocha diz que o consumidor poderá ter, na verdade, muito mais dificuldade de encontrar as melhores tarifas. “Já estamos em uma situação de incrível complexidade nas compras de bilhetes aéreos.” diz Charlie referindo-se à nova forma de vender bilhetes, com inúmeros penduricalhos e acessórios: bagagem (não só a extra, mas a primeira também), escolha de assento, ordem de entrada no avião, lanche e amenities, e assim por diante. Até o aeroporto – o central e mais caro ou aquele que chega ser em outra cidade e você tem que viajar mais um pouco até seu destino real – hoje já faz muita diferença nos preços finais.
A idéia das aéreas é poder fazer promoções personalizadas, dos tais penduricalhos dados como descontos, assim como a Amazon recomenda um livrou ou CD a partir de dados obtidos de clientes com perfis de compra semelhantes ao seu.

CCTV is watching you
A Google, com a compra de uma empresa americana que desenvolve sistemas de busca de passagem, quer desenvolver a sua visão do processo de compra de passagens, com todo o conhecimento arquivado da Internet que eles têm guardado em seus servidores. Sua busca passaria ser do tipo: “Quero ir pra um lugar quente em março por menos de $300” e o Google iria apresentar os resultados. Os concorrentes – Kayak, Expedia e Microsoft – se juntaram contra a entrada da ‘Googante’ da Internet no terreno deles, argumentando que as buscas seriam favoreceriam aos interesses financeiros do Google.
É esperar pra ver. Garantia de emoção e preços baixos (espero) nos próximos episódios.
São Paulo Retratos: Dicas rápidas para um bom Retrato – I
A palestra do fotógrafo britânico David Graham, parte do Workshop São Paulo Retratos, que aconteceu nos dias 4 a 6 de fevereiro em São Paulo estava recheada de dicas de como fazer um bom retrato. David apresentou, entre as dicas, diversos exemplos de retratos que ele fez nos últimos 7 anos, quando, após um grave acidente que deixou seu filho tetraplégico, ele “entrou’ para a fotografia.

David Graham dá suas dicas
Vou resumir algumas das dicas aqui, completando com comentários meus.
A abertura da palestra já deu o tom, do que é um retrato, quando ele cita um dos mestres desta arte fotográfica:
Um retrato é uma foto de alguém que sabe que esta sendo fotografado
É realmente uma afirmação importante e que acaba com aquela idéia de “roubar retratos”. Fora que, para a utilização comercial de qualquer foto na qual o tema central seja uma pessoa, identificável, é indispensável a autorização de uso da foto.
Câmeras e técnica:
- Conheça sua câmera: essa é básica. Você deve conhecer seu equipamento, suas capacidades e limitações. David recomenda equipamentos Sony, Canon e Nikon. E sempre usa foco automático e leitura de luz “all over”, dizendo que você deve se preocupar com a montagem da foto e não com pequenos detalhes como estes. Ele também usa ISO automática…
- Fotografe com a mais alta qualidade: quanto maior a qualidade da foto – e isso é influenciado por diversos parâmetros, como a qualidade da câmera (5Mp, 10Mp, 12 Mp etc), ISO (quanto menor, menos granulada fica a foto) e profundidade de campo – maior é a qualidade do material impresso. Fotografar no formato “bruto”/RAW sempre proporcionará melhor qualidade final, já que os arquivos JPG/JPEG já embutem uma compactação que leva à perda da qualidade da foto cada vez que ela é salva neste formato.
- O foco deve ser nos olhos
- Faça muitas fotos, em sequência – fotografe em modo contínuo, se sua máquina tiver este modo – assim você garante, ao menos, uma foto boa. E escapa dos “piscadores”…
- David sugere usar baixa profundidade de campo (f/4 ou menor), pois gosta de destacar o retratado do fundo. Ele chegou a fazer várias séries na Índia, para onde levou um fundo neutro, branco. A baixa profundidade de campo desfoca o fundo, destacando o objeto em foco.

A "baixa" profundidade de campo (f/5.6) desfoca o fundo, destacando o objeto
- Outra sugestão é usar lentes de 50 a 105 mm, mas a dica principal é considerar que lentes estabelecem a distância que você pode ficar do seu modelo e também se haverá distorção ou não. Neste quesito a melhor é a lente de 50mm, que tem a distância focal mais semelhante à do olho humano, com pouca distorção.
Fundos (Background)
- Quanto mais neutro melhor – paredes, portas, céu etc. Assim a atenção recai no retratado, sem a distração do fundo. A técnica de baixar a profundidade de campo também ajuda.
- Um fundo que combine com o seu retratado sempre ajuda. Uma pessoa com roupas azuis ficará mais interessante em um fundo da mesma cor do que outro, verde, por exemplo. Detalhes do retratado (olhos azuis, por exemplo) também podem ser combinados com o fundo, para destacar este detalhe.
- Use um fundo neutro principalmente na área da cabeça do seu modelo
Iluminação (Light)
- A melhor luz é a natural: fuja da luz do meio dia e do flash. Em ambos os casos a luz é muito dura e causa sombras com contraste demais. Um pouco de flash de preenchimento pode ser usado, mas lembre-se de “enfraquecer” o flash em alguns pontos – a maior parte das máquinas com flash embutido tem esta configuração, mas muitos nem sabem ou esquecem disso.
- Luz lateral é mais dramática e interessante: uma janela ou porta aberta, ou ainda uma lâmpada acesa.
- Um dia nublado é horrível para fotos de paisagens, mas é excelente para retratos.
- Cuidado com a luz direta no rosto do seu modelo, pois fará com que ele feche os olhos.
Vale lembrar que o conhecimento de regras é importante para saber o momento em que se pode quebrar esta regra. Fotos na praia: o sol forte tem que estar presente. Um fundo interessante que tem tudo a ver com seu modelo não precisa ser desfocado. Retratos em festas e “baladas” podem ficar mais interessantes com um flash forte. E assim por diante…
Aguardem mais dicas nos próximos dias e não deixem de ver os retratos que fiz para este projeto de São Paulo, clicando em: ©JKS Photography >> São Paulo.
São Paulo Retratos: a personalidade única dos Paulistanos
O projeto São Paulo Retratos, trazido ao Brasil pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, pelo MIS – Museu da Imagem e do Som e pela WPO – World Photography Organization, tem como objetivo em produzir grandes retratos que irão expressar a personalidade única dos habitantes da cidade, em uma mostra específica que será aberta no dia 20 de Março, no MIS.
Depois de uma palestra com o fotógrafo inglês David Graham, que apresentou uma série de dicas de como fazer um bom retrato, cerca de 100 fotógrafos – de todos os níveis e de várias cidades do país – rodaram a cidade neste final de semana para retratar o Cidadão Paulistano, os moradores da maior cidade brasileira, esta cidade multicultural, multirracial, múltipla em tantas dimensões. A tarefa era trazer de volta 20 imagens, quantia que seria reduzida a 10 e finalmente a somente 2 por participante, estas duas fotos farão parte da exposição e concorrendo a um prêmio patrocinado pela Sony.
Desde a inscrição no workshop eu já planejava registrar os profissionais que trabalham no Mercado Municipal de São Paulo e foi o que fiz, adicionando posteriormente trabalhadores de uma feira livre, aqui em Santa Cecília, zona central.
Retrato é meu ponto mais fraco como fotógrafo, principalmente pela dificuldade de abordar desconhecidos na rua e pedir-lhes para fazer um retrato. Me surpreendi posteriormente com o quão fácil foi cumprir esta tarefa. Consegui fazer 28 fotos, todas devidamente autorizadas, além de ter recebido muitos outros “nãos” no processo… o que não doeu nada.
Por outro lado, percebi que esta minha apreensão atrapalhou na minha direção dos retratados. Tive dificuldades em fazer retratos mais “criativos”, e acabei com uma série com poses muito parecidas.
Ainda assim, como registro deste público – trabalhadores de feiras e mercados – considero que o conjunto seja muito bonito e interessante pela própria simplicidade.
Não foi muito fácil selecionar as 10 e muito menos nas últimas duas (estas em destaque aqui no texto), mas estas me agradam por mostrarem um pouco da personalidade do retratado.
As minhas 10 fotos selecionadas estão no meu foto site, ©JKS Photography >> São Paulo Portraits.
Você que participou do workshop e queira divulgar suas fotos, deixe um comentário aqui abaixo com o link do seu álbum.
Viajantes escolhem os melhores hotéis do mundo, no Trip Advisor
O site de viagens Trip Advisor inglês (www.tripadvisor.co.uk) publicou hoje suas listas com os melhores hotéis do mundo, considerando apenas as avaliações dos viajantes cadastrados no site.
São diversas listas diferentes (Top 25 no Mundo, nos EUA, no Japão etc.; Melhores Bed & Breakfast do mundo; Hotéis de Luxo, e assim vai) e o Brasil aparece nas listas de melhores B&B da América Central e Sul, de hotéis “barganha” e na de hotéis de Romance.
Vale a pena lembrar que tudo depende apenas das avaliações dos viajantes, o que pode ser considerado um pouco tendensioso, já que os votos não são exatamente auditados. Por outro lado, em temos de Web 2.0 colaborativa, estas listas também representam as experiências de viajantes comuns, como qualquer um de nós.
Aqui vão alguns dos destaques:
- Brasil:
- Vivenda Paraty, com 100% de avaliações 5 estrelas (74 avaliações), o quarto melhor B&B das Américas Central e do Sul
- Cachoeira Inn, de Búzios, também com 100% de 5 estrelas (52 avaliações), em oitavo lugar nos B&B, Américas Central e do Sul.
- Pousada Vila Pitanga, também de Búzios, com mais de 220 avaliações 5 estrelas, em quinto lugar na lista de “Bargain Hotels” das Américas Central e do Sul.
- Boutique Hotel Varanda das Bromelias, em Gramado (32 avaliações), como quinto melhor Hotel de Romance das Américas Central e do Sul. Este eu já visitei há alguns anos e concordo com seu charme!
- Hotel Casa do Amarelindo, em Salvador (335 avaliações), como nono na lista de melhor serviço.
- Melhor hotel de Luxo do mundo: Golden Well (U Zlate Studne), em Praga na República Checa, com mais de 670 avaliações 5 estrelas (com diárias a partir de USD 220, em uma busca que fiz há pouco).
- Melhor hotel All Inclusive do mundo: Iberostar Grand Hotel Paraiso, no México
- Hotel mais “na moda” (Trendiest) do Mundo: citizenM Amsterdam City, em Amsterdam.
Retrospectando 2010
Fim de ano é época de retrospectivas, de (re)descobrir como é que foi o ano que se encerra, de rever os melhores e piores momentos. De relembrar.
Pra mim o ano começou com grandes expectativas, depois de um 2009 de mudanças e viagens. No ano anterior havia deixado a engenharia para me tornar um jornalista (premiado) de turismo e pra tentar virar fotógrafo em tempo integral.
2010 foi um ano de criação:
- Este site/blog nasceu em janeiro deste ano e já teve mais de 5600 visitas até agora. Já está se consolidando, mesmo com menos de um ano, recebendo visitas regulares todos os dias, mesmo naqueles sem novos posts.
- O ©JKScatena publicou em 2010 os primeiros textos em inglês e italiano, com boa receptividade e elogios.
- O meu fotoblog – ©JKS Photography – nasceu na mesma época e também já recebeu mais de 5.500 visitas, tendo alcançado mais de 100 visitas em um único dia mais de uma vez.
-
Meu ensaio fotográfico Inspired, criado na minha temporada em Milão foi uma das experiências fotográficas mais interessantes de minha vida e estou muito satisfeito com o trabalho e com as reações de outros fotógrafos e mesmo de um galerista com quem conversei.
- Surgiram as séries ColourPlay e Panoraming, graças à minha nova câmera fotográfica. Hoje em dia saio procurando cenas interessantes para estas séries.
- E a Serie10, de fotos que registram este ano já está no ar e com fotos sendo vendidas a cada semana.
- Nasceu, em 13/05/10, meu primeiro sobrinho, o querido Antonio da Cunha Scatena, filhos do Gil e da Pilar.
Foi um ano de aprendizado:
- Ho imparato l’italiano, la lingua classica di Dante! Che lingua bella e piacevole di parlare. (Aprendi italiano, a língua clássica de Dante! Que lingua bonita e gostosa de falar.)
- Estudei fotografia em Londres, em três cursos muito legais na Central Saint Martin’s
- Estudei até desenho, também na CSM, Londres.
- E isso só contando o “ensino formal”, já que a experiência de vida de se morar no exterior ensina lições que não se percebe que se possa aprender.
Morei em tantas casas, dormi em tantos lugares diferentes… conheci lugares e pessoas, ganhei e perdi, ri, chorei, dancei muito, curti, viajei. Amei. Amo. Em 2010 aproveitei muito a minha vida, já que ela é uma só.
O mais importante é que não perdi a esperança de crescer e me desenvolver, de evoluir. É com esta bagagem e com este espírito que me despeço de 2010 desejando um 2011 que será muito melhor que todos os anos que já passaram.
Um abraço grande a todos e até o ano que vem!
Jaime Scatena
PS1: este é o último post de 2010. Estou viajando em um lugar sem internet, telefone celular ou luz elétrica. Será que aguento? Volto à ativa nos meados de janeiro.
©JKScatena 2010 em números
Todas estas estatísticas são do WordPress, na data de hoje, 24/12/2010.
- Até agora o site recebeu 5.690 visitas, sendo 80 no dia mais movimentado (22/11/2010).
- O mês mais movimentado foi o de Novembro, com 817 visitas, seguido de perto por Agosto, com 805.
- Novembro acumula ainda o record de média diária de visitas, com 27 visitantes por mês. Neste mês foram publicados apenas dois textos, um sobre a feira de natal do Hyde Park e outro sobre a loja temporária de street art , ambos em Londres.
- A página mais visitada, de longe, foi a própria home page do site, com 1.700 visitas. em seguida no Top 5:
- História da Fotografia – 1839 (quem diria, sendo a proposta muito mais um blog de viagem…): 237
- Business Class TAM: Poltronas (a foto das poltronas): 201
-
- Sobre JKScatena (tem gente curiosa sobre mim!): 158
Para 2011, devo escrever ainda alguns posts sobre a Europa, mas vou começar também a colocar dicas legais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Já tenho uma dica muito legal pra quem mora em Sampa e gosta de pães de alta qualidade. Esperem!
2010 em Fotos do Facebook
2010 em posts do Facebook
Tem um monte de aplicações pipocando neste final de ano no Facebook. Não sou muito fã delas, mas gostei desta aqui, que agrupa seus status do ano em uma folha só.
Foi bem legal revê-los para selecionar quais queria (re)publicar, quais realmente representavam meus momentos durante 2010, como registrar tantas coisas pelas quais passei.
Esta lista tá bastante representativa!!
Incentive a Arte: dê fotografia de presente neste Natal!
A minha série de fotos deste ano, a Serie10, está à venda através de meu fotosite – ©JKS Photography. Esta série de 22 fotos foi produzida durante o ano de 2010 nas diversas cidades que estive neste período.
Cada uma das fotos está disponível no tamanho 20 x 30 cm, em uma série limitada de 50 cópias cada, impressas em papel matte de alta qualidade. O site, com a tabela de preço e as fotos à disposição pode ser visto no endereço: http://photo.jkscatena.com/store/serie10-brasil/.
Marks and Stencils: Street Art Gallery
Uma loja temporária – pop up store – acabou de ser inaugurada no Soho londrino, com obras de diversos artistas ingleses, entre eles o já mundialmente famoso Banksy.
São dois andares – térreo e subsolo – e mesmo que não tenha interesse (ou grana) pra comprar as obras, cujos preços chegam a mais de £400, vale a pena visitar, até porque no subsolo tem uma venda de cartões postais especiais.
É um postal “inacabado”, “I have chalks” (Eu tenho giz, tradução literal), que você pode personalizar no próprio local e ainda concorrer a uma peça de arte se seu trabalho for escolhido como o melhor. Leve um selo, pois os postais já selados serão enviados, uma recordação especial e personalizada desta loja. Eu fiz os meus! Pra se ter uma idéia, 7 versões deste desenho foram finalizadas pelo artista Dran e estão sendo vendidas, em séries de 100 cópias, por £500, imposto excluído, já emoldurado.
A loja é uma parceria com a loja POW (Pictures On Walls, 46-48 Commercial St, E1 6LT), um showroom de street art fundada em 2001.
Cabe aqui uma reflexão, já que Bansky começou seu trabalho como um “anti-capitalista” assumido, e agora vende suas peças em lojas – nesta aqui do Soho tem uma peça, de 60 x 60 cm, em série de 5 cópias, por £450 cada.
Novas peças serão adicionadas todos os dias, até o final de dezembro, quando a loja fecha.
Serviço:
– Marks and Stencils pop up street art shop
– Até 22/dezembro, aberto das 11AM – 7PM (seg-sáb) e meio-dia – 5PM (dom)
– Endereço: 1 Berwick Street, W1F 0DR
– Estações mais próximas: Piccadilly Circus, Leicester Sq ou Oxford Circus
– Informações no site da POW (www.picturesonwalls.com).
Hyde Park Winter Wonderland
Uma deliciosa feira de natal, com um parque de diversões no meio do Hyde Park londrino.
O Winter Woderland voltou neste ano prometendo ser ainda mais interessante que a edição de 2009. O melhor de tudo é que a entrada é gratuíta!
Logo na entrada você encontrará o mercado de natal – Angel’s Christmas Market, com mais de 100 chalés de madeira vendendo artesanato, enfeites de natal, vidros, jóias, cachecóis e gorros (está fazendo bastante frio aqui e a previsão é de vermos os primeiros flocos de neve nas próximas semanas).
Também tem várias barracas de comida, a maioria com delícias alemãs, mas também de outros países, como Hungria (comi um Goulash delicioso!).
Atrações tradicionais dos velhos parques de diversões também estão presentes, como tobogãs, casa de espelhos, montanha russa, carrossel, uma bela roda gigante e um elevador daqueles que despencam que oferece uma lindíssima vista de Londres. Para estas atrações é necessário comprar os tickets nas bilheterias, a maioria deles custando entre £2 e £8.
Você ainda pode encontrar aqui um circo, um rinque de patinação e um bar “super cool”, montado num enorme cubo inflável, com sushi, ostras e champagne. Para patinar ou assistir ao show do circo, compre os ingressos diretamente nestas atrações.
Serviço:
– Winter Wonderland, no Hyde Park
– De 20 de novembro a 4 de janeiro, das 10hoo às 22h00 (fechado no dia 25/12)
– Estação mais próxima: Hyde Park Corner, da linha Piccadilly
– Entrada: gratuíta. Atrações: de £2 a £8; patinação no gelo: £10 para adultos e £8, antes das 18h30 até 17/12.
– Mais informações em: www.hydeparkwinterwonderland.com
Piccola Taormina, Bella e Calda Sicilia
Visitando a ilha italiana da Sicília para estudar italiano na praia (originalmente publicado em 2009, com comentários atualizados)
Traduzindo o titulo: Pequena Taormina, Bela e Quente Sicília!
Escrevi em italiano pois estou estudando estudei a bella e clássica lingua de Dante Alighieri.
A pequena cidade de Taormina (menos de 10 mil habitantes) é um dos principais destinos turísticos da Ilha de Sicília, no extremo sul da Italia, muito visitada pela sua importância histórica, mas, principalmente, pelas belas praias – além de uma escola de italiano frequentada por estudantes de diversas nacionalidades, uma verdadeira Babilônia (que é o nome da escola), onde se ouve inlgês, alemão (chamado tedesco em italiano), holandês, francês, japonês, russo e até um pouco de português, alem, é claro, do italiano que todos aprendem.
Vim para estudar italiano em uma cidade de praia – fugindo um pouco do circuito Roma – Firenze – Milão – por duas semanas e consegui aprender bastante, me divertir muito, aproveitar o sol e as praias e tambem conhecer um pouco da grande ilha da Sicília, além de fazer novos bons amigos.
Baseado em Taormina, é possivel conhecer o vulcão Etna (veja nas fotos abaixo) – ainda em atividade, o mais alto da Europa com mais de 3,4 mil m de altura – em uma visita de um dia (que fiz com o pessoal da escola).
Em outro dia, em um carro alugado com outros estudantes (um sueco filho de húngaros que nasceu na Transilvânia, um espanhol que mora em Paris, uma alemã que mora em Bruxelas e uma francesa que vive na África), conheci 3 cidades sicilianas: Modica, Noto e Siracusa.
Modica é uma cidade barroca, com a maior parte de seus prédios e, todas as igrejas, neste estilo, também conhecida pelo seu diferente chocolate, que é delicioso por ser mais seco e bem pouco gorduroso.
Noto, outra joia barroca, conta com as duas melhores sorveterias do mundo segundo o guia Lonely Planet – recomendo principalmente o Cafe Sicilia, fundado em 1892, bem na rua principal da cidade, bem perto da igreja do Duomo (toda cidade da Sicília, ou até da Itália, tem uma igreja chamada Duomo e uma rua chamada Umberto I).
Terminamos o passeio pela histórica Siracusa, com milhares de anos de história – era uma das principais cidades gregas antes de ser conquistada pelos romanos e é a cidade natal de Arquimedes.
Aqui é possivel conhecer a igreja do Duomo, construída sobre um templo grego, cujas características colunas podem ser vistas em sua “rústica” parte interna. Não tivemos tempo para visitar o sítio arqueológico de Siracusa, com um anfiteatro entre outras atrações.
Morar na pequena Taormina é uma experiência única. Por ser bastante pequena e compacta, a maior parte da cidade tem restrição ao tráfego de veículos, o que facilita bastante a vida dos moradores e turistas. Para os que não estão hospedados diretamente na via principal – Corso Umberto I, esta sim fechada ao tráfego -, e que devem circular nas outras pequenas ruas, dividindo-as com carros, motos e scooters/vespas, que existem aos montes, a dica é descobrir quais becos (vicos e vicolos) e escadas servem como caminho para seu hotel ou residência. Desta maneira, usando as escadas, o caminho fica muitíssimo mais agradavel e interessante e, muitas vezes, mais curtos.
Com seu teatro greco-romano de mais de dois mil anos (foto acima), e ainda em uso (nestes naqueles dias recebeu apresentações da banda dos anos 80 Simple Minds e da opera Aida), igrejas históricas, ruas e vielas lotadas de turistas de verão, a cidade também está na rota de navios de cruzeiro aqui do Mediterrâneo. O Corso Umberto I é cheio de lojas de roupas, souvenires, gelaterias, restaurantes e cafés e fica bastante agitado durante a noite. Os cruzeiros que fazem parada na Sicilia usam Taormina como “porto”, para visitas de um dia à cidade e ao Etna – durante minha estada na cidade vi um da MSC, com seus passageiros devidamente identificados com o logotipo da empresa passeando por Taormina.
Isso sem falar das belas praias ao redor da cidade, como Mazzero (com rochas de onde é possivel pular na água – adoro isso!), Isola Bella (que fica em uma reserva natural e tem belas águas cristalinas), Spisone e Giardini Naxos, todas muito agradáveis neste dias de verão – sem uma gota de chuva em duas semanas! – quando a temperatura fica sempre acima dos 30°C.
Outra experiência que não tinha feito e que adorei foi a de intercâmbio para aprender outra língua. Na verdade fiz um para Nova York aos 22 anos, mas agora, aos 31, percebi que este tipo de experiência continua válida e interessante. Dei sorte de estar com um grupo de estudantes da mesma faixa etária e com interesses parecidos, então formamos uma turma bastante divertida e unida, certamente com novas amizades que, espero, perdurem. Vale um ponto de atenção, principalmente ao pessoal das agências que prestam este tipo de serviço: o público do viajante/estudante deve ser avaliado de acordo. Ao chegar aqui em Firenze, onde fico fiquei por mais duas semanas estudanto italiano, mas agora também com um curso extra de História da Arte, me deparei com classes repletas de adolescentes, fazendo com que eu me sentisse um tanto quanto deslocado. Sorte que aqui encontrei alguns brasileiros, formando assim um grupo com identidade na nacionalidade.
Aliás, falando da agência onde comprei o pacote (prefiro não citar o nome, pois seus serviços estão deixando um pouco a desejar…), na contratação de um curso, o diferencial é a qualidade do serviço e das informações prestadas – agentes, por favor, deem a devida atençao aos seus clientes/estudantes, pois estar em um país onde não se fala a língua (como é meu caso) é bastante estressante e ter que se preocupar com as informações recebidas – ou não recebidas, no meu caso – é um estresse adicional que só atrapalha.
A escola Babilônia de Taormina, por estar fora do circuito das grandes cidades italianas, atrai um público principalmente europeu, diferenciado das demais escolas. E a escola, que recebeu o premio LTM Italian School Language Star Award 2008, tem uma filosofia de ensino que priviligia a comunicaçao e que se provou bastante positiva para mim – cheguei sem falar uma palavra e saí, duas semanas depois, já me comunicando (de forma básica, claro) na língua italiana.
Resumo deste post: a Bela (e quente!) Sicília vale a visita e estudar uma língua no Exterior pode ser uma ótima experiência para qualquer idade!
Ciao! (que em italiano significa tanto Oi quanto Tchau)
Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 18/08/2009:
Veja mais fotos da Sicília, no photo.jkscatena.com, clicando no mosaico abaixo:
Oslo gastando poucas coroas
Visitando a capital Norueguesa sem gastar muito (originalmente publicado em 2009, com comentários atualizados)
Dá pra aproveitar bastante da cidade, sem gastar muito, simplesmente passeando pelo agitado centro de Oslo. Agitado e compacto, aliás!
Os noruegueses aguardam ansiosamente o verão, época em que eles podem aproveitar os poucos meses de sol e calor. Sim, calor, pois neste ano as temperaturas chegaram aos “assustadores” (não para nos brasileiros) 30°C.
Subir a charmosa ‘Karl Johans Gate’ (gate, por mais que pareça com o inglês gate/portão – em norueguês é uma das variações para rua), saindo da estação central de Oslo em direção ao Palacio Real proporciona um agradável passeio por praças e prédios históricos, como o Parlamento, a Universidade e até a Catedral, que não é muito longe, além de lindas praças repletas de esculturas. Se você tiver sorte pode encontrar uma banda tocando, como a das Forças Armadas que vi se apresentando em um coreto. Começou com um ‘big band’ do Benny Goodman, passou pelo ‘Round about midnight’ do Miles Davis e chegou em um surpreendente ‘Chega de Saudade’ dos nossos Tom Jobim e João Gilberto! Bateu a maior saudade da minha terra!!
Falando em esculturas – a cidade está cheia delas e também de diversas fontes – um passeio imperdível é o incrível parque ‘Vigelandsparken’, que tem um paisagismo que não deixa nada a dever em relação a outros jardins do mundo, mas com o diferencial de estar repleto, coalhado, lotado de esculturas de Gustav Vigeland. O parque é uma maravilha para curtir em um bom dia de sol (meu amigo brasileiro, Bruno, de Atibaia/SP, e que agora mora por aqui, disse que no inverno, coberto de neve, também é muito bonito…).
As esculturas de Vigeland, praticamente todas de formas humanas – algumas sozinhas, outras em duplas, trios e conjuntos – representam as diversas fases da vida – do feto, passando por bebês, crianças, jovens, adultos e idosos – e também diversas relações humanas e sentimentos.
O auge é um imenso monolito, com pessoas abraçadas, entrelaçadas, empilhadas, cercado de algumas dezenas de estátuas de pedra. Sem contar as demais, ao longo da ponte, perto do rio e uma última ao fundo, um grande círculo humano. Realmente fantástico, único e totalmente gratuito.
E este é realmente um ponto importante, já que a coroa norueguesa é uma moeda muito forte e o custo de vida é bem alto. Atualmente a cotação para o real é de cerca de R$ 1 = NKr 3,40. Mas um sorvete de casquinha, destes de máquina, custa Kn 30, ou quase R$ 10 8,70.
Alem do Vigelandsparken, outras atrações gratuitas incluem:
- Galeria Nacional: museu de arte norueguesa, principalmente, que apresenta as principais obras de Edvard Münch, pintor conhecido pelo seu quadro “O Grito”, mas que também tem obras dos contemporâneos noruegueses de Münch e de outros pintores como Picasso, Van Gogh, Manet e Monet.
- Ópera Nacional: Seu belíssimo e moderno prédio, inaugurado em 2008 é, na verdade, um “monumento social”, como descrito pelo escritório de arquitetura que o projetou, acessível no maior sentido desta palavra, já que o prédio, construído em uma área portuária em processo de revitalização (ainda não entendo porque no Brasil não temos mais destas revitalizações portuárias, tão comuns em tantas cidades do mundo!) e inteiro revestido de mármore carrara, pode ser completamente visitado por fora – o seu telhado é um grande piso em rampa e escadas, permitindo que você ande por cima de todo o prédio, como se fosse uma enorme praça com diversos níveis.
E ha até uma praia, já que dá pra ir andando até chegar na água. Vale também a pena conhecer o lobby, com sua enorme parede/escultura de madeira. O acesso se dá por passarelas que partem da estação Central de Oslo; mas ao invés de usar a passarela mais moderna, coberta, vá pela outra, mais antiga e descoberta (a sua direita, se estiver de frente para a Ópera), pois desta o ângulo para fotos do prédio da Ópera é bem mais interessante.
- Aker Bridge: um empreendimento imobiliário que, como muitos outros no mundo, revitalizou uma área portuária – neste caso as docas de um estaleiro – tornando-a um centro de entretenimento e residencial, com shoppingns, bares e restaurantes. Não deixe de conhecer a parte “de trás”, com lindas fontes e esculturas, além do ‘Beer Palace’ onde se pode provar uma legítima cerveja norueguesa (me disseram que, por lei, a fabricação tem que ser quase artesanal e a cerveja demora seis meses para ficar pronta). Outro item imperdível é provar o Soft Ice, o sorvete de casquinha legítimo da Noruega, uma delícia que vale as NKr 10 que se paga.
- City Hall/Prefeitura (Oslo rådhus): O imponente prédio de tijolos vermelhos, próximo a Akker Bridge criou polêmica quando foi construído, mas já faz parte do skyline da cidade. Seu hall principal é praticamente uma praça coberta, com uma linda decoração de pinturas e murais e até uma fonte. Preste atenção ao toque do relógio da torre, principalmente nas horas cheias. Aliás, há um concerto semanal do carrilhão – busque a programação no local, que também conta com uma visita guiada, gratuita, ao prédio.
- Fortaleza Akershus: o antigo castelo medieval da cidade também pode ser bastante explorado sem custo algum. Só se paga para conhecer o interior das edificações principais, mas o resto – muralhas e jardins, que proporcionam vistas bonitas da cidade, ficam abertos ate as 21h no verão.
Um parêntese para falar do sol norueguês. No verão os dias são superlongos e as noites curtíssimas. Chega-se ao ponto de, no extremo norte do país, o sol não se por – o famoso sol da meia-noite. Vi uma montagem fotográfica em um cartão postal e é algo surpreendente. Em Oslo, nestes dias em que estive na cidade, o sol se punha perto das 22h e já voltava às três da manhã. É de deixar qualquer brasileiro confuso! Ver o dia nascer às três da madrugada, quando o sol se foi há apenas quatro horas… tem explicação, claro, mas parece mesmo inexplicável!
Vale a pena pesquisar se a compra do Oslo Pass é interessante para o viajante. Como ele inclui todo o transporte – tram/bonde, metrô e ônibus – e outras atrações com entrada paga – Museu Munch, o do Prêmio Nobel da Paz (único dos prêmios cuja entrega não é de responsabilidade sueca), o dos Barcos Vikings, o das expedições Árticas/Antárticas, as piscinas do Vigelandsparken, entre outras, pode realmente ser um bom negócio. Ah! E também permite passear de barco pelos fiordes ao redor da cidade…
Visite Oslo – um destino fora da rota da maioria dos turistas, mas muitíssimo bonito e interessante -, principalmente no verão! Agora, no inverno, com a cidade debaixo de neve… esta eu deixo para depois!
Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 08/08/2009:
http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/08/08/oslo-gastando-poucas-coroas/
Veja mais fotos de Oslo, no photo.jkscatena.com, clicando no mosaico abaixo:
Dois museus em Amsterdam
Uma visita rápida a museus de Amsterdam (originalmente publicado em 2009, com comentários atualizados)
Minha estada em Amsterdã – decidi voltar a esta cidade que adorei por causa do show do U2 – foi muito rápida, mas tive tempo de conhecer dois museus que não tinha visitado: a casa de Rembrandt (meu pintor favorito) e o novíssimo Hermitage, filial holandesa do famoso museu russo. Alem de breves passeios pelos encantadores canais desta incrível cidade.
Atualmente Em agosto de 2009 o Museu da Casa de Rembrandt (Rembrandthuis) está estava exibindo o trabalho de Jan Lievens, um amigo de Rembrandt de sua fase inicial em Leiden, cidade onde ambos nasceram e iniciaram suas carreiras. Se separaram quando Lievens mudou-se para Londres e Rembrandt para Amsterdã, mas continuaram amigos por toda a vida.
O que mais me interessava é a propria casa de Rembrandt, decorada exatamente como na época em que ele viveu la (1639-58), antes de “falir” financeiramente. Os móveis são originais, de seu inventário de falência, e cada ambiente foi recriado permitindo que se conheça um pouco mais do ambiente em que ele viveu e trabalhou.
O custo da entrada inclui o áudio-guia que explica todos os ambientes e tambem o contexto das obras expostas, além do trabalho de Jan Lievens. Os principais trabalhos de Rembrandt aqui expostos são os desenhos com a técnica de agua-forte (etching), com poucas pinturas, estas no Rijiksmuseum – atualmente parcialmente fechado para reforma (que durará até 2019).
O Rijiksmuseum está apenas com a exibição de suas principais obras-primas (Masterpieces), entre elas o imenso (4 m x 3 m, uma parede inteira!) “Ronda Noturna” (Night Watch) de Rembrandt, que por si só já valeu a minha visita do ano passado. Clique aqui para ver uma imagem deste belo quadro.
O novissimo Hermitage, fruto de uma parceria cultural da Rússia com a Holanda, foi a maneira encontrada pelo museu russo de conseguir exibir itens de seu acervo que não são geralmente expostos por falta de espaço na já gigantesca sede de São Petesburgo. O edifício holandês, as margens de um canal, é claro, conta com um lindo jardim interno que pode ser visitado sem necessidade de ingresso, bem como um deck/pier no canal.
A exposição atual de inauguração do museu é era sobre a cultura russa na época dos czares – “Na Corte Russa“, contada por meio de roupas e objetos. E um enorme fashion show! Uma das alas recria uma recepção “real”, com os trajes de gala dos personagens do mais alto escalao da sociedade, além do lindíssimo trono real – com cabeças de águia no lugar dos braços e patas de leão nos pés, inteiro dourado.
A outra ala recria um salão de baile, que ganha vida a cada meia hora, com os manequins “girando” sobre plataformas, música e filmes projetados nas paredes.
Outras exposições complementares mostram objetos da vida cotidiana no palácio: a caça, brinquedos, jogos, teatro, fumo, banquetes, vida íntima, joias e condecorações. Este museu, definitivamente, vale o ingresso.
E circular pela cidade em seus agradáveis trams (bondes) – na minha opiniao a melhor maneira de se locomover – ficou mais fácil agora que os anúncios das paradas ganharam também uma versão em inglês após o difícil anúncio em holandês.
Ainda não tive a oportunidade de passear de bicicleta pela cidade – esta sim a maneira mais típica e tradicional – mas vai ficar para a próxima visita. Aliás, é mais um motivo para voltar a Amsterdã!
Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 02/08/2009:
U2 em Amsterdam: eu fui!
Fui no show do U2 em Amsterdam! (originalmente publicado em 2009)
Hoje em dia fica mais facil, porque dá pra fazer tudo pela internet.
Eu bem que queria voltar para Amsterdã, já que na minha última viagem para lá, há cerca de um ano, acabei só passando duas noites na cidade, que mal tive tempo de conhecer.
Mas antes precisava conhecer Paris (dizem que ir a Europa e não ir a Paris, é como não ir a Europa), Roma, ou mesmo Viena, Budapeste (tá, tem uma lista enorme e vocês já devem ter entendido) antes de voltar, por mais que eu tenha gostado.
Só que, uma semana antes de viajar, caiu a ficha: a turnê europeia do U2 (show U2 360º) tinha acabado de começar, em Barcelona. “Será que consigo assistir a algum dos shows?”
Entrei no u2.com – show dates – Amsterdã 20 e 21 de julho, exatamente na semana quando eu não tinha programação nenhuma! Comprei pelo site – lugar marcado, arquibancada lateral, já que a pista estava esgotada -, paguei no cartão de crédito, reservei noites no mesmo hotel em que fiquei no ano passado (Hotel Plantage, que não é muito caro, mesmo sendo na área mais central de Amsterdã, perto do zoo – info@hotelplantage.nl), comprei as passagens e comecei a atiçar minhas expectativas.
Quem gosta do U2 deve reconhecer que este último CD – No Line on the Horizon – é um dos melhores e tem músicas muito fortes e marcantes, como Breathe, Moment of Surrender e Magnificent. Procurei na internet o set list do show de Barcelona, programei no meu iPod e comecei a me preparar.
Ao chegar em Amsterdã, na tarde de segunda-feira, 20, fui ao posto de informações turisticas, na estação central, para comprar o passe do transporte público e pedi orientações de como chegar na Arena. “Você também vai??”, foi a pergunta-resposta da atendente… pelo jeito muita gente viajou para cá para esta balada! Tive tempo para dar uma voltinha pelos canais da cidade, antes de voltar ao hotel para ir para a Ajax Arena, no sul de Amsterdã.
O acesso à arena é fácil, direto pelo metrô – estava muito cheio, mesmo!, com pessoas esperando por mais de um trem para poder embarcar – e a entrada, superorganizada, também foi simples. Poltronas de couro, estádio todo coberto, tudo muito civilizado. Pra falar a verdade, até demais – perde um pouco em animação, comparando com shows no Brasil, mas ok, eu estava nas cadeiras e não na pista, onde certamente a animação era maior. Mas estamos anos aquém em organização e infraestrutura de transportes e disso eu não senti saudade nenhuma!!
Um ponto que achei interessante, é que a confiança no cidadão, que se manifesta em diversas maneiras, é tanta que não passei por nenhum tipo de revista. Apenas uma olhada do segurança, sem equipamento nenhum, nem aquele detector de metais de aeroportos, e pronto.
O show é excelente, mais focado nas músicas do último CD, mas com os principais sucessos também presentes: Pride (in the name of love), Where the streets have no name, Sunday Bloody Sunday, Vertigo, Beautiful Day, City of Bliding Lights e One – essa última com uma pegada politizada, como sempre tem sido. Além de uma manifestação em suporte à situação do Irã, quando o palco todo ficou verde.
Tenho que admitir que esta brincadeira toda não saiu muito barata, mas é DEMAIS, e valeu cada centavo (de euros).
Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 22/07/2009:
http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/07/22/u2-em-amsterda-eu-fui/
Veja mais fotos deste show, no photo.jkscatena.com, clicando no mosaico abaixo:
Anish Kapoor vira Londres de cabeça pra baixo
Anish Kapoor, o artista indiano (nascido em Bombay, em 1954), mas que vive em Londres desde os anos 70 está de volta à cidade com suas impressionantes obras geométricas e altamente reflexivas.
Depois de uma temporada na Royal Academy of Arts em 2009, a maior exibição solo de suas obras aqui em Londres, uma nova leva de obras será exposta até 13 de março de 2011 no Kensington Gardens, um dos oito parques reais (Royal Parks) da cidade.
A exposição “Turning the World Upside Down” (Virando o mundo de cabeça para baixo), organizada pelo Royal Parks e a Serpentine Gallery apresenta 4 obras – Sky Mirror (2006), C-Curve (2007), Sky Mirror, Red (2007) e Non-Object (Spire), também de 2007 – espalhadas pelo parque, “refletindo as diferentes cores, elementos e humores da mudança das estações”, como descrito no folheto da exposição. “Apesar da monumentalidade, as obras parecem existir pelo reflexo do seu entorno: o céu, árvores, água, os cisnes que passam ou as pessoas. Os reflexos nas superfícies espelhadas das obras fazem os visitantes se questionarem sobre a relação com as obras e com o ambiente que as circunda”.
A exposição é gratuita e o parque fica aberto todos os dias das 6h00 até o final da tarde. As estações de metrô mais próximas são Lancaster Gate, Queensway e South Kensington. Mais informações no site (em inglês): kapoorinkensington.org.uk.
Para ver mais fotos de obras do Anish Kapoor, no photo.jkscatena.com, incluindo algumas da exposição na Royal Academy of Arts do ano passado clique no mosaico abaixo.
Mais algumas dicas de Londres
Outras dicas de Londres (originalmente publicado em 2009, com comentários atualizados)
- Jubilee Walkway:
Um passeio autônomo pelos principais pontos turísticos da cidade. As placas explicativas deste circuito, que ficam presas ao piso das calçadas, foram instaladas para comemorar o Jubileu de Prata da Rainha Elizabeth II em 1977 e circunda o centro de Londres incluindo os principais prédios históricos e lugares com lindas vistas da cidade, como a Tower Bridge, Torre de Londres, o teatro Globe (reconstrução do teatro em que Shakespeare apresentava suas peças), Tate Modern, London Eye, o Parlamento e o Big Ben e a Abadia de Westminster entre outros. Tem aproximadamente 22 km de percurso. Mais detalhes em no site London Walks, que apresenta outras “trilhas” que podem ser percorridas na cidade, além da Jubilee Walkway.
- Torre de Londres: A visita à parte interna da Torre é paga, mas para conhecer suas redondezas não se paga nada e pode ser bastante interessante. Saindo da Tower Bridge, entre o Tâmisa e a Torre pode-se ver algumas das atrações, como o Portão dos Traidores, antes diretamente ligado ao rio, por onde eram levados os presos para a prisão.
No centro de visitantes, onde se adquire o ingresso para entrar na Torre também é apresentado um pequeno vídeo com as principais atrações da torre e um pouco de sua história, também gratuito. A área da “Tower Hill”, que é uma grande praça com vista para o rio e a Torre, você pode curtir enquanto come seu tradicional “Fish and Chips”, peixe com batata frita, a típica comida britânica (ok, alguns dizem que com a influência da imigração indiana agora é arroz com curry). Uma dica é não comprar nas duas lanchonetes mais próximas ao Visitor Center, mas uma um pouco mais acima – Tower Hill Dinner -, perto da galeria Tower Hill Vaults, que sai um pouco mais barato.
No topo da Tower Hill, no caminho para a estação do metrô, ainda se pode conhecer o jardim da Trinity Square, com um Memorial da I Guerra Mundial e também, bem em cima da entrada da estação, uma outra praça com um relógio de sol que tem em sua borda uma linha do tempo da história da cidade, alem de uma vista excelente da Torre de Londres e da Tower Hill.
- Mercado de Portobello: Funciona aos sábados e pode ser acessado pela estação do metrô de Notting Hill Gate.
O melhor horário é das 10h da manha até as 16h da tarde, quando as barracas começam a ser desmontadas. Sugiro deixar para tomar o café da manhã em alguma das barraca do mercado. É um ótimo lugar para comprar suvenires, antiguidades e curiosidades, isso há mais de 100 anos! Também se encontram roupas, LPs, CDs, miniaturas, chapéus e por aí vai, nos vários quarteirões deste incrível mercado de rua. Se não quiser comprar nada e só passear, também é diversão garantida.
- Serpentine Gallery:
Esta galeria, na “Exhibition Road” dentro do Hyde Park é até interessante, mas legal mesmo é o pavilhão temporário que é construído todo ano ao lado da galeria. Sempre é escolhido um arquiteto – ou escritório de arquitetura – diferente, que não tenha projetado nada na cidade. Neste ano (2009), uma incrível cobertura metálica, como um espelho, fica quase que flutuando sobre os delgados postes que a sustentam. Brincar com o seu reflexo nesta cobertura é divertidíssimo e rende ótimas fotos. Entrada gratuita. O pavilhão de 2010 foi projetado pelo renomado arquiteto francês Jean Noveau, que colocou uma enorme construção vermelha no meio do verde do parque. Segundo ele, o vermelho é uma cor que lembra a Inglaterra e que faz o verde parecer mais verde. Infelizmente não fiz fotos deste pavilhão…
- Para uma balada diferente, recomendo a SHUNT (shunt.co.uk) algo entre bar, balada e centro de arte e performance. A melhor noite é a de sábado e só pela visita ao lugar já vale o valor da entrada. No “subterrâneo”, embaixo dos arcos da London Bridge, você realmente se sente embaixo da terra! A entrada é praticamente dentro da estação do Tube “London Bridge”, na Joiner St. – cuidado para não perdê-la!, e tem a principal, no número 10-20 da Stainer St. Não deixe de levar uma identificação com foto (nosso RG/carteira de motorista é suficiente), que deve ser apresentada na entrada. ATUALIZANDO: desde Junho de 2010 a Shunt mudou de lugar, perdendo grande parte do charme que eram os arcos da London Bridge. Por outro lado, o site atual deles diz que a idéia do lugar continua a mesma, agora no novo endereço (42-44 Bermondsey Street – SE1 3UD), que eu ainda não conheço.
- Restaurantes bons e baratos:
- Bodean’s BBQ –
a melhor costela de porco (ribs) deste lado do Atlântico, segundo a revista Time Out. Fica no Soho, no numero 10 da Poland St. (e mais quatro endereços – www.bodeansbbq.com). Uma refeição de costela, com batatas e bebida (refrigerante refil ou cerveja) por £ 10.
- La Porchetta Pollo: pizza e pasta, bastante barato e em grande quantidade. Também no Soho, no número 20 da Old Compton St. Fomos em 6 e pedimos 4 pratos, entre macarrão e pizza, e todos se fartaram.
- Mui & Bay Chinese Restaurant: tambem no Soho, bem perto da estacao de Leicester Sq. do metro. Comida muitissimo saborosa e barata. Menos de £5.00 por uma refeicao sem bebida. 69 Charing Cross Rd.
- Abeno Too – www.abeno.co.uk – 17-18 Great Newport St. Tambem perto da Leicester Square. Serve uma comida japonesa que eu não conhecia, o tal Okonomi-Yaki. Voce escolhe os ingredientes e a mocinha prepara sua comida diretamente na chapa que fica no centro da mesa. É uma mistura de panqueca com omelete muito interessante e saborosa. Da para pedir a porção padrão individual. Sugiro que cada um peça um diferente e todos compartilhem para provar os diferentes sabores.
- Bodean’s BBQ –
- Vista da Cidade da Waterloo Bridge: acho que é a vista mais completa. De um lado se vê a Catedral de St. Paul, com a City e seus prédios modernos ao fundo. Do outro lado, a London Eye, Parlamento e Big Ben. Melhor ainda a noite e excelente, imperdível, se der sorte de ter uma lua como a que eu peguei. De graça é melhor ainda!
Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 02/08/2009: http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/08/02/mais-dicas-ainda-sobre-londres/
Londres: como ser econômico em pounds?
Adote o “Quem converte não se diverte”, tenha em mente seu orçamento e aproveite tudo de bom que Londres oferece DE GRAÇA. Mas, pra facilitar as coisas, consulte a cotação de Libras/Pounds (£) x Reais (R$) no site do BC.
Sim, o diferencial é a cidade em si, com seus inúmeros parques e museus, todos de graça! Você pode entrar e sair, quantas vezes quiser, durante todos os dias do ano em que estiverem abertos, da maior parte dos museus britânicos – National Gallery, Victoria and Albert, British Museum, Natural History, Imperial War, Science Museum, Tate Britain, Tate Modern…
Sempre há uma exposição especial, esta sim com entrada paga (8 a 10 libras), mas os acervos permanentes estão todos abertos. É incrível! Eles solicitam uma doação voluntária, então decida o quanto quer gastar e procure as caixas de pagamento – muitas com um toque lúdico – e vale depositar desde 1 pennie a algumas libras, ou dólares, ou euros, o quanto quiser, ou até nada, se decidir.
Compre um cartão de transporte – Oyster Card – e já carregue com o total que você prevê gastar em transporte na cidade – £25 para 3 dias é uma boa referência. Porque tem a curtição de viajar de ‘Tube’ (como o metrô é conhecido na cidade) em Londres, que é, mesmo sendo caro em reais, o jeito mais barato de se locomover – o Oyster é aceito em toda a rede do tube, ônibus, Docklands Light Rail (DLR) e trens urbanos, debitando automaticamente suas viagens, resolvendo toda aquela cobrança complicada de zonas. E tem uma tarifa máxima diária que, quando atingida, passa a liberar sua viagem sem custo. É possível comprar seu Oyster, online, pelo site VisitBritain e recebê-lo em casa antes de viajar, ou mesmo comprar diretamente nas estações do Tube.
E se sua estada for maior que 4 dias, vale mais a pena usar o Oyster com a carga por dias. Para sete dias, por exemplo, sai por pouco mais de £25, e você usa o sistema inteirinho, só tocando o Oyster na entrada e saída das estações, ou quando embarcar no ônibus e trens. Há um centro de atendimento do Transport for London no aeroporto de Heathrow e diversos outros nas estações do tube por toda a cidade. Pagamento em dinheiro ou cartão de crédito.
Arrange um bom guia – é essencial para você conseguir dar uma direcionada no passeio. E um mapa! Aliás esta é a sugestão básica para qualquer viagem: ao chegar em uma nova cidade, arranje um mapa local. E, é claro, um mapa do extenso sistema de metrô da cidade – este você pega direto nas estações (e o site da TfL é ótimo pra planejar viagens!). Se acostume a fazer conexões para chegar a seu destino e preste bastante atenção aos avisos espalhados nas estações: o sistema está em ampliaçao e melhoria constante, com diversas obras que podem suspender a operação de algumas linhas por uns dias, principalmente nos finais de semana, ou mesmo atrapalhar e/ou impedir conexões em determinadas estações.
Aproveite os parques reais e praças da cidade, o South Bank, Picadilly, Trafalgar, Hyde Park, St. James Park, próximo ao Palácio de Buckingham – a troca da Guarda é passeio obrigatório, mas é um tanto longa e a melhor parte está perto do final: a banda toca, entre outras, algumas músicas pop mais conhecidas. Eu ouvi o tema de 007, quando assisti à troca em 2008, na minha primeira visita à cidade.
Para aproveitar as vistas mais legais do Rio Tâmisa, o ideal é passear pelo South Bank, onde está a London Eye (£17 pounds – adultos ou £27, usando o ticket “fast track”, sem filas, ambos com desconto se comprados via internet – www.londoneye.com), o The Globe e a Tate Modern, fora a melhor vista panorâmica do Big Ben e Houses of Parliament. Para melhores fotos, vá pela manhã.
Tem mais dicas vindo por aí, aguardem os próximos posts!
Jaime Scatena
Fotógrafo e engenheiro
Especial para o Blog PANROTAS Em Viagem
Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 17/07/2009:
Revisado (texto e novas fotos) em Out/2010.
Fotos do National Theatre de Londres
Clique no mosaico abaixo, ou aqui, para ver as fotos.
Click on mosaic below, or here, to see my pictures from London’s National Theatre.
Fa’ clic nel mosaico sotto, oppure qua, per guardare le miei foto del National Theatre di Londra.
Tem foto nova no photo.jkscatena.com, o meu website de fotografias.
São algumas das fotos que fiz durante curso “Arte, Aquitetura e Fotografia”, que frequentei em março deste ano na Central Saint Martins College of Art & Design, aqui em Londres.
Bath: os romanos na Inglaterra
No mesmo dia em que estive em Salisbury para conhecer Stonehenge fui para Bath para visitar esta pequena, mas muito bela cidade inglesa. Na verdade não foi a melhor das idéias, já que Bath merece mais tempo para ser devidamente apreciada: não tive muito tempo para conhecer a cidade, tive que acelerar a visita aos banhos romanos e nem tive chance de aproveitar os spas que existem aqui.
Pelo menos pude dar uma volta pela cidade, conhecer o “Royal Crescent” e o “The Circus“, que são ruas/praças de enorme apelo arquitetônico, projetadas no estilo Neo-Clássico pelos arquitetos, pai e filho, John Wood no séc. XVIII.
Mas a principal atração, e até a razão da fundação da cidade é a existência de uma fonte termal aqui, que atraiu os celtas e depois os romanos, que construíram enormes banhos que acabaram originando a cidade de Aquae Sulis, a predecessora de Bath.
A visita aos Banhos Romanos, localizados bem à frente da abadia da cidade, é um verdadeiro mergulho no passado. A qualidade da exposição toda, o audio guia e o ambiente fazem com que você se sinta como que transportado ao tempo dos romanos.
A entrada custa cerca de £12 (varia de acordo com os meses do ano, mais caro em jul/ago) e inclui o audio guia, em oito línguas (mas não em português). São recomendadas 2h para visitar todo o complexo com calma, tempo que eu realmente não tive. Ainda assim curti muito e recomendo a visita.
Um amigo meu brasileiro que mora aqui em Londres já me convidou pra voltar a Bath, mas, segundo ele, o ideal é chegar muito cedo e passar todo o dia, inclusive aproveitando os novos e modernos spas que se aproveitam desta fonte termal que fez a fama do local. Bath é um dos Patrimônios Mundiais da Humanidade da UNESCO, tanto pelos banhos quanto pelas atrações arquitetônicas da cidade.
Visitando Stonehenge
Stonehenge é, para muitos, um local místico, um daqueles lugares que se deseja conhecer desde sempre, às vezes até esperando uma visita mágica ou algo assim. Pelo menos era mais ou menos o que eu sentia a respeito deste intrigante círculo de pedras com propriedades astronômicas. E admito que fiquei muito admirado ao finalmente visita-lo há algumas semanas.
Já planejava conhecer o local desde a última vez que estive em Londres, entre março e junho deste ano, no meu circuito extra-Londres, mas acabei não fazendo e, quando um amigo meu inglês sugeriu a visita, agora em setembro, aceitei sem pestanejar. Programamos então um passeio a Stonehenge e Bath, no mesmo dia.
Existem tours que partem de Londres (tem um posto que vende logo na estação Tower Hill do metrô) e custam cerca de £45. Nós fomos por conta própria e o passeio saiu mais ou menos pelo mesmo preço, mas com a vantagem do agradável passeio de trem (os tours são de ônibus) e da liberdade de fazer nosso próprio programa. O trem para Salisbury, a estação de trem mais perto do monumento, parte da Victoria Station londrina, leva cerca de 1h30 e custa £30,50. Eu acabei pagando bem menos, porque tivemos um desconto na compra, direto na bilheteria da estação, por sermos um grupo (3 pessoas) – e, ao final, compramos o bilhete Londres – Salisbury – Bath – Londres por £21. Como escrevi no meu post sobre Bath, a minha conclusão é que fazer tudo no mesmo dia não vale a pena… passamos pouquíssimo tempo em Bath e não deu pra aproveitar bem a visita.
Ao chegar na estação de Salisbury procure o posto de venda do tour para Stonehenge e compre o bilhete diretamente ali. O embarque no ônibus que leva ao monumento é logo na saída da estação, parte a cada meia hora, durante o verão e custa £18, incluindo o transporte e a entrada para Stonehenge e para Old Sarum (ruínas da antiga cidade de Salisbury). Por £11 você pode fazer apenas o passeio de ônibus (no caso de ser sócio do English Heritage, que opera o monumento, e não pagar pela entrada – aliás, acabei de descobrir o Visitor Pass do English Heritage, que oferece entrada em uma série de monumentos e castelos por apenas £20, válido por uma semana).
O passeio de ônibus é muito agradável e uma gravação faz o papel de guia durante o percurso de ida e volta, contando a história de Salisbury, dos principais prédios da cidade, do importante papel da base militar (aeronautica) nos arredores da cidade durante a Segunda Guerra Mundial etc. E, é claro, informações sobre Stonehenge e Old Sarum.
Reserve cerca de 1h30 a 2h00 para conhecer Stonehenge, especialmente se estiver por lá num belo dia de sol. A entrada inclui um audio guia (em 10 línguas) que conta a história e explica todos os detalhes do circulo de pedras, construído entre 2500 e 2000 AC – mas a mística ocupação do local começou ainda antes, em 3000 AC. Desde 1978 o acesso é permitido somente ao redor do monumento, o que ajuda a obter boas fotos sem turistas dentro dele. Na verdade, com visitas agendadas, é possível entrar no círculo em pequenos grupos. O acesso a Stonehenge no solstício de verão (cerca de 21 de junho) é diferenciado, já que é uma data “mágica” e segue regras bem específicas para receber os cerca de 30.000 visitantes que circulam no local a cada ano. Ao total, o local recebe mais de 850.000 visitantes ao ano (dados de 2008).
A visita é realmente mágica e extremamente agradável. Vale muito a pena!
Completando, acabei de descobrir que dá sim pra visitar o centro do círculo, ao menos virutalmente. É que o Google Maps já tem mapeado o local com sua ferramenta Street View. Veja aqui.
Na volta a Salisbury há a possibilidade de parar em Old Sarum, as ruínas do castelo e da catedral que, mais ou menos, deram origem à cidade de Salisbury. Os resquícios de ocupação desta colina chegam ao ano 3000 AC e a primeira fortificação foi construída em cerca de 500 AC. Os romanos, quando ocuparam a Grã-Bretanha (de 43 a 410 DC) construíram uma base no local (Sorviodunum) e o castelo das atuais ruínas data de 1069. Sua decadência iniciou com a construção da nova catedral de Salisbury, depois do rompimento do bispo com o rei, nos anos 1200. A entrada nas ruínas está inclusa no bilhete do Tour e é também bastante interessante. Pra voltar a Salisbury de Old Sarum, você pode pegar qualquer um dos ônibus que passam na estrada local e sua passagem está também incluída no bilhete do Tour.
Inspired – Photos/Fotos
Todas as fotos do post Inspired estão no slideshow e na galeria abaixo.
All the pictures from the post Inspired – the English version are on the slideshow and the photo gallery below.
Tutte le foto del post Inspired – la versione Italiana sono nel slideshow e nella galleria sotto.
- Attraverso
- Tormentato
- Inspirato
- Mi guardo
- Soffro
- Pudico
- Ascolto
- Bizarro
- Doppio
- Sguardo lontano
- Semi
Inspired – The english version
I had not even finished seeing the exhibition and was already eager to do pictures like those from Francesca Woodman; I even knew the location, the corner of my bedroom with the radiator and the wooden floor. On that night, and on the following days I went through a photographic journey that produced the images seen below.
Francesca’s work provoked me a melancholic reaction and in the first set of photos, I’ve tried to reproduce this feeling. in these pictures my face is not shown – hidden, covered, concealed – one of the key characteristics of her work. I tried to merge with the environment using the movement, producing a blurring effect on the face and body. To enhance this merging effect I’ve set the camera for high sensibility, causing the grainy appearance.
This series is basically on black and white, as a direct influence from Francesca’s work. As I was taking the pictures during the night time, I used a light source that caused an interesting effect that also enhanced the contours. This was an error, if an direct comparison with Francesca’s original work is to be made, a friend of mine suggested. I have to thank Emanuele Camisassa for inviting me to the exhibition, for helping me think about the work I’ve done and also for persuading me to write this text that tells the evolution of my own pictures.
The morning after I produced a photo that directly relates to one from the exhibition, but with my personal presentation – lightly coloured, instead of the original black and white.
My “voglia” (the Italian for will) was not satisfied yet so I’ve also produced the series below (already considering Emanuele’s comments) but now with the presence of the face and also exploring the double – triple, quadruple – exposure as a way to merge the body and the environment.
Since the first series, I was wearing only a shirt, and sometimes not even that – I was undressing voluntarily, opening myself to the experience without shame. I also used a mask – as Francesca sometimes did – creating a faceless, and a slightly bizarre, character. Almost all of these pictures are black and white but with coloured ones, these last with an altered colour tone.
On the last series I used my 50 mm lens, which I love for creating an interesting lighting effect. Here I explored, not only the double exposure, but also my Milanese house’s doors as scenic elements. The empty chair, refers to an unoccupied place, that is not completely shown. These pictures are mostly coloured.
At the end the “voglia” I was satisfied. My first artistic productive journey – with a theme as far as possible derived from my previous work – as concluded. My artist’s ego was satisfied with the beautiful and interesting result of my labour. I finish the experience somehow changed and in a certain way evolved.
PS.: The slideshow and gallery with all the pictures taken is here.
Inspired – La versione italiana
Non ero nemmeno uscito dall‘esposizione che già avevo voglia di fare delle foto somiglianti a quelle di F. Woodman; avevo già in mente lo scenario, un angolo della mia stanza, con un grande termosifone e il pavimento di legno. Nello stesso giorno e nei giorni seguenti ho percorso, alla mia maniera, un’esperienza fotografica che ha prodotto le immagini che potete vedere sotto.
Il lavoro di Francesca mi ha suscitato malinconia e nel primo gruppo di foto ho provato a catturare questa emozione. In queste foto manca il viso – nascosto, coperto – una delle caratteristiche predominanti delle sue foto. Ho provato a fondermi con l’ambiente attraverso il movimento, con l’effetto ”sfocato” sia nel viso, che nel corpo. Per accentuare questo effetto di fusione ho regolato la macchina fotografica con alta sensibilità, provocando la grana nelle immagini.
Questa serie ha delle foto in bianco e nero, una influenza diretta del lavoro di Francesca. Siccome avevo fatto le foto di sera, ho usato una luce che provocava un interessante effetto ma che risaltava i contorni – un errore, paragonato alle foto che mi avevano inspirato, come mi ha detto un amico. Devo ringraziare Emanuele Camisassa per avermi invitato ad andare all’esposizione, per avermi aiutato a riflettere sul lavoro che avevo realizzato e anche per avermi motivato a scrivere questo testo che testimonia il percorso fotografico.
Nella mattina seguente ho fatto una foto simile ad una delle foto dell’esposizione, ho però dato la mia interpretazione – leggermente colorata, diversa del bianco e nero originale.
La voglia non era ancora soddisfatta e ho anche realizzato le serie di sotto, già con le prime considerazioni di Emanuele, ora però con la presenza del viso e l’utilizzo della doppia – tripla, quadrupla – esposizione come strumento per fondermi con l’ambiente.
Per la ultima serie ho usato una lente di 50 mm che mi piace tanto perché crea una luminosità particolare. Qui ho esplorato, non solo la doppia esposizione, ma anche le porte della mia casa milanese come elementi scenografici. La sedia, vuota, evoca uno spazio non occupato, che però non si mostra completamente. In questa serie le foto sono di solito colorate.
Alla fine la voglia era soddisfatta. La mia prima avventura artistica – con un tema molto molto diverso da quelli dei miei lavori precedenti – era finita. Anche il mio ego di artista era stato appagato, perché sono riuscito ad ottenere un risultato bello ed interessante.Esco da questa esperienza leggermente modificato e, per certi versi, evoluto.
PS.: Il slideshow e la galleria con tutte le foto scattati è qui.
Inspired
Não havia nem saído da exposição e a vontade de produzir fotos semelhantes às de F. Woodman já havia tomado conta de mim; já sabia até o cenário, o canto do meu quarto, com o grande radiador e o piso de madeira. No mesmo dia e durante os três seguintes percorri à minha maneira, uma trajetória fotográfica que culminou nas fotos abaixo.
O trabalho de Francesca me provocou certa melancolia e no primeiro grupo de fotos busquei registrar este sentimento. Estas fotos também contam com a ausência da face – coberta, escondida -, uma das características marcantes de suas fotos. Tentei me fundir com o ambiente através do movimento, causando o efeito de borrão tanto na face quanto no corpo. Para acentuar o efeito de fusão com o ambiente, regulei a câmera para alta sensibilidade, causando o efeito de granulação da imagem.
Esta série é basicamente branco e preta, como influência muito direta do trabalho de Francesca. Por estar fazendo as fotos durante a noite, usei uma fonte de luz que proporciona um efeito interessante, mas, por outro lado, ressalta os contornos – um erro, comparando com as fotos que me inspiraram, como me ressaltou um amigo; aliás, agradeço ao Emanuele Camisassa pelo convite para ver a exposição, por me ajudar a refletir sobre o trabalho que produzi e também por me motivar a escrever este texto que registra a trajetória das fotos.
Na manhã seguinte produzi uma foto que faz referência direta a uma das fotos da exposição, mas com a minha interpretação na maneira como ela é apresentada – levemente colorida, diferente do preto e branco do original.
A voglia (vontade, em italiano) ainda não tinha sido satisfeita e produzi a série abaixo, já com as primeiras considerações de Emanuele, mas agora com a presença da face e explorando a dupla – tripla, quadrupla – exposição como maneira de fundir-me com o ambiente.
Desde a primeira série decidi usar apenas uma camisa, quando muito – me despindo voluntariamente, me abrindo à experiência sem pudor. Usei ainda aqui uma máscara – como Francesca – criando um personagem sem face, um tanto bizarro. Esta segunda série conta tanto com fotos em preto e branco quanto coloridas, mas estas últimas com uma tonalidade alterada.
Na última série de fotos usei uma lente de 50mm que gosto muito por criar uma luminosidade muito própria. Aqui explorei, além da dupla exposição, as portas de minha casa milanesa como elemento cenográfico. A cadeira, vazia, remete a um espaço não ocupado, mas que não se mostra por inteiro. Predominam aqui as fotos coloridas.
Ao final a voglia estava satisfeita. Minha primeira jornada produtiva de cunho artístico – com um tema completamente de meus trabalhos anteriores – estava concluída. Meu ego de artista também está satisfeito, com o belo e interessante resultado de minha produção. Saio desta experiência ligeiramente alterado e, de certo modo, evoluído.
O slideshow e a galeria com todas as fotos deste ensaio está aqui.
Francesca Woodman, Milão 2010
Após visitar a mostra com obras da fotógrafa americana Francesca Woodman (Denver/CO 1958 – Nova York/NY 1981) fui tomado por uma onda de inspiração como nunca mais havia tido e produzi a série fotográfica que ilustra este texto, que é uma tradução livre do folheto da exposição. Minhas impressões e motivações para criar as minhas fotos estão no post a seguir: Inspired.
Francesca começou a fotografar ainda adolescente e percorre uma trajetória intensa, mas curta, que termina com seu suicídio aos 23 anos.
Quase toda a sua produção é baseada no relacionamento entre seu próprio corpo, objeto e sujeito de seus cliques e de seu olhar. De si própria não propõe uma visão idealizada, heróica ou carregada de qualquer significado particular; ao contrário, sua imagem é sempre inserida no cenário como se deste fosse parte. Geralmente seu corpo é coberto pela pintura da parede, joga com a própria sombra, aparece e some através portas e janelas, se esconde atrás dos móveis e objetos; a luz mais a faz perder consistência do quer exalta-la. “Me interessa a maneira como as pessoas se relacionam com o espaço. A melhor maneira de faze-lo é registrar suas interações com as fronteiras destes espaços. Comecei fazendo isso com ‘fotografias fantasmas’, pessoas desaparecendo em uma superfície plana…”.
Um traço recorrente e de grande expressividade é a ausência da face, cortada no enquadramento, escondida por máscaras, pelo próprio cabelo, por uma torção do corpo. “Uso a mim mesma como modelo por uma questão de conveniência. Estou sempre disponível”.
Nascida em 1958, filha de um pintor e de uma ceramista, Francesca se inscreve em 1972 em uma escola particular para garotas, a Abbot Academy, uma das poucas com cursos de arte – nesta época começa a fotografar, usando seu quarto como estúdio e cenário. Sob a influência de uma das professoras, a fotógrafa Wendt Snyder McNeill, cursa a Rhode Island School of Design (RISD, Providence/EUA) a partir de 1976 – ambienta agora suas fotografias no local onde reside, um grande apartamento semi vazio em um antigo prédio industrial.
Entre 1977 e 78 estuda em Roma/Itália na sede européia do RISD com a amiga Sloan Rankin, onde realiza sua primeira exposição individual. No outono de 1978 retorna a Providence, onde conclui os estudos na RISD, obtendo o título de BFA em Fotografia e se transfere para Nova York. Em janeiro de 1981 é publicada a edição impressa de “Some disoriented interior geometries” (Synapse Press, Philadelphia), um dos seis cadernos fotográficos elaborados durante sua permanência em Roma. No dia 19 do mesmo mês abandona voluntariamente a vida.
Francesca Woodman. Milão – Palazzo della Ragione; 16 de julho a 24 de outubro de 2010.
Genebra: um passeio na cidade junto ao lago
Para mim, uma das atrações mais interessantes de Genebra é exatamente o Lago Genebra, ou Lac Leman, como também é conhecido. Sim, porque a bela cidade se espalha em torno do lago, abraçando-o em seu lado sul, onde se encontra a cidade velha de Genebra.
O belo Jet d’Eau, um enorme jato d’água que atinge a altura de 140 metros domina a paisagem e pode ser visto de qualquer ponto às margens do lago e de qualquer ponto alto da cidade. Mas não é só para ser apreciado de longe, já que se pode chegar bem perto de sua base e, na verdade, até banhar-se na sua bruma. Para poder aprecia-lo de perto é só dirigir-se à Quai G. Ador, onde tem um pier que liga a margem à base do jato. Mesmo se não quiser se molhar, vale muito a pena dirigir-se a este local para observar o jato mais de perto.
Aparte dos meses de inverno (novembro a fevereiro, na temporada 2010-2011), é ligado às 10h00 e vale a pena observar este momento, quando o primeiro jato é lançado. A cada segundo 500 litros de água são atirados ao alto, saindo a uma velocidade de 240 km/h! Foi inaugurado em 1891 e renovado em 1951.
Circular na cidade é bastante simples, principalmente se você estiver hospedado em algum hotel da cidade ou mesmo se possuir um passe de trem suíço. Em ambos os casos, você tem acesso a todos os meios de transporte – ônibus, trens, trams/bondes e até barcos – dentro da Zona 10, que cobre praticamente toda o centro expandido da cidade, incluindo o Aeroporto.
Aqui os meios de transporte não tem catraca e você deve apenas portar um passe válido – no caso, o passe de trem ou o cartão Geneva Transport Card, que você pode pedir quando fizer o check in no hotel. Não deixe de usar os deliciosos barcos das linhas M1 a M4 que cruzam o lago. São passeios curtos mas muitíssimo agradáveis!
Uma parte da cidade que não pode deixar de ser visitada é a cidade velha, dominada ao alto pela Catedral de São Pedro. As estreitas ruas da Genebra medieval podem ser visitadas tranquilamente a pé – deixe-se perder por elas, explorando sem preocupar-se, já que não é muito grande e depois é só descer em qualquer direção para chegar ao lago ou às linhas de tram, que circundam esta zona.
Aliás, a Catedral é uma visita imperdível, seja para conhecer o local onde Calvino começou a Reforma Protestante da igreja, que tanto influenciou a história da cidade. Por estar livre do domínio da igreja católica, a cidade de Genebra atraiu muitos artistas, poetas e pensadores que ajudaram a formar esta que é a segunda cidade mais populosa do país. Na catedral dá pra ver a cadeira usada por Calvino e também a bela Capela dos Macabeus, transformada por ele durante muito tempo em uma sala de aula, e hoje restaurada.
Subir nas torres da catedral custa apenas ChF 4,00 e proporciona uma bela vista panorâmica da cidade. A Torre Norte é mais interessante, já que tem terraços abertos excelente para fotos – se tiver pouco tempo pode até abrir mão de visitar a Torre Sul… só que desta se pode fotografar a Torre Norte com o lago ao fundo.
Junto à loja da catedral, onde se adquire o bilhete para subir às torres e que fica ao lado do altar – hoje o edifício não é um templo religioso, mas um local que sedia eventos importantes da cidade e do país – tem um breve vídeo (inglês e francês) que conta a história da catedral e que vale a pena ser visto.
Bem ao lado da catedral fica o Café Creperie Saint Pierre, no mesmo local há mais de 500 anos. É uma excelente opção para um almoço leve e extremamente agradável, principalmente nas mesas externas, ao lado da praça e com uma vista belíssima da catedral. Uma refeição com crepe, cerveja e café sai por cerca de ChF 23,00. Aprecie também o toque dos sinos da torre, a cada 15 minutos. Aliás, este é um hábito que estou adquirindo aqui na Itália, com suas cidades repletas de igrejas. Os sinos aqui não soam apenas as badaladas das horas, mas melodias completas, principalmente nas horas cheias e perto das missas. Nestes momentos o ar fica tomado pelo som dos sinos. Cativante!
Saindo da cidade velha ao final do dia, desça até o lago e pegue o barco M1, da parada Molard e dirija-se ao Pâquis, na Quai du Mont-Blanc para apreciar o pôr do sol.
Os Bains des Paquis são uma verdadeira praia no limpido e fresco Lac Leman. Com toda a estrutura necessária para banhar-se – desde praias de seixos até piscinas, vestiários, banheiros e bares – dá pra passar um tempão por aqui curtindo o lago, especialmente num lindo dia de sol como o que eu peguei.
A entrada custa ChF 2,00, então vir aqui só para apreciar o pôr do sol, com uma vista diferenciada do Jet d’Eau, é um bom passeio. Até o início de setembro aqui tem também uma série de espetáculos no nascer do sol – os Aubes Musicales – que valem muito a pena.
Outra dica legal de restaurante é o Le Brasseurs (Place Cornavin 20 – www.les-brasseurs.ch), bem na frente da estação de trem. Aqui a cozinha fica aberta até as 23h45 (0h45 sextas e sábados) e se pode apreciar um tipo de comida que eu não conhecia – e que tão pouco arrisco pronunciar o nome – os Flammenkueches: uma fina massa, que parece de pizza, do tamanho de um prato, com coberturas diversas. Comi uma com ovo e queijo que era leve e saborosa. Custam entre ChF 15,00 e 25,00, mas com promoções especiais no almoço durante a semana. Outro prato que vale a pena, mas só para os apreciadores de carne, é o Tartar – carne moída, crua e temperada, com torradas e fritas a ChF 26,50. O local oferece ainda cervejas de diversos tipos e tamanhos, até uma coluna de 10l, perfeita para grupos.
E, é claro, o Café Pessoa, que tem a DELICIOSA Picanha à Brasileira aos sábados.
Fora tudo isso, Genebra é ainda um destino de compras e, em Agosto, as Fêtes de Geneve agitam a cidade. Um belo destino a descobrir!
Genebra: Fêtes de Genève
Um dos principais motivos da minha viagem foi o espetáculo, na noite de sábado, que encerra o “Fêtes de Genève”, um festival anual que agita a cidade no mês oficial de férias europeu. Como os habitantes locais viajam e os árabes vem aos montes (dizem as más línguas que vem para fazer a visita anual ao seu dinheirinho, guardado nos bancos suíços), o Turismo de Genebra montou esta festa anual e já muito tradicional.
São, na verdade, dois grandes blocos de eventos: as pré festas, em julho e as festas propriamente ditas, em agosto. Durante estes dias as margens do lago se tornam um grande parque de diversões, com os brinquedos tradicionais e inúmeras barracas de comidas e doces. Apresentações em palcos agitam as tardes e noites – durante as festas de agosto, em 4 áreas distintas. É realmente uma delícia.
A edição deste ano iniciou com as pré festas em 15 de julho e encerrou na noite de 8 de agosto. O maior evento é, sem dúvida, o show pirotécnico e musical na noite do último sábado das festas.
É a noite mais agitada do ano na cidade, que fica repleta de turistas de todas as partes do mundo e que lotam as margens do Lac Leman para ver o espetáculo. Dei uma sorte enorme e assisti tudo de uma varanda, uma vista privilegiada pois pude também ouvir a trilha sonora (conheci um casal de jovens brasileiros no trem, de volta para Milão, que estavam em outra parte do lago e não podiam ouvir nada, somente ver o espetáculo). A apresentação deste ano foi em torno do tema Circo. Como não falo francês, pude apenas descobrir que os diversos números eram ligados às atrações circenses, então teve a parte dos elefantes, da foca, os palhaços, as contorcionistas chinesas, o mágico e assim por diante. Cada uma delas com fogos diferentes, que estouravam sobre o Lac Leman, num efeito visual e sonoro fantástico. Acho que foi um dos espetáculos pirotécnicos mais bonitos que vi na minha vida – e digo isso já tendo visto o reveillon de Copacabana diversas vezes.
Se você estiver programando viajar para a Suíça no ano que vem, faça de tudo para estar na cidade no segundo sábado de agosto, pois esta festa é realmente imperdível.
Mais fotos dos fogos meu website fotográfico, em http://photo.jkscatena.com/tag/fetes-de-geneve/
Genebra: compras e mais compras
Nunca fui muito de ficar viajando para fazer compras, mas algumas vezes também sou mordido pelo bichinho do consumismo e acabo gastando minhas economias. Aqui em Genebra nem tentei muito resistir, já que procurava coisas específicas e tradicionais de se comprar por aqui: canivetes (sou um colecionador) e um relógio (já estava na hora de comprar um extra, pra variar um pouco).
Tá bom que acabei comprando mais um monte de coisas, mas aí eu já estava contaminado pela onda compradora e aproveitei também as liquidações, tradicionais nesta época do ano. Vale a pena comentar que os preços, apesar de Genevra ser conhecida como uma das cidades mais caras do mundo, estavam muitíssimo parecidos com aqueles que encontrei em Milão ou mesmo em Londres – sempre considerando o câmbio, já que aqui se usa o Franco Suíço (ChF), e não o Euro (mas que também pode ser retirado nos caixas eletrônicos e é aceito na maioria das lojas, neste caso com um câmbio mais desfavorável).
Minhas dicas aqui são:
Manor (6 rue Cornavin, aberta a partir das 9h00): uma imensa (5 andares) loja de departamentos, repleta de opções para os mais diversos tipos e gostos. Uma dica bem legal é comprar comida pronta aqui, logo no piso térreo (onde também estão os chocolates), que não é muito cara, e comer nas praças da cidade. Um monte de gente faz isso. Além dos chocolates, tem também uma área legal, ainda no térreo, de souvenires suíços (canecas, imãs, camisetas, bichos de pelúcia etc.). No sub-solo estão as coisas para casa; subindo se encontra moda masculina, feminina, perfumes, esporte, papelaria, eletrônicos e, no topo um restaurante panorâmico. Nos andares de roupas, não deixe de procurar uma ‘área adicional’, com as coleções mais “modernas” de marcas famosas, cheia de araras e estantes com peças de coleções antigas a preços mais baixos.
Victorinox Flagship Store (2 rue du Marché): esta era realmente meu alvo principal, já que coleciono aqueles pequenos canivetes desta marca tradicional suíça. Seus produtos podem ser encontrados em praticamente todas as lojas da cidade, mas comprar aqui tem um charme adicional. Os canivetes da coleção 2010 são muito charmosos – comprei 3 dos mais baratinhos, mas tinha um, daqueles bem pequenos, que custava a bagatela de ChF 25.000,00 – isso mesmo, vinte e cinco mil francos – aceito presentes de aniversário, agora em novembro, ok? Além disso: malas e mochilas, roupas, perfumes e relógios.
Swatch (endereços diversos na cidade, mas recomendo a loja da Rue du Mont-Blanc): esta é para aqueles que querem um bom relógio a preços razoáveis. As coleções são, em geral, as mesmas encontradas nas lojas da marca no Brasil, mas os preços são definitivamente menores. Comparando o preço do relógio que comprei aqui em Genebra no ano passado, a economia chegava a cerca de 30% em relação ao preço brasileiro.
As principais lojas de luxo se concentram nas ruas perto da cidade velha – Rue du Rhône, Rue de Rive e Rue Crux D’Or, mas eu não tenho a carteira deste calibre, então só passei rapidinho, a caminho da loja da Victorinox, que fica nesta área.
E pra terminar, tem a Substation X-World (14 rue du Neuchâtel), mas esta, só para maiores, é uma fetish store de 240 m2. Só estou dando a dica porque descobri que gosto deste tipo de produtos na minha temporada londrina.
Valeu a pena acordar tão cedo? Sim, valeu muito a pena!
Acordar as 5h00 da manhã de uma segunda feira e pegar um ônibus em direção ao centro da cidade só pra ver um show musical… parece coisa de louco, e até é um pouco, mas a experiência foi tão bonita e rendeu fotos tão belas, que posso dizer que sim, valeu a pena.
Conheci o “Bains des Pâquis” (30, quai du Mont-Blanc) na tarde de domingo e já tinha decidido passar minha última manhã em Genebra por ali, para poder nadar no Lac Leman. Só que, quando deixava o local encontrei este panfleto do “Aubes Musicales”, um programa que traz apresentações musicais no amanhecer, durante o nascer do sol – das 600 as 7h00. São concertos e apresentações musicais gratuitas, todas as manhãs até o dia 5 de setembro. Se você estiver na cidade nestes dias recomendo fortemente.
Quando estive lá se apresentava um grupo de musica e um casal de bailarinos indianos.
A música, que é um mantra, os dançarinos, muito expressivos, o sol nascendo, por detrás de uma montanha e se refletindo no lago… tudo isso fez deste início de manhã uma experiência realmente inesquecível.
A programação é bastante variada, desde musica africana (12/Ago), chilena folclórica revisitada (15/Ago), nepalesa (16/Ago), jazz e funk (17 e 23/Ago) a orquestras e clássica (19-22, 24-27 e 30/Ago a 4/Set), passando até por corais (18/Ago). Até artistas brasileiros já se apresentaram por lá.
Pelo menos, depois da apresentação eu pude tomar um belo café no próprio local e ainda tirar um cochilo aproveitando o calor gostoso do sol que se levantava. Sim, antes de ir embora fazer as últimas compras ainda nadei nas cristalinas e frescas águas do Lac Leman.
Fotos adicionais desta bela apresentação estão disponíveis no meu website fotográfico em: photo.jkscatena.com/tag/paquis.
Valeu a pena? Sim, já que a alma não é pequena
Estou aqui na Europa há quase cinco meses e sempre digo que não sinto muita falta do Brasil. Sim, sinto falta dos amigos, da minha família, do meu sobrinho – o pequeno Antonio Scatena que só conheço via Skype… Mas não, do país, da bagunça burocrática e política (tá, a Itália não está muito longe), da fraca infra-estrutura urbana, do trânsito caótico de Sampa… disso não sinto falta. Mas descobri aos poucos que sinto falta da comida brasileira!! Ahh, como faz falta! Mas sábado passado, em Genebra, matei a saudade com estilo!
Tinha planejado fazer umas comprinhas nesta bela cidade suíça que visitei durante o final de semana. Sabia que domingo as lojas estariam fechadas e desta vez (visitei brevemente a cidade no ano passado) não ia deixar de comprar uns canivetes para a minha coleção. Saí do hotel, peguei um ônibus para o centro e, do nada, avistei um café e a vontade (quase vício) de consumir cafeína bateu forte. O Café Literário Pessoa (5, Rue Jean-Dassier – cafepessoa@mac.com – +41 22 340 2285), como descobri ao entrar, é um refúgio português na cidade bancária suíça e, para a minha grata surpresa, serve Picanha à Brasileira todos os sábados! Completíssima, com arroz, feijão preto, farofa, molho vinagrete, banana frita, batatas fritas e até uma fatia de abacaxi grelhado (ChF 25,00).
Não fiz esforço nenhum para resistir à tentação, me sentei, pedi uma cerveja e, quando as belas e suculentas fatias de picanha me foram servidas, ainda pedi uma pimentinha pra completar. Comi até dizer chega, lambendo os beiços e dedos, maravilhado com aquela iguaria, preparada com capricho e realmente “à brasileira”, apesar de ser em um restaurante português (suspeito que o cozinheiro seja meu conterrâneo!).
Esqueci de comentar que o café é uma graça, decorado com versos do poeta português escritos pelas paredes, que também estão repletas de mensagens, em português, de clientes. “Ó mar salgado, quanto do teu sal. São lágrimas de Portugal! (…) Valeu a pena? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.
Saí mais que satisfeito, pronto para curtir a bela tarde de sol a comprar mercadorias legitimamente suíças – estas dicas, e outras, vem nos posts a seguir.
Fica a dica para quem quiser matar a saudade da comida brasileira em terras de canivetes, relógios e chocolates.
Londres: fechando com chave de ouro a jornada ferroviária
Esta é minha terceira viagem a Londres, mas a primeira que chego (convenientemente, diga-se de passagem) de trem, diretamente na estação St. Pancras, renovada para ser a parada na capital inglesa do Eurostar.
E chegar nesta estação vitoriana, com sua bela cobertura metálica azul foi um fechamento com classe desta nossa jornada ferroviária pela Europa.
Achava que a viagem no Eurostar, de Bruxelas a Londres, por baixo do Canal da Mancha seria algo espetacular, mas não é nada mais do que um grande túnel, até um pouco sem graça, para falar a verdade. A maior diferença está no serviço de bordo, já que neste trecho é servida uma refeição, como aquelas que estamos acostumados nos nossos voos de maior distância. Nada de especial, mas diferente daquilo que estávamos nos acostumando nos diversos trechos que percorremos. Pra ser correto na manhã deste dia recebemos também uma breve refeição no trecho Paris – Bruxelas, com o Thalys.
Também para ser justo, fiquei um pouco desapontado com o percurso do Thalys, já que ao invés de usarmos o trem normal deste trecho – o único com Internet a bordo, diga-se de passagem – a composição foi substituída por um TGV, equivalente em conforto e velocidade, mas sem a cobertura de wi-fi móvel que seria o diferencial desta viagem.
Aliás, continuando com a série de justiça, Bruxelas foi realmente uma parada especial. Maria Corinaldesi, da RailEurope, fazia sempre questão de frisar que esta aparente loucura – acordar em Paris, almoçar em Bruxelas e dormir em Londres – tinha o propósito de mostrar que é possível conectar três grandes cidades européias em um único dia de trem. E foi muito mais que isso!
A capital belga surpreendeu positivamente a todos do grupo com seu charme – a praça principal da cidade é uma beleza -, com o humor do seu povo – a começar pelo nosso guia, mas completando o time com os dois profissionais do turismo belga que nos acompanharam (ambos casados com brasileiras e falando um português genuíno) -, e com o fantástico restaurante do chefe Bruneau – onde adicionamos mais duas estrelas Michelin ao nosso álbum de viagem.
E as breves viagens de trem – menos de duas horas em cada trecho, Paris – Bruxelas e Bruxelas – Londres, não foram nada cansativas e provaram que é realmente muito simples conectar três grandes cidades européias de trem em um único dia. Tenho certeza que fazer a mesma proposta de conexão voando seria muitíssimo mais cansativo.
Para encerrar nossa viagem passamos a noite hospedados em Gloucester Park, uma alternativa muito interessante para hóspedes “long stay” em Londres, já que só aceitam permanências acima de 90 dias. É como ter seu próprio apartamento na cidade, completamente mobiliado e equipado e em localizações verdadeiramente diferenciadas, mas com serviço de hotel, como arrumadeira, lavanderia, academia, recepção/portaria etc..
O que ficamos é perto do Hyde Park, mas o Cheval Residences tem empreendimentos semelhantes em outras áreas valorizadas da cidade.
O dia seguinte começou com um passeio na London Eye; demos muita sorte com o céu lindamente azul, foi seguido de um almoço na Regent Street Food Quarter, na Heddon Street – no primeiro restaurante a quilo de Londres, o charmoso e trendy Tibit e terminou com um shopping tour na Regent Street, a primeira rua projetada para ser um centro de compras na cidade, e na Carnaby Street, o centro de compras mais cool de Londres.
Alguns dos companheiros de viagem retornaram ao Brasil, na business class da TAM, no final do dia, mas outros, como eu, aproveitaram para estender a estadia na Europa. Agora estou na Italia, em uma parada pessoal na busca de documentos de meus ancestrais. Depois parto para a Espanha onde vou receber meu prêmio da Comissão Européia de Turismo pelos meus blog posts neste Blog PANROTAS em Viagem – como vocês leitores já devem estar sabendo.
Aliás, encerro mais esta série com um agradecimento a equipe do PANROTAS pela oportunidade de escrever neste nobre espaço e a todos vocês leitores que me acompanharam nestas minhas jornadas durante este ano.
Originalmente publicado no Blog PANROTAS em Viagem em 30/10/2009:
Atualizado em 19/04/12.
Chegando na França: Lyon e as vinicolas de Beaujolais
Chegamos em Genebra, vindos de Montreux no final da tarde de domingo, mas imediatamente pegamos um taxi para a França, onde passamos a noite. Sim, Divonne está a quinze minutos de Genebra e a única noite que passamos neste agradável castelo de origens medievais foi uma verdadeira festa gastronômica.
Na manhã seguinte voltamos a Genebra um pouco mais cedo do que o inicialmente programado para termos algum tempo para conhecer a cidade. E lá fomos nós, com apenas uma hora e meia para conhecer a cidade e fazer algumas compras, como relógios e canivetes legitimamente suíços.
No meu caso consegui comprar meu Swatch, mas fiquei morrendo de vontade de conhecer melhor esta linda cidade! Pude dar uma volta, bastante corrida pelas ruas da antiga cidade medieval, às margens do Lac Lemán, mas foi o suficiente apenas para dar mais vontade de voltar.
De Genebra chegamos “oficialmente” à parte francesa da viagem na capital gastronômica do país e da região de Rhône-Alpse, a bela Lyon, onde ficamos hospedados no hotel Cours do Lodge, um conjunto de quatro prédios medievais restaurados e transformados em um estabelecimento verdadeiramente diferenciado.
“Somos um dos pouquíssimos hotéis na Vieux Ville de Lyon, a área original da cidade, com um jardim interno. E temos muito orgulho disso!” diz o Gerente Geral do hotel, Franck Sciessere.
Céline Gomes, a francesa filha de portugueses do órgão de turismo da região de Rhones-Alpes ressalta que o escritório de turismo pode prestar serviços de apoio para grupos, bastando entrar em contato com ela pelo e-mail celine.gomes@rhonealpes-tourisme.com. “Outra coisa que é importante falar é que o Lyon City Card – que inclui a entrada em diversos museus da cidade e o uso de todo o transporte urbano de Lyon durante sua validade, que pode ser de 24, 48 ou 72 horas – oferece comissão de vendas para os agentes e operadores”, completa Céline. Ela diz que o volume de brasileiros visitando a região não é muito grande, mas também porque eles ainda não haviam realizado grandes ações promocionais, intensificadas em 2008, aproveitando a oportunidade do Ano da França no Brasil. “Em 2008 fizemos ações em São Paulo e em Curitiba, até porque Rhone-Alpes e o estado do Paraná são regiões irmãs. E em abril de 2010 faremos um workshop juntamente com a Atout France (ex-Maison de France). Já confirmamos as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro outras duas ou três ainda dependem de confirmação”.
Fizemos um passeio guiado pelo bairro antigo de Lyon, iniciando pela Basilica de Fourvière, no alto do morro de mesmo nome, de onde pudemos ter uma vista panorâmica de toda a cidade.
“No dia da consagração da estátua dourada da Virgem Maria, 8 de dezembro, todas as casas da cidade colocaram velas nas janelas, o que deu início ao agora permanente Festival das Luzes, 4 dias nos quais diversos eventos “luminosos” enfeitam a cidade trazendo mais de 4 milhões de turistas. Este ano será de 05 a 08/12”, diz o guia Jérome Trevy que nos acompanhou.
E só mesmo com um guia credenciado para descobrirmos as passagens secretas do bairro velho, as traboules. Criadas para facilitar o trânsito dos trabalhadores da seda da Lyon medieval, existem mais de 500 destas passagens por dentro dos quarteirões, passando por dentro das casas.
“Algumas delas continuam abertas para o público em geral, principalmente pelo seu valor cultural e histórico, depois de acordos entre os moradores, que tem que deixa-las destrancadas das nove da manhã as sete da noite, e a prefeitura, que passou a arcar com a limpeza e a iluminação delas”, explica Jérome que também nos contou que a área era muito degradada e desagradável até que se tornou área de proteção nacional em 1964. Em 1998 o esforço de restauração foi reconhecido pela Unesco que tornou a parte antiga de Lyon e mais uma área da “península” entre os rios Rhone e Scena patrimônio da humanidade.
Ainda no monte Fouvier, a primeira área real de ocupação cidade estão os dois anfiteatros romanos, resquícios de uma época em que Lyon era a capital romana da Gália. Entre junho e agosto de todos os anos é realizado aqui o festival “Noites de Fouvier” com apresentações musicais, de teatro e cinema.
Nosso jantar foi no restaurante do hotel Villa Fiorentina, uma estrela no Guia Michelin. O hotel está localizado no monte Fouvier, com uma lindíssima vista da cidade, em um prédio histórico que foi restaurado. Parte da cadeia “Relais & Chateaux” o Villa Fiorentina conta quartos de alto luxo, muito usados por turistas de negócios, mas principalmente por casais.
A manhã do dia seguinte foi reservada ao passeio pela região vinícola de Beaujolais, onde são produzidos três tipos de vinhos – Beaujolais, Beaujolais Village e Cru, nesta ordem de qualidade – que estão dentre os mais exportados pela França e são vinhos “D.O.C.” – Denominação de Origem Controlada, ou seja só os realmente produzidos na região de Beaujolais podem receber este nome.
A visita começou na propriedade de Michèle e Jean Callandras, um típico casal idoso francês que conta com a ajuda de diversos trabalhadores temporários na época da colheita das uvas – início de setembro – mas que toma conta de toda a propriedade praticamente sozinhos.
Aliás, na época da vindima a região recebe também muitos jovens turistas que se hospedam nas casas dos proprietários só para poderem participar desta grande comemoração que praticamente dá início a temporada francesa de vinhos. Diz-se que o Beaujolais é o primeiro vinho da temporada e que deve ser consumido ainda novo.
Passamos ainda no pequeno vilarejo de Oignt, com suas casas todas construídas com pedras douradas, o que dá um aspecto realmente único à todas as vilas desta região.
Oignt tem uma torre de vigia e uma igreja da época medieval e está virando moradia de diversos artistas que montam seus ateliês por aqui.
O almoço, no também estrelado restaurante do hotel (também Relais & Chateaux) do Chateau de Bagnols, do chef Matthieu Fontaine. O Chateau de Bagnols é um castelo medieval convertido em hotel, com instalações maravilhosas e que tem recebido mais e mais brasileiros a cada ano.
Já estamos embarcados o TGV com destino a Paris onde passaremos as próximas duas noites. Demos um pouco de sorte, já que os trabalhadores das ferrovias francesas resolveram fazer uma greve – na verdade uma operação tartaruga – exatamente hoje e o trem originalmente previsto para nossa viagem foi cancelado. Tivemos que pegar o anterior, mas sem reservas, o que poderia nos trazer – mas não trouxe – alguns problemas. Perguntamos a alguns franceses o porquê desta greve e a resposta foi basicamente a mesma: “na verdade eu nem sei porquê, mas podemos sempre esperar entre duas e três grandes paralisações todos os anos, então não é surpresa alguma!”.
Originalmente publicado no Blog PANROTAS em Viagem em 23/10/2009:
Na Suíça, a 2.000 metros de altura
Depois de vários dias de chuva e frio estávamos realmente merecendo um belo dia de sol e hoje o dia amanheceu perfeito (sim, com frio, mas céu azul e sol). Ao acordar em Montreux nem podia acreditar ao ver pela janela o dia nascendo com o céu completamente limpo, a cidade ainda nas sombras das altas montanhas e os primeiros raios de sol já batendo nos picos nevados do lado oposto do Lac Léman (Lago Genebra).
Saímos cedo de nosso hotel para pegar um outro trem panorâmico da GoldenPass, só que este era um pequeno trem turístico que nos levaria em um parque no alto da montanha “Les Rochers-de-Naye”, a dois mil metros de altura.
O trem lembra muito aquele do Cristo Redentor carioca: pequenos vagões, sem nenhum luxo, montanha acima com ajuda do terceiro trilho – a cremalheira -, numa estrada com bastante curvas que atravessa florestas e túneis até chegar a um ponto com uma vista maravilhosa dos arredores. A diferença aqui é que a subida é muito maior e que, a partir de certo ponto, chegamos a uma altura onde a neve já não derrete sem bastante sol – as folhas começam a ficar brancas da neve do dia anterior, e as casas, e as árvores até que, já mais perto do topo, está tudo maravilhosamente branco e brilhante, refletindo o sol forte daquele céu impecavelmente azul.
Ok, admito que fiquei um tanto maravilhado, mas para quem estava vendo neve pra valer pela primeira vista é realmente a reação esperada, não é?
Na estação do topo tem um hotel com dois restaurantes e um parque chamado “Paraíso das Marmotas”. Este pequeno roedor, que só existe no hemisfério norte parece ter encontrado aqui em Rochers-de-Naye seu habitat perfeito, seu verdadeiro paraíso, já que aqui foi construído um parque somente para a criação e pesquisa e seus hábitos. Só que com o frio de hoje elas já estavam em suas tocas, preparando para a hibernação do inverno. E além do hotel é possível também se hospedar em Yourtes, uma reprodução fiel de cabanas mongóis para aqueles que quiserem passar pela experiência de dormir a 2.000 metros de altura. Existem trilhas que podem ser percorridas a pé, com diversos níveis de dificuldade, mas é recomendável sempre experiência prévia, pois aqui a neve e o frio são coisas sérias e ainda assim vimos muitos grupos chegando e saindo da montanha, cheios de equipamentos.
Nas quatro semanas que antecedem o natal Rocher-de-Naye se transforma na casa de Papai Noel e milhares de crianças sobem aqui para visitar o velhinho barbudo. Para aquelas que se hospedam nos Yourtes um pacote especial permite que o Papai Noel em pessoa entregue presentes para as crianças numa visita surpresa (e realmente mágica) durante a noite. Os pais nem precisam se preocupar, pois podem dizer antecipadamente ao Papai Noel o que eles querem que seja falado para as crianças – um pedido especial do Papai Noel em pessoa, para que o menino seja bonzinho no ano seguinte certamente terá mais efeito.
Os panoramas daqui são realmente maravilhosos e nem o frio cortante e a neve que já devia ter seus 10 centímetros me afugentaram de ficar passeando e tirando milhares de fotos. É um passeio realmente imperdível.
Voltando da montanha almoçamos em Montreux antes de partirmos para a estação rumo a Genebra.
Mas não dormiremos nesta bela cidade às margens do lago, as em Divonne, já em território francês, mas a apenas quinze minutos de Genebra. Estamos hospedados no belo Château de Divonne, um dos charmosos hotéis da rede Grandes Etapes Françises, que possui ao todo dez unidades neste conceito por toda a França.
Amanhã já partimos para Lyon no veloz trem TGV, onde iniciamos verdadeiramente a parte francesa de nossa jornada ferroviária.
Originalmente publicado no Blog PANROTAS em Viagem, em 19/10/2009:
http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/10/19/na-suica-a-2000-metros-de-altura/
Trens panorâmicos da Suíça, uma experiência emocionante
Tenho que admitir que não esperava me emocionar nesta viagem… na verdade não tão cedo. Sim, estou com uma grande expectativa para conhecer Paris, afinal de contas já estive na Europa dois anos seguidos e não conheço a “Cidade Luz” (e ainda tenho fresco na memória o comentário: “Se não for para Paris não pode dizer que foi para a Europa”), mas um dos trechos do GoldenPass que fizemos hoje na Suíça foi de arrancar lágrimas.
O GoldenPass é, na verdade, uma associação de “marketing e vendas” de três ferrovias diferentes, separadas por uma questão técnica: a distância entre trilhos, conhecida como bitola ferroviária. A rota Lucerna (Luzern) – Montreux é bastante conhecida e nem é tão longa, mas por diferença na bitola tem que ser feita por três trens diferentes, com baldeações nas estações de Interlaken e Zweisimmen, o que pode ser um pequeno transtorno para viajantes cheios de bagagens pesadas. Aqui fica a primeira e mais importante dica para viajantes de trem: só carreguem um volume (e mais uma bolsa de colo ou mochila) e mesmo assim, não muito pesada, já que na enorme maioria dos trens você carrega sua própria bagagem. “Testaremos um protótipo de equipamento no ano que vem e esperamos que em 2013 já tenhamos um trem que possa alterar sua distância entre rodas para poder circular em trilhos com diferentes bitolas. Assim, o mesmo equipamento poderá seguir o trajeto inteiro, numa viagem única de três horas”, diz Niklaus Mani, da área de Marketing da GoldenPass Line. “E o Swiss Pass, comercializado pela RailEurope é realmente o melhor jeito de aproveitar toda a malha ferroviária suíça, já que cobre todos os trechos e também o transporte público das cidades. Na GoldenPass só seria necessário pagar uma taxa extra para os assentos VIP do trecho Zweisimmen – Montreux”, completa. E estes assentos VIP são realmente especiais, já que ficam exatamente na frente do trem, sem nada mais entre o para brisas e o trilho. Segundo Niklaus, nenhum outro trem do mundo tem assentos como estes.
Saímos da Basiléia (Basel) pela manhã e logo chegamos a Lucerna para iniciar esta viagem panorâmica.
“Como a segunda classe dos trens já é muito boa, poucos pagam o adicional da primeira classe, mas estes vagões oferecem diferenciais interessantes”, comenta María Corinaldesi, da RailEurope. E ela está certa! Tem um vagão com vidros até o teto, oferendo muito mais espaço para visualização das belíssimas paisagens dos alpes suíços.
Em Interlaken fizemos a primeira troca de trens – malas para baixo e para cima – e começamos a subir os alpes. E logo na subida uma bela surpresa para alguns de nós, já que começou a cair uma neve fina.
A segunda troca em Zweisimmen é de precisão de relógio suíço, já são somente sete minutos entre a chegada do trem que em de Interlaken e a saída do que vai para Montreux – mas dá tempo e funciona tranquilamente! E este último trecho é o mais bonito e emocionante.
Chegando próximo a cidade de Gstaad – “uma das estações de esqui mais caras da Suíça”, segundo María – a vista dos Alpes, com montanhas e árvores já cobertas de neve em panoramas cinematográficos que se revelam aos poucos nas curvas da estrada é realmente de tirar o fôlego e de arrancar algumas lágrimas – pelo menos minhas. Fiquei realmente emocionado com a beleza de tudo isso e de poder ter a sorte de apreciar uma maravilha como essa.
O trem começa então sua descida a Montreux, o balneário da Riviera suíça muito famoso pelo seu festival de Jazz. Esta é nossa parada de hoje e conseguimos apreciar um pouco do clima da cidade ao visitar o bar “Harry’s”, filial do original nova iorquino, onde ouvimos uma ótima e eclética cantora que misturou em seu repertório uma versão jazz de “Billie Jean”, sua interpretação de “My Way” e até “Virtual Insanity” do Jamiroquai.
Agora vou descansar (escrevo este post às 00h30 no fuso suíço), pois amanhã vamos subir – de trem, claro – uma montanha de 2.000 m de altura, almoçar em Montreux, pegar um trem para Genebra e dormir na França.
Originalmente publicado em 17/10/2009, no Blog PANROTAS em Viagem:
Berlim – Uma visita nunca será suficiente
Estar de volta a Berlim foi uma bela surpresa para quem conheceu a (e se apaixonou pela) cidade há pouco mais de 3 meses – estive aqui de férias em julho deste ano, quando escrevi os posts: “Balada, balada, balada – em Berlim”, “Berlim de Bicicleta” e “Muro de Berlim: 20 anos depois, ainda com cicatrizes”. E a maior diferença foi em relação ao tempo – enquanto em julho aproveitei de bicicleta, inclusive, ótimos dias de sol, agora enfrentamos temperaturas sempre abaixo de 10ºC, frequentemente com chuva. Mas ainda assim pude me maravilhar com novas descobertas e rever locais interessantes nesta cidade que é uma das mais agitadas da Europa.
“Berlim é uma capital cheia de contrastes” diz Christian Tänzler, Relações Públicas da área de Marketing da Berlin Tourismus (www.visitBerlin.de). A cidade é uma terra de imigrantes, devido, principalmente às grandes colônias de russos, franceses e ingleses, resquício da ocupação pós-guerra, que convivem com alemães de diversas regiões do país, além de turcos, chineses e, é claro, brasileiros. “Costumo dizer que a cidade não chega nem a representar bem o que é a Alemanha devido ao grande mix de culturas e a mentalidade super aberta. É realmente uma cidade única”, concorda e completa Thomas Guss, Gerente Geral do hotel Marriot Berlim, estrategicamente localizado bem perto da Potsdamer Platz, onde ficamos hospedados.
E o hotel está construído literalmente sobre o muro, que na verdade não era só um, mas dois, com uma zona morta no meio, cheia de arame farpado, guardas e cachorros. “No dia seguinte à queda do muro, em nove de novembro de 1989, grandes empresas compraram os terrenos aqui da Potsdamer Platz e somente no final dos anos noventa as obras de construção destes imensos complexos foram concluídas”, explica Walter Rohr, guia do Turismo de Berlim que acompanhou nosso grupo numa caminhada nesta fria e chuvosa manhã na capital alemã. Walter se refere aos novíssimos prédios cuidadosamente concebidos para atender a todas as demandas de mercado – tem restaurantes, lojas, serviços, cinemas e residências, com uma arquitetura moderna que se tornou uma referência no skyline da cidade.

Árvores e fachada do Ritz Carlton iluminadas para o Festival das Luzes, perto da Potsdamer Platz, com o prédio da DB iluminado em destaque
“Desde 2008 temos recebido crescentes demandas de brasileiros interessados em viajar para Berlim. Para mim a razão principal foi a boa imagem projetada pelas festas que fizemos aqui durante a copa de 2006. Acho que muita gente via aquilo tudo pela TV e começou a pensar ‘acho que visitar Berlim deve ser muito legal’. Espero que tenhamos um voo direto do Brasil quando o novo aeroporto da cidade for inaugurado em 2011”, diz Christian. O BBI – Berlim Brandemburg International está em construção na área sudeste da cidade e quando for inaugurado será o único em funcionamento, já que Tegel e Schonefeld serão fechados. Atualmente os brasileiros podem voar pela TAM para Frankfurt e pegar um trem para Berlim, em uma viagem que pode durar mais de quinze horas – onze voando e mais quatro de trem.
Christian comenta também que o Muro de Berlim ainda é referenciado como uma das principais atrações da cidade, apesar de apenas pequenos trechos dele estarem ainda de pé. “Temos o desafio de encontrar o equilíbrio entre a memória de algo que dividiu famílias, como a minha, e o futuro da cidade sem o muro. Chego a ficar arrepiado sempre que falo que durante anos eu e minhas irmãs ficamos impedidos de nos ver, já que uma era casada com um membro do exército soviético e outra com um inglês. A queda, há vinte anos, possibilitou nossa reunião após muitos anos separados”, completa.
Mas agora a cidade está em festa, com exposições e eventos por todos os lugares, da Alexander Platz à novíssima estação principal de trens, a Hauptbahnhof, onde chegamos de Frankfurt e já partimos para a Basiléia (Basel), na Suíça, nossa próxima parada. Na grande festa programada para o dia nove de novembro, crianças simularão a queda do muro com grandes peças como uma cadeia de dominós distribuídas no trajeto do muro, terminando no Portão de Brandemburgo, onde a queda da última peça acionará uma grande queima de fogos.
Nestes dias de outubro (de 14 a 25/10) a cidade está especialmente iluminada pelo “Festival das Luzes”, quando mais de cinquenta locais da cidade recebem iluminação especial e tours noturnos podem ser feitos de ônibus, barcos e até ciclo-táxis. Cerca de sessenta eventos estão previstos e os visitantes poderão votar pela Internet no hotel mais bem iluminado (www.festival-of-lights.de). Uma boa dica para apreciar este festival “de camarote” é o bar e restaurante Solar, perto da estação Anhalter Bahnhof do S-Bahn.
A cidade que teve quase dezoito milhões de pernoites registrados em 2008, com turistas alemães e do exterior não para de se recriar, renovar e se firmar como um destino cultural, com museus sendo abertos (o de Dali, perto da Potsdamer Platz, o Neues Museum, na ilha dos museus e o Palácio Schonhauser, um museu-castelo), grandes exposições (Bauhaus, no Martin Gropius e Bicentenário de Charles Darwin no Museu de História Natural), festivais anuais (musikfest e JazzFest) e novas atrações, como uma nova roda gigante, a única da Alemanha, com 185 metros de altura que será inaugurada em 2010 próximo ao Zoologischer Garten.
É, definitivamente, um destino a ser visitado, aproveitado e revisitado.
Hoje chegamos à Suiça, onde passaremos o final de semana visitando cidades em trechos panorâmicos de trem. O próximo post provavelmente será escrito nas “terras neutras” deste montanhoso país, certamente já vendo neve nestes frios dias do outono europeu.
Originalmente publicado no Blog PANROTAS em Viagem em 16/10/2009:
Frankfurt am Main
Um dos principais hubs de transporte da Europa – com seu movimentado aeroporto que tem voos para as principais capitais europeias – e da Alemanha, pelas conexões ferroviárias, Frankfurt já era considerado um entreposto comercial de grande importância desde a época dos romanos, que fundaram esta cidade às margens do rio Main.
Um dos destinos europeus da Tam, é aqui que começo esta jornada ferroviária pela Europa, a convite da Rail Europe, da própria Tam e com cobertura da GTA, nesta que é a primeira ação da Rail Europe com jornalistas brasileiros. “Muita gente faz confusão entre a Rail Europe e a Euro Rail, até pela semelhança do nome, mas a Rail Europe vende os passes Euro Rail, que têm uma grande cobertura nos paises europeus, mas tambem outros como o Swiss Pass, que utilizaremos nesta viagem, além de compra on-line dos produtos de trem da Europa, Ásia, América do Sul, África e Oriente Médio, e os serviços de reservas, necessárias em alguns trechos”, diz María Corinaldesi, representante da Rail Europe para a América do Sul, através do escritório da Argentina, em Buenos Aires. “E somos os únicos com site em português para atendimento do passageiro brasileiro”.
O primeiro desafio da Rail Europe, aberta há 10 anos, foi a consolidação do trem como um meio de transporte confiável, prático e que realmente concorre com o avião. “Este passo já foi dado e agora entendo que é importante trabalhar a marca Rail Europe separadamente do Euro Rail, que é apenas um dos produtos que vendemos”, completa María.
Voamos na Business Class da Tam, num dos novos Boing 777 da companhia, em uma cabine “privativa” que deverá ser transformada na primeira classe desta aeronave, como fez questão de ressaltar a acompanhante do serviço de atendimento especial da Tam em Guarulhos.
A longa viagem de 11 horas de voo não termina em Frankfurt, onde faremos apenas uma conexão ferroviária – do terminal do aeroporto até a estação principal Frankfurt HBF – partindo para Berlim onde passaremos duas noites.
O frio assusta um pouco – chegamos em Frankfurt com 6º C e a previsão para os próximos dias em Berlim apresenta mínimas de 0º C! Nossa jornada ferroviária passará ainda pela Suíça, França, uma escala para almoçar em Bruxelas, na Bélgica e termina em Londres daqui a dez dias.
Aguardem notícias e fotos especiais desta interessante viagem, nos próximos dias aqui no Blog PANROTAS em Viagem.
Jaime K. Scatena, Fotógrafo, especial para o Panrotas
Originalmente publicado no Blog Panrotas em Viagem, em 14/10/2009:
http://blog.panrotas.com.br/panrotasemviagem/index.php/2009/10/14/frankfurt-am-main/
Paris oh là là – Parte 3
- Musée D’Orsay: uma antiga estação de trens revitalizada e transformada em um dos mais interessantes museus do mundo, posso arriscar dizer. Sim, a Gare D’Orsay, construída em 1900 e utilizada até 1939, quase foi demolida nos anos 70, mas foi salva deste terrível destino e reaberta como museu em 1986. O prédio guarda as principais características do projeto original, principalmente a incrivelmente ampla e iluminada área das antigas plataformas, hoje repleta de esculturas, o belo relógio e os salões de chá – hoje um agradável restaurante e o de festas, com seus incríveis lustres e espelhos. O acervo cobre principalmente arte – pinturas e esculturas, além de peças de arte decorativa e móveis – do período entre 1840 e 1914. Entre as obras primas estão ‘Le Déjeuner sur l’Herbe’, de Manet, ‘Moulin de la Gallete’, de Renoir, além de obras de Van Gogh e Gauguin. Reserve algumas horas para visitar mais esta jóia às margens do Sena. Rue de la Légion d’Honneur, Metrô Solférino (linha 12) ou Musée D’Orsay (RER C); www.musee-orsay.fr.
- La Défence: Paris tem pouquíssimos arranha-céus em seu grande centro, por isso a área oeste da cidade foi escolhida em 1957 para um novo empreendimento urbano, um dos maiores da Europa, com torres de escritórios, órgãos governamentais e um arco monumental, em estilo moderno e alinhado ao eixo do Champs Elysés.
La Defénce é hoje uma atração por si só, com sua grande esplanada e o Grande Arche, que é grande o suficiente para se colocar a Notre Dame dentro dele. Ligada à cidade por metrô e trem (Linha 1, ou RER A, estação La Defénce; aliás, com o seu cartão Visit Paris, zonas 1 e 2, La Defénce é inclusa), vale a pena tirar algumas horas para visitar esta área. Suba as escadarias do grande arco (que estava fechado à visitação quando estive lá, mas que oferece belas vistas da cidade) e preste a atenção no incrível alinhamento do arco com a mais charmosa avenida da cidade: dá pra ver, pequeno, lá ao longe, o Arco do Triunfo.
- Cimetière du Montparnasse: esta é uma atração que não faz muito o meu gênero, mas ainda assim é bastante
visitada. Nem o Cemitério de La Recolleta, em Buenos Aires, eu quis visitar, mas acabei dando uma volta neste, parisiense, onde estão enterrados os escritores Maupassant, Sartre e Beauvoir (estes dois juntos, na mesma sepultura), Samuel Beckett, Julio Cortazar, além do poeta Baudelaire, o escultor Brancusi, e o pintor e fotógrafo Man Ray. O cemitério é repleto de belas esculturas, mas já vou avisando que é bastante difícil encontrar as sepulturas dos famosos, mesmo seguindo o mapa com a indicação das lápides. Aberto diariamente das 8h30 às 17h30 e com entrada gratuita. Estações Vavin ou Raspail (linha 4).
- Restaurantes:
- Le Pave, 7 rue des Lombards (01 44 54 07 20). Bem localizado, perto do Forum Les Hales, este restaurante serve belos pratos de comida francesa a preços justos. Não deixe de espiar o menu do dia, que oferece boas sugestões. Se o dia estiver agradável, peça uma mesa na rua e aproveite.
- Bistrot Beauburg, 25 rue Quincampoix (01 42 77 48 02). Este é para a pedida econômica, já que os pratos do dia custam entre 6€ e 8€, mas são bastante saborosos e de bom tamanho. Bem ao lado do Centre Georges Pompidou.
- Para os chocólatras, tem uma loja em Paris que vende um tal de “Chocolate Inalável”. Segui a dica de uma amiga amante do chocolate e fui lá experimentar. Pra falar a verdade, chega a ser estranho aspirar um negócio, como um apito plástico e, em seguida, sentir o sabor de chocolate na boca. Enfim, tem louco pra tudo! Le Whif, Le Labo Shop, 4 rue du Buloi. Aberto das 12h às 19h, fechado às quintas-feiras.
- Para a real experiência francesa, passe num mercado, compre algumas guloseimas e um vinho francês e se dirija às margens do Sena (a Port de la Tournelle, que já indiquei antes é perfeita) para um tradicional pic nic. Melhor ainda se for perto do pôr do sol.
É isso aí. Com este post encerro minha série de dicas de viagem da Cidade Luz, que aprendi a apreciar e a amar – não um amor à primeira vista, como esperava, mas em parcelas, nas 3 vezes que estive na cidade nestes últimos tempos. E definitivamente vou voltar!
Para ver mais fotos de Paris, visite meu website fotográfico, em Paris << ©JKScatena Photography, ou clique no mosaico abaixo:


































































































































































































































































